Koevermans: Million Dollar Danny

Seguramente, não cometemos nenhuma imprudência se considerarmos Danny Koevermans o jogador mais valioso do Campeonato Holandês 2006/7. Centroavante desenhado com um cativante low-profile, Koevermans regista também um percurso que faz lembrar o de outro grande goleador da atualidade – Luca Toni.

Há quem diga que os 28 anos de Koevermans são um enorme entrave à progressão na carreira. Porém, talvez não seja assim tão desajustado pensar que é exatamente esse peso dos 28 que lhe dá cada vez mais alento para engendrar cada desmarcação antes do chute vitorioso. Qual Maggie Fitzgerald, este ‘Million Dollar Danny’ é um verdadeiro achado que Van Gaal teve a sorte de ter como matéria-prima na fábrica de bom futebol de Alkmaar. No entanto, também é garantido que foi Van Gaal quem soube aplicar os conhecimentos técnicos necessários para fazer de Koevermans um dos atacantes mais insaciáveis do futebol internacional. Marco van Basten já soube reconhecer essa saudável fome pelo gol. Que remédio.

Como comparar com Luca Toni?

Koevermans e Toni são similares na quantidade de gols que marcam e na demora até que tivessem obtido notoriedade internacional. É óbvio que Toni até já foi campeão do mundo em 2006, e Koevermans ainda não ganhou nada. Mas tentem lembrar-se em que época é que o italiano se deu verdadeiramente a conhecer? Toni estreou na Série A com 22 anos (pelo Vicenza), mas foi só aos 27, depois da subida do Palermo à principal divisão do calcio, que começou a mostrar numa maior escala as qualidades que hoje fazem dele um dos melhores artilheiros do mundo.

Por seu turno, Koevermans estreou na primeira divisão holandesa pelo Sparta Rotterdam, em 2000/1, com 21 anos. Não era mais do que um jovem suplente forçado a contemplar do banco os gols de Elkhatabbi, o principal goleador que curiosamente depois viria a jogar pelo AZ. Na temporada seguinte, a modestíssima formação do Sparta voltou a terminar o campeonato em penúltimo lugar, mas dessa vez não teve a mesma sorte no playoff de rebaixamento e foram relegados para a segunda divisão. Koevermans apontou sete gols, tantos quanto o meia-atacante Boukhari, que hoje até é seu companheiro no AZ – também o atual zagueiro central titular do AZ, Mendes da Silva, fazia parte do Sparta nesse período. Esta última época teve ainda a particularidade de ter incluído no elenco do time de Roterdã o holandês Aaron Winter, que pôs termo à carreira de jogador em 2002. Em duas temporadas, o clube de Roterdã sofrera 147 golos em 68 jogos…

A segunda divisão foi o domínio ideal para Danny Koevermans ganhar confiança com os gols, ao mesmo tempo em que se inspirava com os desempenhos de Kezman (PSV) ou Kuijt (Feyenoord). Num total de 83 partidas realizadas nas três temporadas de segunda divisão holandesa, Koevermans marcou 64 gols, sendo que 24 foram em 2004/5, o campeonato em que o Sparta conquistou a promoção para a primeira divisão e também a temporada em que o atacante despediu-se de Roterdã para se juntar ao AZ.

Programado por Van Gaal em formato 4-4-2

Hoje, Koevermans é um dos titularíssimos do AZ, estatuto que não tinha no início de 2005/6. Contudo, com as saídas dos atacantes Pérez (Ajax) e Huysegems (Feyenoord), Koevermans viu abrirem as portas para constituir uma temível dupla de frente com o veterano georgiano Shota Arveladze, um dos jogadores mais admirados no futebol holandês.

O treinador Louis van Gaal tem apostado recentemente num 4-4-2 em losango que permite a colocação do jovem talento belga Dembelé nas costas dos dois avançados. Uma das imagens de marca dessa irreverente mas muito consciente equipe do AZ é precisamente a juventude da grande maioria dos titulares. É essa juventude que faz com que a fadiga não se sinta tão rapidamente e que a mobilidade entre os jogadores seja constante. Podendo alargar as áreas de recepção de bola, Koevermans e Arveladze jogam quase sempre alinhados um com o outro, porque os médios circulam por toda a zona de ataque, com especial destaque para o imprevisível Martens, jogador da seleção belga com um pé esquerdo de elevado recorte técnico.

Fenerbahçe e Newcastle foram algumas das vítimas européias do AZ nesta temporada, e Danny Koevermans teve influência direta em ambas as vitórias. Mesmo excetuando os tentos europeus do recém-convocado para a seleção holandesa – Marco van Basten, tendo em vista a substituição do lesionado Venegoor of Hesselink, fê-lo estrear na Oranje no jogo contra a Eslovênia, em 28 de março de 2007, juntamente com outro nome do AZ, o volante De Zeeuw –, os números de Koevermans são bastante bons. Além de sete assistências, Danny já marcou 21 gols em 29 partidas da presente edição da liga holandesa, o que significa que ultrapassou a barreira pessoal dos 100 gols em sete temporadas de campeonatos nacionais.

É daqueles que gosta de tocar poucas vezes na bola e joga habitualmente com o pé direito, mas também usa bem o esquerdo no chute. Koevermans é um atacante de área com bons reflexos e que parece enfrentar os defensores como se estivesse num jogo de xadrez. ‘Obrigado’ por Van Gaal, funciona muito com o cérebro, tentando antever um passo em falso dos adversários para atacar o melhor espaço. Apesar de forte fisicamente (não é tão possante como Toni), o futebol de Koevermans vale sobretudo pela inteligência. Os 28 anos dão-lhe uma bagagem diferente para encarar os desafios da primeira divisão holandesa, já sem os medos que se tem quando se inicia uma carreira. A fase da pura sorte já acabou.

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