Hoffenheim: “novo rico” da Alemanha

Um clube com mais de cem anos de vida, sediado numa vila com cerca de 3 mil habitantes é uma das grandes surpresas do futebol europeu na temporada. Trata-se do Hoffenheim, da Alemanha, que há dois anos estava na terceira divisão e hoje briga pelas primeiras posições da Bundesliga.

O principal responsável pela ascensão meteórica do Hoffenheim é o empresário Dietmar Hopp, um dos homens mais ricos da Alemanha, com um patrimônio calculado em cerca de 6,3 bilhões de euros.

O início de tudo

O clube foi fundado em 1899 com o nome de Turnverein Hoffenheim. Em 1945, ele se uniu ao Fussballverein Hoffenheim, dando origem ao nome atual, TSG 1899 Hoffenheim. Sediado na vila de Hoffenheim, que pertence ao município de Sinsheim, no sul da Alemanha, o Hoffe, como é apelidado, era apenas mais um clube amador do país. Até 1989. Foi nesse ano que Dietmar Hopp começou a investir no clube. Á princípio, o empresário doou 10 mil marcos para que o clube comprasse uniformes e bolas. Na época, a equipe disputava a oitava divisão do Campeonato Alemão.

O crescimento

Mas foi no ano 2000 que o Hoffenheim começou a escalada rumo à elite do futebol alemão. Foi quando a equipe se classificou para a quarta divisão do país. No ano seguinte veio mais um acesso, fazendo com que o time chegasse à terceira divisão. O clube ganhou destaque nacional pela primeira vez na temporada 2003/2004, quando chegou nas semifinais da Copa da Alemanha.

No início da temporada 2006/2007, Hopp viu que era hora de alçar voos mais altos e iniciou um projeto para levar o clube à primeira divisão em cinco anos. Para isso contratou o treinador Ralf Rangnick, ex-Schalke-04, além de jogadores com experiência na Bundesliga, como o croata Tomislav Maric e Jochen Seitz, ex-Kaiserslautern.

O planejamento trouxe resultados melhores que os esperados e o clube conseguiu chegar à Bundesliga em apenas dois anos. Para isso, porém, houve mais uma “ajudinha” de Dietmar Hopp. Isso porque em meados da temporada 2007/2008 o Hoffenheim estava na zona intermediária da tabela na segunda divisão. Então, o empresário injetou mais 20 milhões de euros na equipe, dinheiro que serviu para contratar três importantes reforços: o brasileiro Carlos Eduardo, do Grêmio, além do senegalês Demba Ba e do nigeriano Chinedu Obasi.

Com os novos reforços, o time começou a subir na classificação e acabou o campeonato em segundo lugar, conquistando o acesso para a divisão principal da Alemanha.

Sucesso na Bundesliga

Antes do início da atual temporada, que marcaria a estreia do Hoffenheim na Bundesliga, era consenso no clube que terminar o campeonato entre os dez primeiros colocados já seria considerado um bom resultado. Mas o desempenho do time treinado por Ralf Rangnick no primeiro turno foi impressionante. O Hoffenheim acabou a primeira metade da competição na liderança, com 35 pontos.

No início do segundo turno, porém, a equipe caiu de rendimento, muito em função da contusão do atacante bósnio Vedad Ibisevic, então artilheiro da Bundesliga com 18 gols. Hoje, o Hoffenheim ocupa a quinta colocação, com 43 pontos ganhos. A equipe tem grandes chances de conseguir, pelo menos, uma vaga para a próxima Copa Uefa, o que já seria um grande resultado. Mas ainda é possível sonhar com uma classificação para a Liga dos Campeões da Europa e, quem sabe, até com o título.

Não dá para afirmar que o Hoffenheim conseguirá se manter no topo por muitos anos. Times sem tradição e nem torcida que conseguem ascensões meteóricas são sempre uma incógnita. Mas uma vantagem do clube alemão é que lá existe um planejamento. Ao contrário da maioria dos clubes bancados por milionários, que logo que chegam costumam fazer contratações astronômicas, o Hoffenheim aposta em montar uma estrutura. Prova disso foi a construção do novo estádio do clube, a moderna Rhein-Neckar Arena, inaugurada no começo do ano e com capacidade para 30 mil espectadores. A obra custou cerca de 60 milhões de euros.

Além disso, ao invés de contratar atletas consagrados, o Hoffenheim aposta em jogadores jovens com grande potencial de venda no futuro. Com esses ingredientes, o pequeno clube do sul da Alemanha tem tudo para continuar incomodando os grandes do país nos próximos anos. Isso, é claro, enquanto Dietmar Hopp e sua fortuna continuarem por lá.

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Equipe Trivela

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