Kleber é o lado ruim da Lei Pelé
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Primeiro, vamos deixar bem claro uma coisa: eu sou totalmente a favor da Lei Pelé. Ela levou o futebol profissional a um novo patamar. Os jogadores de futebol passaram a ser como todos os outros trabalhadores do Brasil. Todos deixaram de pertencer a clubes. Deixaram de ser mercadoria. Mas, como toda lei, traz consequencias. Alguém pode ser contra o fim da escravidão porque alguns fazendeiros tiveram problemas para contratar mão de obra? São consequências menores, que não podem ser levadas a sério.
Kleber não pode ser levado a sério. Ele e outros jogadores que se aproveitam da Lei Pelé para traçar uma carreira mercantilista e mercenária no futebol. Tem um desprezo total pelos clubes, que são a alma do futebol. Pensam que são maiores que a paixão popular. Não é fora da lei, não é errado. É apenas uma consequência nefasta para o futebol.
Quando estava no Cruzeiro, Kleber ficou pedindo para voltar ao Palmeiras. Como apenas pedir não adiantava, resolveu agir. E foi jogar futsal na quadra da Mancha Verde. Aí, os torcedores e diretores do Palmeiras, maravilhados com essa “prova de amor” trataram de comprar 50% dos direitos do jogador. Foi uma catarse emocional. Kleber, o Gladiador, estava de volta aos seus, estava junto daqueles a quem tanto ama…
Viveram felizes até que apareceu uma proposta do Flamengo. E o dinheiro superou o amor. Amor inexistente, é lógico. Kleber fez de tudo para trocar o Palmeiras pelo Rio. Brigou com diretor, chamou dirigente de “sem caráter” disse que não era valorizado e… parou de fazer gols. Uma explicação: não tenho provas de que uma coisa está ligada a outra. Não tenho certeza que os gols pararam porque o aumento não veio. Nâo tenho certeza porque não sei se o caráter dele é tão ruim assim.
E não tenho certeza por outro motivo: Kleber é um jogador superavaliado. Ele não é o artilheiro que dizem. É um jogador raçudo, que usa bem os cotovelos, mas não tem uma regularidade futebolística. Na Libertadores do ano passado, foi expulso com 15 segundos de jogo por dar uma cotovelada em Richarlyson. Seu instinto fala mais alto que seu futebol.
Agora, depois de tanto fazer, Kleber tornou sua situação insustentável no Palmeiras. Alguém acredita que o fato de recusar-se a jogar após a agressão sofrida por João Vitor tem a ver com consciência de classe? Ou foi a oportunidade que conseguir para sair? E veio a proposta do Grêmio. E a do Corinthians também. Kleber tem o direito de escolher onde quer jogar. Mas duas coisas precisam ser analisadas.
1) O apequenamento dos clubes – Se a Lei Pelé deu direito a jogadores de cuidarem de sua vida e de menosprezarem os clubes, pensando apenas em sim, as instituições colaboram com isso. O Grêmio, por exemplo. Pagou avião fretado para Kléber fazer exames médicos. Foi aprovado. Pediu mais do que estava acordado. O Grêmio disse que pagava. Ele pediu 48 horas para pensar. Terminado o prazo, pediu mais um tempo. E o Grêmio aceita? Deveria recusar e fazer um barulho. Mostra que estava sendo massa de manobra e que sua história não aceita esse papel.
2) A Fielpress. Jornalistas tentam provar que Kleber quer jogar no Corinthians por amor. Aceitaria ganhar menos porque teria seu sonho de gavião realizado. Um ato de amor. Isso é mentira. E o pior é que quem escreve sabe que é mentira. Uma mentira que será desmascarada quando Kleber fizer de tudo para sair do Corinthians. Isso, se alguém o quiser.