Goleiros – Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1

Espaaaaallmmmma Rogéééérioooo! Deeefendeeeeeu Ronaaaaaldddddo! Sai que é tuuua Taffarel! Quantas vezes bordões como esses não ecoaram pelo mundo afora? Os três nomes citados na abertura deste texto são de ícones brasileiros na arte de “agarrar”, que ficaram, ou vão ficar, eternizados na memória daqueles apaixonados pelo esporte bretão. Só que, os três homens da chamada, são considerados heróis naquilo que fazem, porém, estão sindicalizados numa profissão árdua. Considerada por muitos a mais injusta entre todas.

O jornalista Paulo Guilherme é um dos tais, que compartilham dessa idéia. Paulo é o autor do livro “Goleiros – Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1”, escrito no começo deste ano tendo como gancho a Copa do Mundo. Uma obra recheada com histórias dos mitos do “uniforme diferente”, estes que foram os últimos personagens a serem inseridos na “fábula” chamada futebol. Até o juiz apareceu no gramado antes dos goleiros.

Para o autor, nenhuma profissão sofre ou sofreu tantas modificações a fim de prejudicá-la como o mister de goleiro. Toda mudança feita ao longo da história do esporte, trazido ao Brasil por Charles Miller, visa a facilitar a vida dos fazedores de tentos e dificultar o trabalho do “Anjo-da-trave”.

Ah, os jogos estão com muitos zero-a-zero? Não pode. Vamos então modificar a Lei do Impedimento. Se não der certo, não vamos permitir o goleiro pegar com as mãos o recuo de bola. Ele não poderá ficar mais muito tempo com ela nas mãos, dessa forma, os gols sairão mais facilmente. Enfim, pra quê facilitar a vida dos arqueiros se “nós” podemos prejudicá-la?

“Goleiros”, em suas 285 páginas, permite ao leitor viajar na máquina do tempo do futebol, o levando a se espantar com o desconhecido. Ou alguém que acompanha fielmente o esporte mais praticado no mundo, o “rato de Mesas-Redondas”, que não vai para debaixo do lençol, no domingo à noite, sem antes “zapear” pelos inúmeros programas de debates pós-jogos, não se espantaria ao ficar sabendo que, nos primórdios da camisa 1, praticamente não existia falta sobre o goleiro? Ou que ele surgiu como um filho bastardo do rúgbi, pela permissão de somente ele, o goalkeeper, pegar a pelota com as mãos?

O futebol brasileiro ficou acostumado a exaltar os feitos de seus ídolos da linha. Pelé, Garrincha, Didi, Friedenreich, Leônidas, Zico, Sócrates e Romário, são alguns dos mitos cultuados pela história e eternizados pelas suas peripécias, ginga, alegria na busca do gol que lhes fizeram grandes. Entretanto, o primeiro ídolo que o Brasil teve dentro dos gramados não jogava com os pés.

Marcos Carneiro de Mendonça foi o primeiro “monstro” da seleção canarinho, atuando embaixo das traves. Marcos era um goleiro que se destacava por sua inteligência. Gostava de fazer do futebol uma ciência exata. Antes de fechar a meta nos jogos de seu time, Marcos fazia um esboço dos três postes, no qual desenhava estratégias de defesa, baseadas em horas de estudo em geometria, matemática e física. Com sua soberania e inteligência, muito à frente dos demais companheiros, Marcos Carneiro de Mendonça ajudou a Seleção Brasileira a conquistar a Copa Roca, em 1914, contra o seu maior rival, a Argentina.

O livro reúne a evolução da profissão de goleiro e do futebol em si. Traz ainda causos e depoimentos de vários goleiros que fizeram, com a sua técnica, estádios inteiros emudecerem como Félix, Leão, Barbosa, Gilmar dos Santos Neves, Waldir Peres, Oberdan Catani, Ronaldo, Rogério Ceni, Dida, Roberto Gomes Pedrosa, Carlos, entre outros.

Enfim, “Goleiros, Heróis e Anti-Heróis da Camisa 1” é uma boa pedida para aqueles que se sensibilizam com as desgraças, principalmente com os frangos tomados, daqueles jogadores que em tudo se diferem dos demais 20 atletas que estão em campo correndo atrás da esfera.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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