Foi pouco, mas deve bastar

Não tive ânimo de esperar a coletiva de Ricardo Gomes após a derrota do São Paulo diante do Inter, mas se estivesse lá não tenho dúvida de qual seria minha pergunta: afinal, RG, por que é que você escala o Marlos? Se está claro que Dagoberto precisa de um técnico que lhe diga para jogar apenas o que sabe, com o que será melhor que a maioria dos jogadores que atuam no Brasil – o que hoje claramente não é -, Marlos precisa de um emprego que se encaixe em suas qualidades. Jogador de futebol não é um deles.
Claro, há mais a perguntar ao comandante tricolor. Por que, por exemplo, se ele só ganha quando joga no 3-5-2, insiste em tentar um 4-4-2 que não funciona. Por que deixou Fernandnao em campo até o final. Por que, afinal de contas, ele acha que é técnico de futebol. Entre outras coisas.
O São Paulo perdeu de pouco sabe-se lá por que. O Inter ou respeitou o Tricolor, ou achou que seria fácil também em São Paulo. Matou o time de Ricardo Gomes de maneira implacáel, e poderia ter feito cinco gols. Se o São Paulo foi diferente do ponto de vista da motivação, no que se refere à (des)organização tática nada mudou. O lado esquerdo do ataque Colorado apavorou Jean do primeiro ao último minuto de jogo. Todos os contra-ataques tricolores pararam ou em Marlos ou em alguma jogada de calcanhar de Dagoberto quando um passe poderia trazer perigo.
O fato imutável, porém, é que o resultado foi magro. O mesmo, por exemplo, que o São Paulo trouxe a Porto Alegre quando foi eliminado contra o Grêmio. Esse time do São Paulo não tem como reverter, e mesmo que tivesse empatado em 0 a 0 sairia eliminado. É, entretanto, um time com bons talentos individuais, e que ainda consegue se segurar atrás.
Por incrível que pareça, o São Paulo de Marlos não está morto. Para vencer, porém, vai precisar de um choque tático e de atitude. Um novo técnico, talvez?



