Iker Muniain: o Messi dos bascos

São 25 anos de espera. E nada. Nenhum título, nenhuma taça. As mais recentes, os jovens só viram no museu. Para piorar, não existem os estaduais, torneios que no Brasil fazem muito time grande escapar da fila.

O Athletic Bilbao, da Espanha, comemorou pela última vez em 1984. E foi logo em dose tripla. Campeonato nacional, Copa do Rei e Super Copa. Desde então, se livrar do rebaixamento já é motivo de foguetório pelos lados do Estádio San Mamés. A queda de rendimento nas duas últimas décadas justifica-se. Os adversários evoluíram e atravessam o Atlântico atrás dos craques, enquanto o Athletic se atrasou. O clube não aceita jogadores nascidos ou criados fora do País Basco. Daí tanta dificuldade em crescer. É complicado até surgir uma promessa da base.

Entretanto, essa longa e maldita fase esboça ir embora. Em 2005, chegou aos juvenis um garoto franzino e baixo, mas habilidoso. Passou em todos os testes e foi subindo. Aterrissou nos profissionais em julho último. Tem três gols. Tornou-se sensação e o centro dos holofotes.

Os torcedores que até 2008/09 iam ao estádio apenas para torcer (e para não perder) agora vão para vê-lo jogar. O atacante Iker Muniain, 16, é a esperança do clube 94 anos mais velho.

Bem cotado com o chefe desde os 13

Muniain deu os primeiros chutes com a perna direita na cidade em que nasceu, Pamplona (País Basco), no pequeno Unión Deportiva Chantrea, da quarta divisão. Como sobrava em relação aos demais da sua idade, embarcou, aos 13 anos, para Bilbao, onde é lapidado desde 2005.

A ascensão vem sendo meteórica. Nas avaliações que faz costumeiramente nas categorias de base, o técnico da equipe principal, Joaquin Caparrós, grudou o olho no menino. Rápido, dono de um bom passe e chute seco. Abusado. Do tipo que humilha os zagueiros.

Caparrós pediu aos assistentes atenção redobrada com Muniain. Poucos meses depois, já era o melhor do time sub-17. Com 14 anos. Compensava a falta de força física com os dribles e correria. As convocações para as seleções da Espanha só confirmavam o talento.

Cada vez mais surpreendido, Caparrós o levou junto para a pré-temporada 2007/08. Mesmo não podendo escalá-lo na Liga, queria proporcionar um convívio entre os profissionais e acelerar o processo de amadurecimento.

Quebrando recordes

Em 2009, o Athletic, enfim, julgou, ser o momento ideal para lançar, aos poucos, o atacante. Antes, a seleção sub-17 o levou para o campeonato europeu da categoria, em maio. Afinal, era preciso ir bem para se classificar ao Mundial, na Nigéria.

Muniain voltou direto para a pré-temporada. Era, definitivamente, um profissional. O primeiro jogo foi pela Liga Europa, no fim de julho, quando se tornou o jogador mais novo a vestir a camisa do clube numa partida oficial. Saiu do banco para reverter o 1 a 0 a favor do suíço BSC Young Boys, em casa. Não deu. Os visitantes seguraram o resultado.

Na semana seguinte, no jogo da volta, qualquer vitória (exceto o 1 a 0, que levava aos pênaltis) mandava o Athletic à fase de grupos. Hora de Muniain brilhar. Fez o segundo dos 2 a 1. Explodiu o País Basco e derrubou mais um recorde: o mais jovem a marcar pela equipe.

Veio a Liga e o ritmo seguiu o mesmo. O gol no Real Valladolid o colocou na história do campeonato por ser o mais novo a balançar as redes da primeira divisão.

Mais que jogador, uma fonte de receita

Portanto, é justo o rotular como estrela. Garantia de bom futebol com os dribles curtos e ousados, chutes violentos, visão de jogo privilegiada e muita velocidade. Num efeito cascata, isso gera estádio lotado e receita. Mais: resgata torcedores descontentes e angaria novos, especialmente os jovens, carentes de ídolos.

Sem falar que Muniain, fatalmente, vai resultar em milhões de euros na conta bancária do Athletic, que faz de tudo para manter o jogador por perto. Bateu de frente com a Real Federação Espanhola de Futebol. O motivo foi a convocação para o Mundial sub-17, na Nigéria.

O Athletic argumentou, em vão, que Muniain fazia parte do time principal e que por isso, ficaria fora de um grande número de jogos da Liga, causando prejuízo ao clube. A Espanha, apesar de multicampeã europeia sub-17, jamais venceu o Mundial da categoria. Entendia que havia chegado a vez.

Doce engano. Muniain foi. Jogou como titular, mas não marcou. Para completar o desespero dos bascos, sofreu uma lesão muscular na derrota para a Nigéria, na semifinal. Os médicos ainda não deram um prazo para que ele volte a atuar.

O olho grande dos gigantes

Idade de adolescente e importância de quem tem 10, 15 anos a mais. Muniain, por enquanto, segue na reserva. Não por muito tempo. O próprio técnico Caparrós tem afirmado que pretende, em breve, aproveitá-lo como titular. Não vai deixar de mandar a campo um atacante ousado e insinuante. E que pode sair a qualquer momento.

O Bilbao tem medo e sabe que o Messi do País Basco, com contrato até 2012, não cabe no San Mamés. Real Madrid e Barcelona o observam desde antes de o garoto bater na porta do Athletic. Mas é o Liverpool quem está na frente. O time de Rafa Benítez deve fazer uma proposta milionária em janeiro.

A imprensa britânica o considera o Wayne Rooney da Espanha. O inglês, em 2002, então com 16 anos, tornou-se o mais jovem a marcar um gol pela Premier League.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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