Futebol Mundial de Clubes

Quem nunca imaginou um Campeonato Mundial Interclubes disputado com os 20 melhores times do planeta? Muita gente, com certeza, ao menos vislumbrou uma utopia dessas. O delegado paranaense Maurício Todeschini foi além. Ele não só imaginou como colocou no papel e publicou uma proposta de Campeonato Mundial. Futebol mundial de clubes: passado, presente e futuro, da All Print editora e com 196 páginas, não é um livro novo – foi publicado em 2006 – mas diante da consolidação do Mundial Interclubes da FIFA e da globalização das grandes ligas européias a obra se torna interessante para entendermos a lógica proposta pelo autor.
O livro propõe um campeonato mundial de clubes dividido em três divisões: gold, silver e bronze, sendo que apenas a gold contaria com 20 agremiações. Com muita explicação sobre com seria viável a realização desses campeonatos, a obra não necessariamente é clara. O autor se baseia primordialmente na hegemonia de poucos clubes nas mais diversas ligas nacionais espalhadas pelo planeta.
Um dos pontos altos do livro é a apanhado histórico dos principais torneios internacionais do mundo, com explicação acerca da criação e tabela com todos os campeões, junto com escudos de mais de 300 equipes de todas as partes do mundo.
Mas é a proposta de campeonato que mais chama a atenção. Os critérios determinados pelo autor são plausíveis, mas as extensas argumentações sobre formato e horários das partidas podem levar o leitor a pensar que esse livro é uma grande balela. A começar pela proposta do campeonato ser realizado no primeiro semestre do ano e as partidas terem início às 17h30 do horário local. Lembremos que nos primeiros meses do ano é inverno no hemisfério norte e que o horário de disputa das partidas, às 17h30, seria cruel com os atletas. Mas até aí, dos males, o menor.
Sobre a segunda e terceira divisões (silver e bronze), o regulamento pode parecer um pouco confuso, justamente por não ser igual ao da primeira divisão (gold). Na Silver Cup participarão 60 clubes, de todos os continentes. Na Bronze Championship serão, aproximadamente, 600 clubes! É interessante também frisar que o autor não propõe o fim dos campeonatos nacionais ou dos outros torneios internacionais importantes, com a Champions League ou a Libertadores da América, e, sim, a inclusão de mais um campeonato e a abreviação dos campeonatos nacionais, que sob a ótica da globalização, são disputas regionais e, portanto, menos interessantes, principalmente do ponto de vista comercial.
O livro vale a pena ser lido se você se interessa em saber como poderia ser, de fato, um campeonato mundial de clubes e também para você colocar em xeque muitas das propostas levantadas pela obra, o que, no mínimo, dá uma ótima discussão de bar, em várias etapas, é claro.



