Favorito à Copa. Mas com algo a ser melhorado

Pessoalmente, este escriba sempre bancou aos conhecidos que acreditava na permanência de Dunga até 2010. O bicampeonato da Copa das Confederações – terceiro título do Brasil na competição – apaga as últimas dúvidas sobre isso, se é que ainda existiam. Assim como diminui drasticamente os questionamentos a respeito dos jogadores que estarão na Copa. Já pode-se dizer: dos 23 jogadores que foram à África do Sul agora, mais da metade do elenco deve voltar ao país no ano que vem.
Tudo bem, então? O favoritismo à Copa iguala-se ao de 2006? É claro que não. A final em Johannesburg prova: ainda há algo a ser feito. Comprovando que não dá para ficar apenas esperando o erro do adversário, o primeiro tempo testemunhou, desde o gol de Dempsey, um domínio claro da seleção dos Estados Unidos. Isso, fora a ausência de gente para tabelar com Maicon na direita, e a insistência em cruzamentos altos, absolutamente inoperantes.
Jogando até melhor do que na partida contra a Espanha, a equipe treinada por Bob Bradley repetiu o roteiro: defesa soberana às raias do insuperável no jogo aéreo, ataque rápido, e, finalmente, um contra-ataque rápido, que se aproveitava dos buracos inaceitáveis na defesa brasileira. O gol de Landon Donovan fez o time provar um pouco do próprio veneno imposto há algum tempo aos adversários.
A sorte é que, no segundo tempo, o Brasil jogou como deveria: sabendo que, se ficasse mais conservador, a chance de uma virada era ínfima, tratou de pressionar. Provando sua óbvia superioridade técnica sobre os norte-americanos, o time fez o que deveria ter feito contra a África do Sul: sufocar, atacar, enfim, fazer o adversário temê-lo. Contando com um Kaká abnegado (sempre), um Luis Fabiano abençoado (sejamos claros: o campineiro garantiu de vez, hoje, seu lugar na Copa) e um time mais concentrado, a virada até custou, mas veio.
Fica a lição. O time melhorou muito, está bem mais desenvolvido do que parecia na vitória da Copa América de 2007, Dunga ficou mais maleável em alguns aspectos, e o favoritismo “vitalício” à Copa é justificável, agora. Entretanto, jogar com um pouco mais de coragem não fará mal.
Sobre os Estados Unidos, a equipe de Bob Bradley provavelmente não ganhará a capa da Sports Illustrated, nesta semana. Pois bem que merecia. Após a reação inesperada na primeira fase e a vitória irretocável sobre a Espanha, nas semifinais, o desempenho raçudo contra o Brasil – que, em alguns momentos, parecia resultar em título – provou: a equipe tem talento. Para uma geração que jogava até pior do que o time decepcionante da Copa de 2006, a primeira final de um torneio masculino feito pela Fifa é um feito e tanto.
Aos jogadores, fica a esperança de maior espaço na Europa. Para Altidore, que agora tem a missão de repetir as boas atuações da Copa das Confederações no Villarreal. Para Donovan, que, quem sabe, possa recomeçar sua carreira no Velho Continente. Para Onyewu, que convenceu o Fulham, meio reticente em contratá-lo, ainda, do valor e da imponência que conquistou, na zaga ianque.



