Ginga – A Alma do Futebol Brasileiro

Ginga é um filme feito com todo o cuidado para irritar quem gosta de futebol como a gente aqui na Trivela gosta. A começar pela trilha sonora, com aqueles sambões tipo “dance music” de americano, passando por todos os clichês sobre futebol e sobre pobreza no Brasil.

Tudo bem, vamos escancarar aqui o preconceito inicial: um filme produzido por uma empresa de material esportivo tem tudo para ser um comercial de 80 minutos. Sendo uma empresa que tem como lemas o “joga bonito” e a proposta do esquema “1-1-8”… talvez a Trivela devesse mesmo ter passado longe.

O negócio é que o primeiro preconceito não se confirma. Ginga não tem especial ânfase à marca de seu patrocinador, e não esconde outras marcas. O resto, no entanto, é tudo que se poderia esperar.

Começando pelo jogador que faz 22 peneiras no Flamengo e não passa, mas na 23ª, justamente com a produção do filme – que é patrocinado pela mesma empresa de material esportivo que patrocina o Flamengo – o menino passa. E é lá no Flamengo que a gente começa a ver qual é a do filme.

“No Flamengo, o que importa é a técnica”, diz o responsável pela peneira, que não devia estar lá quando foi revelada a última geração de “craques” do Mengão. Minutos depois, o responsável pela da Portuguesa diz: “Futebol hoje é 70% físico. Se o jogador é miúdo, hoje em dia, tem que ser um gênio”. A realidade fala por si só. Conta-se nos dedos de uma mão os “malabaristas” miudinhos que chegaram a algum lugar no futebol.

O que irrita mais, no entanto, em Ginga, é a recorrência dos clichês. A começar pelo do binômio futebol-samba. As cenas de “comunidades pobres” também não faltam, naquele velho esquema “especial de fim de ano” da Globo.

No pedaço do filme dedicado a Falcão, o do futsal, sintetiza-se a mensagem. “Sempre fugi do futebol de campo”, diz o atleta que tentou três vezes, sem sucesso, mudar de superfície. “Robinho e Ronaldinho gaúcho jogam bonito o tempo todo”, completa, mostrando que nem ele nem o filme entenderam nada. É o seguinte: Ronaldinho gaúcho joga bonito algumas vezes, Na maior parte do tempo ele joga eficiente. Dá bicuda, dá porrada, tira o zagueiro da frente na base da força… não tem nada a ver com samba, nada a ver com capoeira. Tem a ver, acima de tudo, com disciplina e treino.

Cinematograficamente, no entanto, o que torna o filme ruim é que ele não é um filme, é uma colagem de clips com músicas “bacaninhas” e cenas de futebol pop: um capoeirista que, supostamente, quer ser jogador de futebol profissional; uma dupla de futevôlei; um jogador que joga, e bem, de muletas porque não tem uma perna.

Podia ser interessante, já que algumas das histórias são, mas pela superficialidade no tratamento de cada uma, Ginga é chato. Chega uma hora que enche o saco ver drible. Sem gol. Sem jogo.

Bonito, mas sem substância.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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