Intruso entre os gigantes

Os jornalistas menos atentos, digamos assim, costumam garantir que o Shakhtar Donetsk é da Rússia. Quando corrigidos, dizem que “é tudo por ali mesmo”. Conheciam, historicamente, apenas um time oriundo da Ucrânia, o tradicionalíssimo Dynamo Kiev. Agora, aos poucos, têm se acostumado – claro, por conta dos muitos brasileiros no time – a lembrar que o Shakhtar não é um time russo. Eis que em breve surgirá um novo problema para esses profissionais.

Há cinco temporadas consecutivas o Metalist Kharkiv termina o Campeonato Ucraniano na terceira colocação. Comprado pelo bilionário Oleksandr Yaroslavskiy em 2004, a equipe passou de insignificante no período soviético a importante na nova fase ucraniana. Os otimistas veem os últimos anos e dizem que o clube se estabeleceu entre os mais fortes do país e tende a crescer. Já os pessimistas olham a mesma situação e afirmam que o Metalist estagnou. Tento buscar um meio-termo nessa situação.

Nesta temporada, naturalmente a diretoria sonha em brigar pelo título com Shakhtar e Dynamo, e passadas 11 rodadas o time tem dado mostras de que pode, finalmente, ultrapassar a barreira do terceiro lugar – algo que ele chegou perto na última. Neste sábado bateu o Dnipro Dnipropetrovsk, consolidado como quarta força, mas com muito mais história e uma campanha horrível agora, por 1 a 0 (gol de Taison) e se manteve invicto. Se aproveitou do clássico entre os rivais logo acima que terminou 0 a 0 para ficar a somente dois pontos dos dois.

No Ucraniano, para brigar pelo título não há muitos segredos: é proibido perder pontos contra os pequenos e é preciso encarar os jogos com Shakhar e Dynamo como finais. Nesse primeiro turno, o Metalist teve um ou outro empate bobo, mas no geral está com saldo positivo. Ficou no 1 a 1 com o Dynamo Kiev e encara o Shakhtar Donetsk no final de outubro.

Liderado por Cleiton Xavier, capitão do time, o Metalist tem condições de disputar a taça. O clube seguiu o modelo adotado pelo rival de Donetsk e aposta em sul-americanos para as peças de ataque, com exceções como o artilheiro Marko Devic. Conta, inclusive, com um brasileiro/ucraniano: Edmar, 31 anos, formado no Paulista e há quatro anos na equipe – no mês passado disputou seu primeiro jogo com a seleção da Ucrânia.

Além de tudo isso, é um clube que tem se estruturado. Seu estádio foi recentemente reformado para a Eurocopa e tem capacidade para quase 40 mil pessoas. Conta ainda com o apoio da população de Kharkiv, segunda maior cidade do país, com 1,5 milhão de habitantes, que deseja ver o time local forte. Os otimistas torcem para estar certos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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