Fim da tradição

A rodada do último domingo do Campeonato Paraense decretou férias em 2011 para o tradicional Remo. O time perdeu por 2 a 0 para o Independente, está fora do Estadual e não tem mais chance de disputar a Série D do Brasileiro. Com este resultado, o time paraense está sem agenda até o final do ano e fecha suas as portas até o ano que vem. Como um clube com tamanha e apaixonada torcida ficará sem futebol em 2011, enquanto vemos na Série B, clubes de empresários levando apenas 54 pagantes em seus jogos?

É lógico que o Remo só chegou ao fundo do poço por culpa de seus dirigentes e de jogadores medíocres que jamais deveriam vestir camisa do clube, mas o ‘fim’ de times
tradicionais no futebol brasileiro me preocupa.

Na Série B de 2011, temos o Americana e o Grêmio Barueri. O primeiro era o Guaratinguetá até o ano passado e este ano, seduzido por incentivos do poder público, se mudou para Americana. Para quem não sabe, o Rio Branco é o time mais tradicional de Americana. Mas este ano, os empresários chegaram com dinheiro ‘derrubaram’ a história e empurraram goela abaixo da torcida local o Americana. Sem ajuda política (sou contra isso), o Rio Branco foi rebaixado para a terceira divisão do futebol paulista. O Americana não começou bem a Série B, mas terá a estréia de Dodô e sua diretoria não poupará esforços (financeiros) para trazer mais jogadores.

O Grêmio Barueri, já foi Barueri, mudou para Presidente Prudente e duas semanas antes de começar a Série B, a equipe, vendida a um grupo de empresários, retornou para Barueri. O valor do negócio não foi divulgado, mas chegaria a R$ 20 milhões. Na semana passada, contratou os atacantes Robson Ponte, ex-Bayern Leverkusen-ALE e que estava Urawa Red Diamonds-JAP e de Marcelinho, que pertence ao Corinthians e estava no Mirassol no Paulistão. Se precisar, sua diretoria vai ao mercado atrás de reforços.

Na primeira rodada, o Americana jogou em Sorocaba contra o Duque de Caxias (empate por 1 a 1) e apenas 54 pagantes compareceram ao estádio Décio Vitta – era uma punição ao ainda Guaratinguetá. Os dois times não tem identificação com suas cidades, não têm torcida, mas podem subir, como já ocorreu com o próprio Barueri, rebaixado ano passado na Série A.

Enquanto temos de engolir times ciganos como Barueri e Americana, teremos na Série C do Brasileiro, um Fortaleza, um América de Natal, um Paysandu e na Série D, um Santa Cruz e um Juventude. Tradição não ganha jogo, mas deixa o futebol mais bonito. Bem mais bonito do que com times ciganos.

Sinceridade

No empate por 1 a 1 com a Portuguesa, o técnico do Paraná Clube, Ricardo Pinto, reconheceu que errou ao deixar Thiago Santos em campo (já tinha amarelo) e não substituí-lo no intervalo. “Eu errei.”

Ricardo Pinto, ex-goleiro do Fluminense e Corinthians, começou a carreira agora, mas já deu exemplo. Reconheceu o erro e não ficou culpando o gramado, as fases da lua ou tentando desviar o foco para esconder o péssimo futebol de sua equipe. Com poucas palavras mostrou-se diferente de técnicos renomados do futebol brasileiro.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo