Ilhas Cayman: Paraíso fiscal, não do futebol

Descobertas em 1503 por Cristóvão Colombo, as Ilhas Cayman são famosas pela sua estonteante beleza de ilhas desertas e praias paradisíacas. Mas também são famosas por serem outro tipo de paraíso: o fiscal. Reunindo centenas de empresas ‘offshore’ (que não pagam impostos internacionais de qualquer tipo, inclusive alfandegários, e livres de taxas vigentes em áreas continentais), a dependência britânica tem nessas transações bancárias cerca de 20% de todo o dinheiro que circula pelo país. Naturalmente, as divisas vindas do turismo são a maior parte de tudo que as Ilhas Cayman lucra e com o qual ela se mantém.

Foram justamente magnatas que aproveitam os dois lados desse paraíso que trouxeram o futebol aos caimanenses. Clifton Hunter e Timothy McField, donos de uma rede de empresas educacionais na Inglaterra, construíram o Annex Field, o primeiro estádio exclusivo para a prática do esporte nas Ilhas Cayman, na década de 60, na capital George Town. Ao mesmo tempo, Hunter construiu uma escola de futebol na cidade de West Bank (no extremo oposto do arquipélago), que inclusive fez surgir o Scholars International, time mais vitorioso do país.

Joga pouco, perde muito

A seleção nacional das Ilhas Cayman, cujo primeiro uniforme é composto de camisas vermelhas e calções azuis (e segundo uniforme todo branco) joga oficialmente apenas desde 1991, a despeito da federação ter sido fundada quase 30 anos antes. O jogo inaugural, um 1 a 1 contra São Cristóvão e Névis, foi animador, mas, com o tempo, tal impressão mostrou-se um equívoco.

Foram 59 jogos e apenas 13 vitórias (a mais espetacular, um 3 a 2 contra a Jamaica pela Copa Shell do Caribe, torneio classificatório para a Copa Ouro), com 37 derrotas, algumas delas vexatórias, como goleadas de 8 a 1 para os Estados Unidos, em 1995, 9 a 2 para Trinidad e Tobago, no mesmo ano, e 7 a 0 para Cuba, em setembro de 2006, último jogo oficial dos caimanenses, que têm vantagem histórica apenas contra as fracas Ilhas Virgens Britânicas.

Ainda assim, o técnico da seleção, o brasileiro Marcos Aurelio Tinoco, com passagens por CSA, Serrano de Petrópolis e Araçatuba, acredita que a Foster’s National League (o campeonato nacional das Ilhas Cayman) possa trazer evolução ao futebol local, que, segundo ele, é potencialmente tão bom ou melhor que alguns companheiros insulares, como República Dominicana e Haiti.

A liga, que existe desde 2000, é dividida em dois grupos: a Zona Ocidental e a Zona Oriental. Os dois melhores de cada chave vão à semifinal, jogada em dois jogos, e os vencedores disputam a final em jogo único, sempre no estádio nacional Truman Bodden, em George Town. O destaque tem sido o auriazul Scholars International, de West Bay, grande rival dos times da capital, o rico George Town SC e o East End, mantido pelo alto comissionado da Marinha Britânica nas Ilhas Cayman.

Sub-20 é a esperança

Se a seleção principal não traz nenhum bom resultado, é no time sub-20 que Tinoco e a federação local depositam alguma esperança. Com treinamentos durante todo o dia e dedicação exclusiva ao futebol (algo inexistente nos times de cima), os jovens caimanenses começam a mostrar alguma qualidade.

O pensamento do técnico se volta especialmente a três jogadores: o goleiro Thomas Bush, irmão do titular da seleção, Aaron Bush, e segundo o próprio irmão, “o bom da família”, o lateral Junio Hurlston, que marca com alguma qualidade, mas tem no ataque sua grande vantagem, e principalmente o atacante Carlos Powery, artilheiro da última Foster’s National League com 15 gols e que já foi até laureado pelo governo caimanês pelas suas excelentes performances.

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Equipe Trivela

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