Gaël Kakuta: o culpado
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É fácil de entender os motivos que levaram ao Chelsea a arrancar Gaël Kakuta do Lens, da França. Na época o clube inglês era dirigido por José Mourinho. Ainda longe do desgaste com os jogadores e direção, o técnico fazia planos para o futuro. E resolver arriscar. Um, em especial, se desse certo seria um golaço.
E deu. Representantes dos Blues aterrissaram em Lens, na França,em julho de 2007. O alvo: um meia de 16 anos da base do time que leva o nome da cidade. Rápido, veloz e dono de uma habilidade suficiente para desconsertar qualquer marcador.
O Chelsea não aceitou muita negociação. Tinha pressa em levar o garoto para Londres e medo de que outro grande o contratasse. Propôs ao jogador e à família um salário de 5 mil libras por semana. Todo mundo aceitou. Menos o Lens, o marido traído. O último a saber da história.
Deslumbrado, Kakuta foi forçado a quebrar o contrato para se ver livre e tomar o avião e voar para a Inglaterra. O Chelsea pagou 500 mil libras pela contratação, enquanto os franceses, imponentes, viram sua maior promessa, aquela que encheria os cofres com milhões de euros num futuro próximo, se mandar. Prometeram revidar e apelar na Fifa. Mourinho e companhia deram de ombros.
Apadrinhado por Lampard e Ballack
O Lens acionava advogados e Kakuta arrebentava entre os juvenis do novo time e nas seleções sub-17 e sub-19 da França. Atuações que lhe deram os prêmios de melhor jogador jovem da Inglaterra, do Chelsea, e craque do Europeu Sub-17, em 2008.
Jogando pela esquerda, o craque roubado de 1,73m fazia, literalmente, o que queria. Driblava quem e como quisesse. Bom chute, bom passe e como qualquer adolescente, não gosta de tocar a bola. Prefere resolver tudo sozinho. E muitas vezes consegue.
Tudo parecia dar certo. Frank Lampard e Michael Ballack foram à imprensa avisar que, em breve, dividiriam o vestiário, com uma pérola. Mourinho, o mentor, foi embora sem poder dar-lhe uma chance. Agora, com Carlo Ancelotti, a tal oportunidade viria.
O técnico havia declarado que utilizaria Kakuta, hoje com 18 anos. O integraria ao grupo principal e inclusive pensava em inscrevê-lo para a Liga dos Campeões. Seria um presentaço para o meia, que está em fase final de recuperação de uma dupla fratura na perna esquerda, em janeiro.
Seria. Mais de dois anos depois, a Fifa atendeu ao Lens e puniu Chelsea e Kakuta. O primeiro está impedido de contratar até janeiro de 2011, além de pagar uma multa de quase 3 milhões de reais, e o segundo não pode jogar pelos quatro meses. Vai estrear, portanto, somente em janeiro. E terá tempo para jogar na Premier League e, provavelmente, na Liga dos Campeões.
Criando confusão desde pequeno
O tempo parado não significa inatividade total. Continuará treinando para, finalmente, jogar num estádio lotado. Sonha com os clássicos contra Arsenal, Manchester e Liverpool Imagina-se entortando os adversários, passando para Lampard ou recebendo de Ballack e fuzilando o goleiro.
É assim que Kakuta, fã de Steven Gerrard, trata o futebol. Uma brincadeira. Desde criança julga ser o maestro do time, o centro das atenções. Sempre (é verdade que os jogos nunca valeram nada) pedindo a bola e indo para o ataque, não sem antes humilhar o marcador.
Chegou nas escolinhas do Lens aos 10 anos, em 2001. O principal incentivador foi seu tio, jogador amador do Lille. O sobrinho gostou da ideia de ser famoso e rico fazendo o que mais gostava. Mas acabou no Lens, abrindo uma crise familiar. Pais e parentes torciam pelo rival.
Os técnicos dos juniores e juvenis perceberam que tinham em mãos um verdadeiro talento. Esconderam Kakuta até quando foi possível. Mas a Federação Francesa de Futebol exigiu o menino nas seleções. E então, o Chelsea viu.
Viu, gostou e levou a joia do Lens para Stamford Bridge. Montou um apartamento para a família Kakuta na zona norte de Londres, onde ele vive com a mãe e com a irmã.