França: entre fracassos e glórias
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2023%2F04%2FTrivela-Imagem-Padrao.jpg)
A França é uma seleção com tradição, mas demorou a ter uma camisa que, de fato, fosse pesada. A seleção francesa teve ótimos momentos na sua história e tem história nas Copas do Mundo. São 12 participações no total e em 2010 completará sua quarta Copa consecutiva. Como curiosidade, a França não esteve em três dos cinco títulos da Seleção Brasileira: 1950, 1970 e 1994.
Brilho intermitente
A França sofre com uma sina de ser uma seleção que brilha em algumas Copas, e some em outras – às vezes sem sequer ter alcançado o Mundial. Participou da primeira Copa do Mundo, no Uruguai, quando não passou da primeira fase. Depois, em 1938, quando sediou o Mundial, chegou até as quartas de final – perdeu para a Itália, que viria a ser a campeã.
Em 1958, a França fez uma campanha excelente e foi jogo a jogo conquistando o status de candidata ao título. Não foi à toa. Na primeira fase, fez 7 a 3 no Paraguai, perdeu por 3 a 2 para a Iugoslávia e 2 a 1 na Escócia. Na fase eliminatória, nas quartas de final, venceu a Irlanda do Norte por 4 a 0. Acabou derrotada pelo time do Brasil que seria campeã mundial naquela Copa, mas ainda conseguiu o 3º lugar ao derrotar a Alemanha Ocidental por sonoros 6 a 3, com quatro gols do artilheiro do Copa, Just Fontaine, com 13 gols.
Os anos 60 e 70 não foram bons para a equipe, que só conseguiu um bom resultado em 1960, na primeira Eurocopa da história: chegou às semifinais e terminou em quarto lugar. Participação única, porque só voltaria a estar de novo na competição de seleções da Europa em 1984. Em 1962, sequer conseguiu a classificação para o Mundial. Viu a Copa do Chile pela televisão. Em 1966 conseguiu chegar até a Copa, mas não passou da primeira fase. Nas duas Copas seguintes, ficou de fora: em 1970 e 1974. Terminaria a década sendo eliminada na primeira fase da Copa da Argentina, em 1978.
A vitoriosa década de 80
Se as duas décadas anteriores não foram de glórias, a década de 80 chegou com uma geração de grandes jogadores. O mais importante deles é Michel Platini, que participou da seleção desde 1978 – ano que foi à Copa como reserva. Em 1982, a França fez boa campanha e conseguiu chegar até as semifinais, sendo derrotada pela Alemanha Ocidental nos pênaltis, depois de empate em 3 a 3 no tempo normal e na prorrogação. Acabou perdendo também a disputa do 3º lugar para a Polônia.
O ano de 1984 foi glorioso para Les Bleus. Venceu a medalha de ouro olímpica com uma vitória por 2 a 0 na final sobre o Brasil, que tinha no elenco o goleiro Gilmar RInaldi, o zagueiro Mauro Galvão e o meio-campista e atual técnico da seleção brasileira Dunga.
No mesmo ano, jogou a Eurocopa como país-sede e não decepcionou a torcida. Ganhou as três partidas da primeira fase, antes de passar por Portugal na semifinal na prorrogação. Chegou à final contra a Espanha e conseguiu vencer por 2 a 0 no Parc des Princes, em Paris, e levantar a taça. Ainda viu o craque do time, Platini, levar o troféu de artilheiro, com nove gols na competição.
A Copa de 1986 foi marcante também para a seleção de Platini. No elenco daquela seleção francesa, outro nome se destacava: o atacante Jean-Pierre Papin. Classificou-se em 2º lugar no grupo da União Soviética e chegou às oitavas de final para eliminar a Itália. Nas quartas, passou pelo Brasil nos pênaltis, mas cairia frente à Alemanha Ocidental na semifinal. Ficou com o 3º lugar com uma vitória sobre a Bélgica por 4 a 2.
Período de sombra
Nas duas Copas seguintes, a França ficou no ostracismo. A equipe sequer classificou para as Copas de 90, na Itália, e 94, nos EUA. Em Eurocopas, a mesma irregularida: não classificou para a edição de 88 e ficou na primeira fase em 92.
Apenas em 96 voltou a figurar em uma fase decisiva, ao alcançar as semifinais. O time já tinha Zidane com a camisa 10, na época com 23 anos e jogador do Bordeaux. Depois de passar pela primeira fase, venceu a Holanda nos pênaltis depois de um 0 a 0, mesmo placar da semifinal contra a República Tcheca, mas dessa vez foram os tchecos que levaram nos pênaltis. Acabou em 4º lugar.
Entrada no grupo dos grandes
Veio a Copa do Mundo em casa e a França mostrou que não estava à toa no torneio. Venceu os três primeiros jogos na fase de classificação e bateu o Paraguai no gol de ouro nas oitavas. Venceu a Itália nos pênaltis, bateu a Croácia nas semifinais e ganhou o título sobre o Brasil, em um 3 a 0 irretocável. Entrou para a seleta galeria de campeões mundiais.
Em 2000, voltou a mostrar sua força com o título da Eurocopa sobre a forte Itália e coroou seu posto de grande do futebol mundial. Ainda teve o título da Copa das Confederações de 2001 derrotando, novamente, o Brasil nas semifinais. Em 2003, repetiu o título, desta vez em casa.
Por isso tudo, chegou à Copa de 2002 como favorita ao título. Mas, com Zidane contundido e futebol sofrível, foi eliminado com duas derrotas e um empate, ficando em último no seu grupo. Em 2004, nova decepção na Eurocopa, ao ser eliminada pela Grécia – que acabou surpreendendo e levando o título.
Chegou à Copa de 2006 na Alemanha desacreditada e com um time envelhecido. Classificou-se com dificuldades, depois de empates com Suíça e Coreia do Sul e vitória sobre Togo. Enfrentou a forte Espanha nas oitavas, que fazia campanha irrepreensível até aquele momento. Com muita autoridade, venceu por 3 a 1 de virada e encorpou. Engoliu o Brasil nas quartas de final, ao ganhar de 1 a 0, mas com futebol de impressionar. Venceu a semifinal contra Portugal e decidiu o título contra a Itália. Depois do episódio Marco Materazzi-Zidane e um empate por 1 a 1, perdeu o título nos pênaltis.
Já sem Zidane, deu vexame na Eurocopa de 2008, ao empatar um jogo e perder outros dois – contra dois adversários fortes, Holanda e Itália – e ficar fora já na primeira fase. Sofreu para conseguir a vaga na Copa de 2010, depois de ficar em segundo no seu grupo nas Eliminatórias Europeias e ganhar a repescagem contra a Irlanda com um gol irregular, da famosa mão de Henry.
Pedra no sapato do Brasil
A relação entre Brasil e França em Copas é favorável aos franceses. No total, são quatro partidas, com uma vitória para o Brasil, um empate e duas derrotas. A única vitória veio na semifinal de 1958, quando a seleção de Pelé e Garrincha enfrentou o time do artilheiro daquela edição do Mundial, o atacante Just Fontaine.
No confronto entre o artilheiro e o gênio da camisa 10 brasileira, deu Pelé: foram três gols na partida e uma vitória espetacular do time brasileiro, que acabou vencendo por 5 a 2. Fontaine marcou, mas não foi suficiente para conseguir avançar.
Depois disso, as equipes se encontrariam de novo somente na Copa de 1986, no México. Na época, o confronto tinha dois dos maiores craques da história vestindo a camisa dez dos dois lados. No Brasil, Zico, que já fazia sucesso no futebol italiano na época, e outro que era sucesso na Serie A, Michel Platini. Os dois, por sinal, protagonizaram o confronto.
Depois de abrir o placar com o atacante Careca, o Brasil sofreu o gol de empate justamente pelos pés de Platini. Zico, que foi àquela Copa com problemas físicos e jogava no sacrifício, teve a chance de marcar de pênalti, mas perdeu a cobrança. O 1 a 1 levou o jogo para a prorrogação, mas o empate permaneceu. Nos pênaltis, Zico marcou e Platini perdeu. Mas o francês foi o único do seu time a errar, enquanto Sócrates e o zagueiro Júlio César perderam para o Brasil e a França se classificou.
Em 1998, a França enfrentou o Brasil na final, depois de uma campanha excelente: três vitórias na primeira fase, uma vitória no sufoco contra a forte defesa paraguaia nas oitavas com um gol de ouro, vitória nos pênaltis contra a gigante Itália, vitória de virada sobre a Croácia e um atropelamento na final contra o Brasil. Zinedine Zidane marcou dois gols e deu o título à sua seleção.
Zidane seria protagonista de novo contra o Brasil em 2006, já experiente, quando jogou sua melhor partida na Copa. O camisa dez francês deu aula de bola contra uma seleção que foi muito badalada antes do Mundial. Caiu com um gol de Thierry Henry, em cobrança de falta de Zidane.