Kaiserslautern: o grande quer voltar

O clube era, no fim da década de 90, a sensação da Alemanha. Um período de títulos de peso, como o Campeonato Nacional e a Copa da Alemanha. Foram anos de ouro, mas que deram lugar ao fracasso. Michael Ballack, estrela da equipe, saiu. As taças foram ficando cada vez mais distantes. E, desde 2006, o clube está na segunda divisão. Mas, ao que tudo indica, a próxima temporada será diferente.

Neste ano, a direção, com os cofres vazios, montou um time cheio de jovens pratas da casa. Trouxe também muitos jogadores emprestados. Um deles é o brasileiro Rodnei Francisco de Lima, zagueiro revelado pelo Juventus, de São Paulo, vindo do Hertha Berlim.

Até agora, o planejamento deu bom resultado. Depois de 26 jogos (de um total de 34), o Kaiserslautern lidera com folga a segundona alemã. Tem oito pontos a mais do que o terceiro colocado, que disputa uma repescagem contra o 16º da primeira divisão.

A ideia é comemorar o aniversário de 110 anos, em 2 junho, com a vaga na Bundesliga. O projeto maior é estar de volta às competições internacionais em 2013. De preferência, na Liga.

Sozinho ninguém faz nada

Tudo na história do Kaiserslautern costuma ser complicado, difícil e demorado. O primeiro troféu só veio em 1951, por exemplo. E a permanência na segunda divisão já está se alongando demais. Até a formação do clube foi uma novela. Envolveu cinco agremiações e durou exatos 32 anos.

Dois de junho de 1900 é o início. O Germania 1896 e o FG Kaiserslaurern se uniram. Nasceu, então, o FC 1900, que não parou com as alianças. Incorporou-se ao FC Palatia e ao FC Baviera, para surgir o FV 1900 Kaiserslautern.

Somente aí começaram os jogos oficiais num torneio distrital, uma espécie de campeonato estadual. Como o clube recém havia se profissionalizado, acabou rebaixado para a divisão inferior.

Ressurgiu em 1932, quando se classificou para a Gauliga, campeonato do Sul da Alemanha e que dava acesso ao nacional. Nessa época, já carregava o nome atual: 1. Fussball-Club Kaiserslautern. Também vestia as cores vermelho e branco no uniforme. Antes, porém, mais uma fusão. Em 1929, num acordo com o SV Phönix, havia sido criado o Phönix-Kaiserslautern, nome que mudou três anos depois. Em todo esse período de fusões, foram sete distintivos diferentes.

A turma do Walter

A Bundesliga só foi criada em 1963. Até lá, para ser campeão da Alemanha era preciso primeiro vencer os pequenos regionais. Nisso, o Kaiserslautern foi bem. Depois da Segunda Guerra Mundial, faturou 10 de 13. Mas falhava na hora de enfrentar os adversários no Norte. Conseguiu superá-los apenas em 1951 e 1953, quando, finalmente, fincou sua bandeira vermelha no território alemão.

Os cronistas não entendiam os motivos de tantas derrotas nos momentos decisivos se o time era uma constelação. Tinha até apelido: “Os onze do Walter”, em referência a Fritz Walter, atacante e maior jogador da história do Kaiserslautern. Marcou mais de 300 gols nos 22 anos de clube, o único que defendeu.

Nos anos 50, era o líder da equipe que tinha Werner Kohlmeyer, Horst Eckel e Werner Liebrich e que foi a base da seleção alemã ocidental na Copa de 1954. Ele, inclusive, foi o capitão naquela campanha campeã.

Em homenagem, o Kaiserslautern rebatizou seu estádio inaugurado em 1920 para Fritz-Walter-Stadion. Elogiado pela Fifa e com capacidade para 48 mil pessoas, recebeu cinco jogos da Copa 2006. Para tanto, passou por uma reforma de 50 milhões de euros.

Os abençoados anos 90

Veio a Bundesliga, um campeonato justo e democrático. Só os melhores entrariam nele. E todos se enfrentariam, em casa e fora. O Kaiserslautern, que foi um dos fundadores, ficou na primeira divisão em razão dos dois títulos que havia levantado.

Os tempos agora eram outros. Walter já havia se aposentado e a dificuldade de substituí-lo era imensa. Mesmo assim, ano após ano, o time ia ganhando espaço. E tornou a cidade homônima de 100 mil habitantes, a 650 quilômetros de Berlim, famosa na Europa.

Faltavam, porém, taças no armário. Elas vieram. Mas demoraram. Só chegaram a partir de 1990, com a vitória na Copa da Alemanha e no ano seguinte com a Supercopa e a Bundesliga. O Kaiserslautern era tricampeão nacional.

Esses três títulos deram gás ao clube, que captou dinheiro com publicidade, marketing e venda de produtos oficiais. Com as contas em dia e a casa em ordem, agarrou mais uma Copa da Alemanha, em 1996, e o tetra da primeira divisão, em 1998, sob o comando do treinador Otto Rehagel.

Quanto mais alto, maior o tombo

Hora, então, de providenciar passagens para viajar pela Europa, atrás da Liga dos Campeões. Um sonho, mas por que não acreditar? Tudo ia bem até as quartas de final, quando apareceu pela frente o Bayern de Munique. As duas principais equipes do futebol alemão brigando por um lugar entre os quatro melhores do continente.

O Kaiserslautern tinha sim um bom time. Podia complicar a vida de Oliver Kahn, Jeans Jeremies e Lothar Matthäus, craques do Bayern. Havia encontrado um novo ídolo, alguém à altura de Fritz Walter. Tratava-se do meia Michael Ballack, comprado a preço de banana junto ao Chemnitzer, atualmente na quarta divisão. Ele atuava de forma inteligente, abastecendo o ataque. Pelo que jogava, seria impossível segurá-lo por bastante tempo.

O time de Munique demonstrou em campo porque era maior. E bem superior. Passou por cima, sem qualquer dificuldade. No placar agregado, fez 6×0. Parou apenas no Manchester United, campeão da edição 1998/99.

A eliminação provocou um terremoto no Kaiserslautern. O Bayer Leverkusen levou Ballack. Junto, o futebol foi embora. O clube, de novo, começava a despencar e a se desestruturar. Uma campanha ruim atrás da outra. Era a rotina até culminar no rebaixamento, em 2006. Naquele campeonato, foram 17 derrotas. Um turno inteiro perdido.

A mais bem-sucedida tentativa de evitar o descenso foi ter trancado a venda de Miroslav Klose, formado no Fritz-Walter-Stadion. O atacante ficou lá entre 1999 e 2004, quando o Werder Bremen, sabendo da péssima saúde financeira do rival, arrancou o jogador.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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