Johnny Haynes: o início dos altos salários
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Não é impossível que você não saiba quem foi Johnny Haynes. No Brasil, principalmente, seu nome não é muito conhecido – ainda que sua carreira como jogador não seja de se jogar fora. Em quase 700 partidas pelo Fulham, clube da zona sudoeste de Londres, Haynes se transformou no maior jogador da história do clube.
Contudo, para a história, o atacante inglês tem uma outra relevância. Haynes foi o primeiro atleta profissional a ganhar um salário de £100 por semana. Comparado com o salário de astros da Premier League de hoje, onde um Rio Ferdinand recebe mais de mil vezes esse valor, a soma parece ridículo. Mas na época, o salário do jogador foi motivo de discussão, considerado “alto demais”.
“O Maestro”
Haynes começou a jogar muito jovem. Tão jovem que não pôde se profissionalizar imediatamente e teve de passar dois anos emprestado a clubes amadores. Quando fez 17 anos – passando a ficar legalmente apto à profissionalização – ele assinou seu primeiro contrato. Dali em diante (estamos falando de 1951), ele jamais defendeu outro clube na Inglaterra, permanecendo até 1970, embora não tenham faltado ofertas.
É curioso perceber que o jogador ficou em Londres sem que o Fulham jamais tenha ganho um título relevante no período. O único troféu que ele ganharia seria na África do Sul, em seu último ano como profissional, no Durban City.
“Maestro” foi o primeiro jogador inglês a chegar à seleção inglesa tendo passado por todas as categorias inferiores – Amadores, Jovens, Sub-23, B e Principal. Na seleção, sua carreira foi notável. Ele era considerado o melhor passador da Inglaterra em sua época e foi elogiado por inúmeros astros, incluindo o Rei Pelé. Haynes vestiu a camisa dos ‘Three Lions’ entre 1954 e 1962 (jogando três copas), fazendo sua última participação contra o Brasil, na Copa de 1962. Haynes foi o capitão inglês por três anos, passando a braçadeira à Bobby Moore.
Um ano depois disso, um acidente de moto causou uma séria lesão nos seus ligamentos, causando seu afastamento do grupo que seria campeão mundial em 1966. Uma partida, particularmente, ficou famosa na sua carreira: um 9 a 3 em cima da Escócia, em Wembley.
Quebrando o recorde
No começo da década de 60, os clubes ingleses ainda faziam uma objeção velada ao profissionalismo. Os jogadores já recebiam dinheiro para jogar futebol, mas um teto salarial de £20 por semana (que equivale hoje a cerca de 60 vezes essa soma) impedia que o assunto fosse tratado como profissionalismo ‘total’.
Em 1961, o teto já era uma farsa e os clubes usavam artimanhas para burlá-lo. A pressão aumentou e o próprio presidente do Fulham, Tommy Trinder, disse que queria pagar mais a Haynes. “Ele vale pelo menos três vezes esse valo”, disse Trinder. No dia seguinte à queda do teto, Haynes passou a ser o jogador britânico mais bem pago, recebendo £100 semanais. O Fulham ainda recusou uma proposta do Milan de cerca de £80 mil, que quebraria o recorde de transferência da época (que era de menos da metade disso) e faria dele o jogador mais bem pago do mundo.
Ao contrário da maioria dos jogadores, Haynes não teve vontade de virar técnico. Ele chegou a assumir o cargo interinamente quando Bobby Robson (que acumulava as funções de técnico e jogador), mas não levou a carreira adiante. Seu óbito, ironicamente, aconteceu um dia depois do seu aniversário. No dia 16 de outubro de 2005, Haynes sofreu um acidente de carro que ocasionou sua morte dois dias depois. Hoje, o jogador empresta seu nome à uma das arquibancadas do estádio do Fulham, Craven Cottage.