Lampard x Neuer: o reencontro
Bloemfontein, África do Sul, 27 de junho de 2010. A Alemanha vencia a Inglaterra por 2 a 1 quando Frank Lampard acertou um belo chute de fora da área que encobriu Manuel Neuer. A bola bateu na trave e quicou após a linha do gol, mas o árbitro uruguaio Jorge Larrionda mandou o jogo seguir, cometendo um dos maiores erros de arbitragem da história dos Mundiais. Quase dois anos depois, Lampard e Neuer se reencontram novamente por Bayern Munique e Chelsea na final da Liga dos Campeões. Em situação bem diferente.
Neuer, que só foi titular naquela Copa por causa da lesão de Rene Adler, ganhou muita projeção e se firmou a partir dali como um dos melhores goleiros do mundo. Arrebentou com o Schalke 04 em 2010/11, foi vendido para o Bayern Munique e até falhou algumas vezes, mas não tremeu na hora dos pênaltis contra o Real Madrid e ajudou sua equipe a chegar à decisão.
Lampard, uma das bandeiras do Chelsea de Abramovich, tinha naquela Copa sua última chance de ser protagonista em torneios internacionais por seleções. Não conseguiu. Atualmente, aos 34 anos, carrega a fama de ser um dos “senadores” do elenco e não vinha fazendo uma boa temporada quando os Blues eram comandados por André Villas-Boas. Quando o português saiu, coincidentemente, ele cresceu de produção e foi protagonista na Liga dos Campeões, sobretudo nos jogos contra o Barcelona. Pode decidir a partida com um lançamento ou um chute de fora da área.
O que pode passar pela cabeça de Neuer? O goleiro deixou o Schalke 04 rumo ao Bayern Munique em busca de títulos, e se perder, conseguirá a tríplice vice-coroa. Segundo colocado na Bundesliga, o Bayern perdeu também a final da Copa da Alemanha – foi humilhado pelo Borussia Dortmund – e corre o risco de terminar a série de vexames com chave de ouro. Neuer, que falhou algumas vezes na temporada e é visto com antipatia por certos torcedores do clube, é forte candidato a bode expiatório, mesmo com as defesas nos pênaltis.
O que pode passar pela cabeça de Lampard? O Chelsea mesmo com a enxurrada de dinheiro vinda do bolso de Roman Abramovich, jamais venceu a Liga dos Campeões. Provavelmente é a última chance da geração comandada por ele, Terry e Drogba conquistar o título para, além de incrementar o currículo e conquistar um objetivo perseguido há anos, consolidar ainda mais o poder nos vestiários.
Um personagem importante, no entanto, não estará presente no reencontro. Jorge Larrionda, árbitro uruguaio que reconheceu o erro após o jogo. Aos 44 anos, ele se aposentou dos gramados após 13 anos como árbitro da Fifa e atualmente é, por ironia do destino, membro do comitê de arbitragem da entidade. Caberá ao português Pedro Proença, árbitro da final da Liga dos Campeões, a tarefa de conduzir o jogo em Munique e não cometer erros que fiquem marcados para a posteridade e sejam citados toda vez no discurso de alguém que defende o uso de tecnologia para interferir nas arbitragens das partidas.



