Guiné: Os Elefantes da Nação
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Por Rafael Duarte
As eliminatórias para a próxima Copa das Nações Africanas (CAN), que será realizada em 2012 com sede dividida entre Gabão e Guiné-Bissau, já tiveram início em Junho, mas somente agora, com o fim da Copa do Mundo para as principais seleções do continente, que a competição realmente começa a pegar fogo. E as grandes potências africanas não tiveram vida fácil neste início de caminhada, onde pudemos ver algumas zebras, como a derrota da Nigéria contra a modesta seleção da Guiné.
A República da Guiné, também chamada de Guiné-Conacri para evitar confusão com sua vizinha Guiné-Bissau, é uma nação africana de aproximadamente dez milhões de habitantes, que vem sofrendo grandes transformações ultimamente. Em julho deste ano, após 54 anos de seguidas ditaduras militares, a população finalmente teve a chance de escolher democraticamente seu presidente. Mas parece que não é somente na esfera política que as coisas estão melhorando para os guineanos.
A seleção de futebol da Guiné, conhecidos como “os elefantes da nação” (Sily Nationale) é uma das que mais cresce no continente africano, tendo conseguido uma ascensão de vinte e uma posições no ranking da FIFA, ocupando a 81ª posição total, e se firmando como a 18ª força do futebol africano. Grande parte deste sucesso recente dos sily vem de um velho conhecido da nação, o técnico francês Michel Dussuyer, que foi o responsável pela organização do futebol nacional em sua primeira passagem pela seleção, entre 2002 e 2004.
História nova, velho conhecido
Na Copa das Nações Africanas de 2004, Michel conduziu a seleção guineana até as quartas de final, posição que os elefantes não alcançavam desde 1976, quando foram vice-campeões, ficando apenas um ponto atrás do Marrocos na fase final, mesmo tendo terminado a competição de maneira invicta, com três vitórias e três empates. Após a saída de Dussuyer, a seleção conseguiu manter os bons resultados, conseguindo novamente alcançar a mesma fase na CAN seguinte. Após isso, a seleção sequer conseguiu a classificação para a Copa das nações africanas de 2010, que teve sede em Angola.
Desconhecido para o resto do mundo, o ex-goleiro francês Michel Dussuyer goza de grande fama no continente africano, onde além da primeira passagem como técnico da seleção guineana teve grande participação na classificação da Costa do Marfim para a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha, como treinador adjunto do também francês Henri Michel. Além disso, Dussuyer foi o técnico da modestíssima seleção de Benin na classificação e participação do país na Copa das Nações Africanas de 2010.
Em seu retorno ao comando da seleção, Michel Dussuyer ainda está invicto, tendo conseguido três vitórias, contra Etiópia, Mali e Nigéria.
O grande passo
A vitória contra a fragilizada Nigéria no último dia 10 pode ter sido um passo gigantesco na caminhada para a classificação para a próxima fase das eliminatórias da CAN 2012, já que apenas a líder da cada grupo classifica-se para a fase seguinte.
Se na Copa das Nações a seleção da Guiné nunca conseguiu um título, e nunca chegou sequer próximo de uma classificação para a Copa do Mundo, na Taça Amilcar Cabral, campeonato disputado pelas seleções africanas, é pentacampeã, com títulos em 1981, 1982, 1987, 1988 e 2005, ficando apenas atrás de Senegal, que tem oito títulos.