Fim da linha para o fujão?

Dentro de campo, Mário Fernandes é excelente. Bom na marcação, no apoio, lateral rápido, eficiente nos cruzamentos. Jogador promissor, tranquilo, pode evoluir como zagueiro também, embora tenha alguma deficiência na bola aérea. Fora dele, é problemático, para dizer o mínimo.

Em março de 2009, o zagueiro tinha acabado de ser negociado pelo São Caetano (onde foi vice-campeão paulista sub-20 em 2008, perdendo para o Santos, de Ganso, Neymar e André), e simplesmente desapareceu. Voltou alegando depressão, mas adiou em alguns meses a estreia nos profissionais. A reincidência agora talvez crave de vez o estigma de “fujão” na imagem do jogador. Para piorar as coisas, seu irmão Jô também protagonizou diversos sumiços do Corinthians, clube pelo qual atua nos juniores.

Os motivos que o fizeram tomar essa decisão são ainda desconhecidos. Reserva de Danilo no primeiro jogo, Mário pode ter ficado triste com essa situação, ou simplesmente ter tido um apagão mental do qual poderá se arrepender depois. Tem todo o direito de não querer defender a Seleção Brasileira, mas não o de largar o barco assim, na hora do embarque, sem dar chances para que o técnico tenha tempo de pensar em um substituto.

A situação é parecida com a de Arílson, ex-meia que fugiu da concentração às vesperas do jogo contra o Peru pelo Pré-Olímpico de 1996 e nunca mais teve chances, terminando a carreira como cigano da bola em equipes de menor porte. Casos diferentes de Serginho e Dida, que foram honestos e disseram “Não queremos mais”, ou o de Leandro, em 1986, que pediu para sair em solidariedade ao amiro Renato Gaúcho. Ou mesmo Romário, que brigou com Parreira e Zagallo por ficar na reserva de Careca em amistoso contra a Alemanha.

Quase todos jamais voltaram à Seleção. As exceções, Renato e Romário, eram atacantes, ídolos de seus clubes. Resolviam e tinham uma concorrência que não resolvia. Mario Fernandes atua numa posição na qual o Brasil é muito bem servido com Maicon, Daniel Alves, Rafinha, Rafael, Fábio e Danilo. Tudo isso, além do histórico recente de Mano Menezes com jogadores que cometem erros sob seu comando indica que o gremista saiu dos planos e não voltará tão cedo, mesmo que queira um dia.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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