John Faxe Jensen: herói dinamarquês

Zebra – s.f. designação geral dos mamíferos perissodáctilos, da família dos equídeos, com a pelagem às riscas; Fenômeno cuja intensidade e freqüência distingue o futebol dos demais esportes.

Com o fim das eliminatórias para a Euro-08, muitos são os debates sobre o vexame inglês dentro de Wembley. “Ah, mas isso não se compara ao título da Grécia na Euro-04, aquilo sim foi zebra”, dirão alguns. Agora, os amantes e estudiosos da zebra celebram este ano algo que põe a conquista grega no chinelo. Há 15 anos a Dinamarca sagrava-se campeã da Euro-92.

Para começo de conversa, a Dinamarca nem mesmo se classificou para o torneio. Ela herdou a vaga da Iugoslávia, eliminada em decorrência da carnificina que se desenrolava em seu território. Não satisfeita em ser a penetra do torneio, a Dinamarca caiu no “tranqüilo” grupo que tinha a Suécia, dona da casa; Inglaterra e França. Como moleza pouca é bobagem, o confronto das semifinais foi contra a Holanda de Van Basten, Gullit, Rijkaard, Bergkamp e Koeman. O título épico veio num categórico 2 x 0 contra a Alemanha, então campeã do mundo. Naquela noite iluminada de 26 de junho, o placar foi aberto por John Jensen.

Um início bem sucedido

Nascido em Copenhagen no dia 3 de maio de 65, o meio-campista iniciou sua carreira no Brondby, onde teve atuação destacada durante a fase vitoriosa do clube na segunda metade dos anos 80. Como reconhecimento, Jensen foi eleito o jogador dinamarquês do ano em 1987 e convocado para a seleção nacional.

Tamanha exposição o fez trilhar um caminho natural e o jogador transferiu-se para o Hamburgo, da Alemanha, em 1988. No entanto, a passagem pelo clube alemão trouxe os primeiros dissabores e, em 1990, Jensen já estava de volta ao Brondby. O retorno acabou sendo positivo para o atleta, já que o Brondby surpreendeu e alcançou as semifinais da Copa da Uefa no ano seguinte, caindo diante da Roma.

A consagração na Euro e a aventura na Premiership

Com presença constante nas convocações da seleção e a exclusão da Iugoslávia, em 1992 Faxe, como Jensen era conhecido, teve a oportunidade de disputar a Eurocopa na Suécia. A campanha impressionante e o título assombraram o mundo. Todos queriam conhecer quem eram aqueles companheiros de Schmeichel e Laudrup. O gol marcado na final, em belo chute de primeira da entrada da área, foi o único anotado pelo jogador no torneio e despertou o interesse do Arsenal de George Graham. Em 1992 Jensen faria sua primeira temporada em Highbury.

Pelos Gunners, o jogador teve uma passagem ao mesmo tempo vitoriosa e decepcionante. A parte vitoriosa corresponde aos títulos da Copa da Inglaterra e da versão da atual Carling Cup em 92-93. Na temporad seguinte, sagrou-se campeão da Recopa, torneio em que foi vice-campeão em 94-95.

Já a decepção veio por conta dos gols marcados pelo time londrino. Na verdade, o gol. Jensen foi contratado justamente por causa do gol anotado contra a Alemanha na final da Euro. Ocorre que pelo Arsenal o volante atuou em 132 partidas e marcou um golzinho solitário.

Tamanha expectativa virou até música entre os torcedores na época, que durante os jogos passaram a pedir que Jensen chutasse a gol, independentemente de onde ele estivesse com a bola. E o tento veio na partida de número 98, contra o Queens Park Rangers no dia 31 de dezembro de 94, para delírio da torcida. Por isso o leitor não deve estranhar se um dia vir um torcedor do Arsenal usando a camiseta “eu vi o gol de John Jensen”.

O mais curioso é que durante sua passagem pelo Arsenal, o volante fez dois gols pela seleção nacional, onde obviamente jogava com muito menos freqüência. Pela seleção Jensen teve 69 aparições entre 1987 e 1995, tendo marcado 4 gols.

O fim da carreira e a experiência como técnico

Em 1996 Jensen deixou o Arsenal e retornou ao Brondby. Três anos depois, anunciou sua aposentadoria e aceitou o convite para treinar o pequeno Herfolge, onde novamente surpreendeu ao vencer o campeonato dinamarquês em sua primeira temporada no clube.

Em 2000 foi eleito o treinador do ano, mas infelizmente a realidade de time pequeno falou mais alto e o clube foi rebaixado para a segunda divisão em 2001. No ano seguinte ele retornou novamente ao Brondy, dessa vez como assistente do técnico Michael Laudrup, onde ficou até o ano passado.

Em 2007 Laudrup assumiu a função de técnico no Getafe. John Jensen decidiu acompanhar o chefe e hoje trabalha como assistente no time da região metropolitana de Madri.

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