Holanda: Futebol Total na Eurocopa

Na primeira partida, contra a Itália, houve quem responsabilizasse a modorra italiana pela devastação holandesa. Contudo, depois da partida de hoje, em Berna, contra a França, não dá para não parar para elogiar uma Holanda que parece não ter como ser batida.

Aliando velocidade, marcação asfixiante, técnica e disposição, a ‘Oranje’ triturou nada mais nada menos que o campeão e o vice-campeão mundiais. E não foi sorte. A Holanda montada pro Marco van Basten surpreendeu céticos como eu que achavam que era um time que só tinha técnica mas com pouca capacidade para dominar um jogo.

Uma das explicações está numa das coisas que eu via exatamente como um problema da Holanda de van Basten: a improvisação. Exceções feitas a van der Sar e van Nistelrooy, todo o time titular que entrou em campo para chacinar a França joga ou jogou em posições diversas nas mãos de van Basten.

O exemplo mais claro está na defesa. Boulahrouz, Ooijer, Mathijsen e Van Bronckhorst são, originalmente, laterais. No rendimento da Holanda nos torneios antecedentes com van Basten, isso custou caro ao time, que freqüentemente carecia de nomes com cacoete de zagueiros. Mas o que se viu nas duas primeiras partidas da seleção na Euro 2008 foram defensores que combinavam a agilidade de laterais com a noção de posicionamento de zagueiros centrais.

Um outro exemplo? No segundo tempo, quando tirou Engelaar e Kuyt para colocar van Persie e Robben, deslocou van der Vaart para jogar diante da defesa. Todos os outros meio-campistas se alternavam na marcação para ajudar o armador do Hamburgo-ALE, que está longe de ser um marcador implacável.

Uma das maiores críticas que a Holanda de van Basten era que a ‘Oranje’ combinava uma marcação de atacantes com um ataque de defensores. Os jogadores pareciam desorientados e raramente conseguiam fazer a bola rolar com velocidade. Nos dois primeiros jogos, a Holanda passou dos 400 passes (cerca de 82% de acerto).

É difícil dizer o que fez o jogo holandês ‘encaixar’ de vez. Talvez o time finalmente tenha entendido o que o técnico queria; talvez van Basten tenha – depois de aposentar nomes come Seedorf e van Bommel – tido sucesso no processo de renovação; talvez simplesmente os jogadores estejam com vontade de jogar. O provável é que seja tudo isso combinado. Seja o que for, essa Holanda parece a Holanda, aquela que a gente imagina quando a menciona. E é, sem dúvida, a melhor seleção da Eurocopa até agora.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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