Gato Fernández: segurança na meta paraguaia

Por André Salvagno
Roberto Eladio Fernández Roa, eternizado como Gato Fernández por suas fantásticas defesas e atuações memoráveis, foi um goleiro que marcou época no futebol sul-americano e, principalmente, no Paraguai, seu país de origem.
Sua carreira teve início no modesto River Plate, de Assunção, mas o seu talento logo o levou à Europa, onde atuou pelo Espanyol, da Espanha, e apresentou o portifólio de defesas inacreditáveis que o levaram à seleção paraguaia.
Ao longo de sua trajetória como atleta profissional, ele atuou também no Deportivo Cali, da Colômbia, no Cerro Porteño, do Paraguai, bem como nos brasileiros Internacional e Palmeiras.
O apelido
Atuando na Espanha, o goleiro conhecido até então apenas como Fernández, recebeu a alcunha de Gato. A agilidade debaixo da trave e as defesas impressionantes fizeram com que a imprensa de Barcelona comparasse o arqueiro a um felino.
Dizem que no início ele não gostou do apelido. Mas, como acontece quase sempre, apelido que pega é justamente o que o apelidado não gosta. Coube a Fernandez aceitar e ser eternizado como um dos grandes goleiros sul-americanos da história.
Com a Albirroja
Foram 78 partidas disputadas com a camisa da seleção paraguaia, marca que perdurou por muitos anos como recorde, mas já foi quebrada.
O goleirão jogou a Copa América de 1979, a última conquistada pelo Paraguai. Não só jogou, mas foi um dos principais responsáveis pelo título, ao lado de Romerito e Cabañas.
Em 1986, contra o Chile, na repescagem para a Copa do Mundo do México, Gato Fernández foi buscar um pênalti cobrado por Jorge Aravena e foi fundamental para a classificação dos paraguaios.
No mundial, defendeu uma penalidade cobrada por Hugo Sánchez, craque da seleção anfitriã, em um estádio Azteca abarrotado de mexicanos fanáticos. Garantindo o 1 a 1 no placar, Gato Fernández assegurou o seu país na segunda fase da competição.
Três anos mais tarde, realizou sua última partida oficial com a camisa da Albirroja. Foi contra o Equador, valendo pontos para a classificação para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos.
No futebol brasileiro
Foram duas passagens pelo futebol brasileiro: pelo Internacional, onde teve grande destaque, e pelo Palmeiras, no que pode ser considerada uma passagem relâmpago, mas, de certa forma, vitoriosa.
Em 1992, já com 38 anos, jogando pelo Colorado, o goleiro paraguaio foi o principal responsável pela conquista da Copa do Brasil. Ele defendeu vários pênaltis ao longo da competição e foi decisivo na semifinal contra o Palmeiras e na final contra o Fluminense.
Apesar da idade avançada, em 1994 foi contratado por empréstimo pelo Verdão, que buscava alternativas por conta da contusão de Velloso e da má fase de Sérgio. Em uma partida contra o Boca Juniors, na Libertadores daquele ano, ele ganhou a posição de titular, condição em que sagrou-se campeão paulista, comemorando o bi-estadual do Palmeiras.
Contudo, na Copa do Brasil do mesmo ano Gato Fernández falhou e foi apontado como o maior responsável pela surpreendente eliminação do Alviverde diante do Ceará. Com isso, assim que Velloso se recuperou, o paraguaio foi devolvido ao Internacional.
Pós-carreira
Após a passagem pelo Brasil, o veterano goleiro retornou ao Cerro Porteño, onde passou a batuta para Aldo Bobadilla e pendurou as luvas em 1997, com 43 anos. Hoje, atua como representante de seu filho, Roberto Junior Fernandez, que também é goleiro.



