Febre de Bola

Você tem uma namorada, mãe, irmão ou amigo que não consegue compreender o que é gostar de futebol? Você mesmo não consegue aceitar que pessoas supostamente civilizadas transformem-se em homens de Neanderthal durante a transmissão de um jogo ou uma final de campeonato, gritando, xingando, expelindo perdigotos com uma substancial mudança na feição facial?

Nesse caso, o livro ´´Febre de Bola´´, do autor best-seller inglês Nick Hornby, deve servir para tirar você ou quem quer que seja dessa dúvida sem resposta racional, ou seja, a razão que leva uma pessoa a doar-se tão incondicionalmente para um time de futebol que, na maioria das vezes, praticamente não retribui.

´´Febre´´ é um livro do começo da década de 90, mas isso não tem a menor importância. Seu texto continua tão atual como se tivesse sido escrito na tarde de ontem. Nas 248 páginas de texto, Hornby, um ex-professor de inglês ensandecido pelo time do Arsenal, narra como o futebol entrou em sua vida e como foi tomando cada vez mais espaço no modo como ele tomava suas decisões.

De início, a ida ao campo do Arsenal foi somente um subterfúgio de um pai separado para se aproximar do filho do primeiro casamento (o próprio autor), mas, com o passar dos anos, Hornby vai deixando tanto espaço em sua vida para seguir seu time (que não vencia nada na década de 70 – ao contrário do protagonista Arsenal de hoje) que a escolha de namoradas, profissão, empregos, endereço, tudo tinha de combinar com as conveniências da tabela de jogos dos ´Gunners´.

A proposta pode parecer meio sem graça. Entretanto, o autor conseguiu de uma maneira estupenda explicar sentimentos que, na maioria das vezes, passam despercebidos pelos corações de qualquer torcedor, embora sejam tão fortes como uma avassaladora paixão. Apesar de simplista e despretensiosa, a proposta rendeu quase um tratado sobre o envolvimento entre time e torcida, especialmente na Inglaterra (embora a maioria das referências sejam universais).

Com essa visão geral, os episódios narrados pelo autor (todos verídicos, segundo ele), são, em sua maioria, hilários, como o sentimento de poder e felicidade completa quando o time consegue o primeiro título, no início dos anos 70 (depois de muito sofrimento para o pequeno Nick) ou o sabor de derrota e desespero experimentado pelo torcedor do time quando o futuro do clube parecia fadado a uma eternidade de fracassos sucessivos.

Depois de ´´Febre´´, Hornby se tornou um autor vendidíssimo, em especial na Inglaterra, tendo seu livro ´´Alta Fidelidade´´ virado filme com John Cusack. ´´Febre´´ também foi para as telas, embora a adaptação não tenha sido tão feliz quanto a versão escrita. Para quem gosta de futebol é um prato cheio, e para quem tem de conviver com quem gosta, também.

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