Hagi: O “Maradona dos Cárpatos”
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Pergunte a alguém que tenha assistido à Copa do Mundo de 1994 sobre qual lembrança guarda da seleção da Romênia. A resposta, muito provavelmente, atenderá pelo nome de Gheorghe Hagi. O habilidoso meia esquerda desfilou seu talento pelos gramados norte-americanos, ajudou a eliminar a Argentina e foi incluído pela Fifa na seleção do Mundial. É considerado o melhor jogador da Romênia em todos os tempos.
Hoje, Hagi é técnico de futebol. Estreou dia 24 no Galatasaray, justamente no maior clássico do futebol turco: 0 a 0 com o Fenerbahçe, na casa do adversário. E foi exatamente no Galatasaray que o romeno viveu seus melhores dias, tanto como jogador de clube quanto como treinador – ele já havia passado por lá anteriormente.
A vida profissional de Hagi pode ser dividida em antes e depois da Copa de 94. Embora com a carreira iniciada em 1982 e tendo disputado o Mundial de 90, na Itália (quando a Romênia foi eliminada nas oitavas de final, perdendo para a Irlanda nos pênaltis), foi na Copa dos Estados Unidos que ele definitivamente apareceu para o mundo. Ali, comandou sua seleção na melhor campanha da história do país num Mundial, caindo somente nas quartas de final, diante da Suécia, também na decisão por pênaltis.
Apelidado de “Maradona dos Cárpatos”, numa referência à região onde nasceu, ele foi decisivo no jogo das oitavas de final, a vitória da Romênia sobre a Argentina por 3 a 2. Àquela altura, os hermanos já jogavam sem o Maradona original, flagrado no exame antidoping.
Em 1994, Hagi era jogador do modesto Brescia, da Itália, time com o qual havia sido rebaixado para a Série B e depois promovido novamente à divisão de elite. Sua transferência ao clube italiano ocorrera dois anos antes, após fraca passagem pelo Real Madrid.
Sua carreira começou no Farul Constanta, da Romênia. No país, ele defendeu ainda o Sportul Studenstesc, onde foi artilheiro do campeonato nacional em duas temporadas seguidas: 84/85 e 85/86. Na segunda, marcou 31 gols em 31 jogos. Negociado com o Steaua Bucarest, ganhou seu primeiro título: a Supercopa Europeia de 1986. Foi, ainda, quatro vezes campeão romeno.
As boas atuações renderam ao então jovem jogador a chance de atuar pelo milionário Real Madrid. Mas o desempenho em gramados espanhóis não agradou. O máximo que ele conseguiu foi anotar 12 gols e ser o quinto artilheiro da Liga em 1991/92. Veio então a transferência para o pequeno Brescia, o rebaixamento e o acesso no Campeonato Italiano.
Com a excelente participação na Copa do Mundo, porém, nova chance se abriu no futebol espanhol, dessa vez no Barcelona. E novamente o futebol de Hagi, atrapalhado por seguidas lesões, não esteve à altura do que imaginavam cartolas e torcedores. Assim como em Madrid, a passagem pela Catalunha durou dois anos e reserva poucas lembranças positivas.
Mas a redenção viria com a ida para a Turquia, onde defendeu o Galatasaray por cinco temporadas consecutivas. Hagi colecionou títulos e tornou-se ídolo. Foi tetracampeão nacional e ainda levantou uma Taça da Turquia, uma Copa da Uefa (batendo o Arsenal numa emocionante decisão por pênaltis) e uma Supertaça Europeia.
Enquanto esteve em gramados turcos, ainda jogou mais uma Copa do Mundo, a de 1998, na França (a Romênia caiu nas oitavas). Aliás, ele é o jogador que mais vestiu a camisa da seleção do país. Foram 125 jogos (12 deles em Copas do Mundo) e 35 gols (3 em Mundiais).
Carreira como técnico
Hagi encerrou a carreira com 36 anos, ao final da temporada 2000/2001. Passou, então, a trabalhar como técnico de futebol. De imediato, já encarou um desafio e tanto: dirigir a seleção romena, que buscava uma vaga na Copa do Mundo de 2002. Porém, a vaga não veio – e o emprego foi embora.
Em 2003, voltou à Turquia, desta vez para treinar o Bursaspor. Mas, novamente, fracassou. Quis o destino, então, que a volta por cima fosse dada, de novo, no Galatasaray. O time foi levado pelo agora técnico Hagi ao título da Copa da Turquia em 2005. A final não poderia ser melhor: goleada de 5 a 1 sobre o Fenerbahçe.
Hagi ainda busca se firmar como treinador de futebol. Entre sair e voltar do Galatasaray, teve fracas passagens na Romênia por Timisoara e Steaua Bucarest e na Escócia pelo Inverness, além de ter atuado também como descobridor de novos talentos.
Nesse meio-tempo, foi nomeado, em 2008, Embaixador da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
A esperança dos torcedores do Galatasaray é que agora, aos 45 anos, Hagi consiga proporcionar do banco de reservas as mesmas alegrias que causou quando atuava dentro de campo. História e identificação com o clube, pelo menos, ele têm de sobra.