Larrivey: entre Hernán Crespo e Batistuta

Quando o juiz apontou o centro do gramado e encerrou o jogo contra o Godoy Cruz, em 24 de junho, os torcedores do Club Atlético Huracán viveram momentos distintos. Vibraram, choraram e soltaram foguetes com a derrota por 3×2. O resultado classificou o Huracán para a elite do futebol argentino – no jogo de ida houve vitória por 2×0 na casa do adversário. Contrastava com a felicidade, os abanos ao maior responsável pelo acesso.Dentro de campo, Joaquim Larrivey retribuia o carinho vindo das arquibancadas. A tarefa dele estava cumprida.

O atacante foi a jóia rara que o Huracán lapidou para deixar a segunda divisão. Alto, moreno e cabelos longos (visual absolutamente comum para jogadores argentinos), ele marcou dez gols no Torneio Clausura B e outros oito no Apertura B. Carimbado com a marca de artilheiro, o mercado europeu voltou os olhos para ele. O Cagliari, da Itália, correu na frente e pagou 800 mil dólares.

Pela altura e estilo de jogo, Larrivey, 23 anos, lembra Gabriel Omar Batistuta.As semelhanças renderam o apelido de “El Bati”. A ida para o futebol italiano repete a trajetória de Batistuta, que também foi revelado por um time de pouca expressão (Newells Old Boys) e atuou na Europa por um clube do mesmo calibre, a Fiorentina.

Apesar das comparações, são os passos de Hernán Crespo a serem seguidos. Em uma das primeiras entrevistas concedidas com a camiseta do Cagliari, Larrivey disse que o atacante da seleção argentina é excelente em todos os aspectos e que tentará imitá-lo para se construir uma carreira de sucesso.

Mania de artilheiro

Preocupado com um possível rebaixamento na temporada 2007/08, o Cagliari resolver ir às compras, principalmente depois de perder o ídolo hondurenho David Suazo para a Inter de Milão. Com pouco dinheiro no caixa, o clube vermelho e azul da Sardenha, imitou os grandes da Europa e veio à América do Sul atrás de talentos. Enquanto Bordeaux e AEK Atenas sondavam o atleta, o Cagliari resolveu apostar e o levou para a Itália.

Na primeira exibição aos torcedores, Larry, como é chamado pelos companheiros de time, fez três dos 12 gols que o Cagliari aplicou no Decimese, em confronto amistoso. O aproveitamento fez com que a torcida também o associasse a Batistuta e lembrasse de Luigi Riva, atacante que na década de 60 marcou mais de 60 gols e deu o Calcio ao clube em 1969/70 – único na história.

É bem provável que “El Bati” não repita a trajetória de Riva, mas tem potencial para se destacar e em alguns anos, se transferir para um clube de maior tradição – o Cagliari atravessa uma péssima situação financeira e não relutaria em vendê-lo por um bom preço – e até mesmo barganhar uma vaga na seleção argentina. Dos sete jogos do Cagliari pelo campeonato italiano, atuou em seis. Pela competição, no seu primeiro jogo o adversário não poderia ser mais complicado: a Juventus. Derrota em casa, no Estádio Sant'Elia, por 3×2.

O jornal La Gazzeta dello Sport deu 5,42 como nota para os 365 minutos em que esteve em campo nas partidas. Gols ainda não vieram, mas já é homem de confiança do técnico Marco Gianpaolo, fã declarado dos cabeceios do camiseta 19. Foi por esta razão que o presidente do clube, Massimo Cellino, foi a Buenos Aires buscá-lo.

Encantado com o Cagliari, quer o mais rápido possível provar que aprendeu o suficiente com Hernán Crespo para ser titular e ocupar o lugar de Suazo. Com essa expectativa, esbanjou elogios para os torcedores, considerando-os apaixonados.

Poderia ser a Udinese

Afundado em dívidas, o Cagliari foi obrigado a se desfazer dos seus principais jogadores. Além de Suazo, saíram também Antonio Langella (para o Atalanta) e Mauro Esposito (para a Roma), ambos atacantes. Presente em 28 edições da série A, a meta é evitar a queda para a B, onde figurou 28 vezes.

Para comparação, com um elenco mais forte do que o atual, o Cagliari terminou o campeonato de 2006/07 com 40 pontos, um a frente do Chievo Verona, o primeiro a cair. Com o time desmanchado, as contratações quase passaram despercebidas, como a de Larrivey, quando o clube desembolsou menos de um milhão de dólares.

Foi uma negociação complicada. O valor pago pelo jogador irritou os credores do Huracán, que pediam uma quantia mais alta. O grupo conseguiu na justiça o bloqueio da transação. Nos seis dias de indefinição – de 23 a 29 de agosto -, a Udinese acenou com contratação. O presidente do Cagliari, Massimo Cellino, reverteu a ação e finalmente o inscreveu no Calcio. Quatro dias depois estava em campo para enfrentar a Juventus. Em Cagliari, Joaquim Larrivey é também conhecido como “a aposta de Cellino”.

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Equipe Trivela

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