Etcheverry: O Diabo do céu

Os próximos adversários da seleção brasileira pelas Eliminatórias não trazem boas recordações. O Chile é o responsável pela maior derrota do Brasil na competição ao vencer por 3 a 0 em 2000. A Bolívia fez 2 a 0 em 1993 e quebrou a nossa invencibilidade de 44 anos sem perder na fase classificatória para um Mundial, graças ao infernizado Etcheverry.

Marco Antonio Etcheverry Vargas começou a praticar futebol na academia Tauichi Aguilera, em Santa Cruz de La Sierra sua terra natal, tradicional em revelar garotos para o futebol local. Como se movimentava muito em campo se dizia que ele infernizava os zagueiros, por isso o apelido “El Diablo”.

Depois de passar pelo Destroyers chegou ao Bolívar para despontar de vez com o título nacional de 1991. Rodou por vários clubes e ficou identificado com a camisa do DC United onde jogou por oito anos. Foi um dos pioneiros da MLS e em 2005 foi eleito um dos melhores jogadores a atuar na liga americana, até hoje vive nos Estados Unidos com a família onde fez fortuna e possui escolas de futebol.

1993, o ano do inferno

Até a Copa dos Estados Unidos em 1994 a Bolívia só participara de dois mundiais, 1930 e 1950, quando se quer disputou um jogo para chegar a eles. Nas Eliminatórias de 1993, ninguém acreditava que Brasil e Uruguai ficariam de fora da Copa ainda mais quando se olhava para os outros times da chave: Bolívia, Equador e Venezuela.

A Bolívia começou a campanha ao golear por 7 a 1 a Venezuela fora de casa e espantou o mundo ao derrotar o Brasil em La Paz. É bem verdade que a seleção de Parreira encontrava muitas dificuldades, na rodada anterior ficou no 0 a 0 com o Equador, mas esperava-se uma vitória apesar da altitude da capital boliviana.

No decorrer da partida o time da casa sobrou em campo e o destaque era aquele meio-campista cabeludo, canhoto, dono da camisa 10 e que não parou de infernizar a zaga brasileira. Durante a partida Etcheverry sofreu um pênalti, desperdiçado por Erwin Sanchez, e fez o primeiro gol do jogo em um chute cruzado por baixo das pernas de Taffarel.

Esta derrota transformou a vida de Parreira e companhia em um inferno. Cogitou-se a substituição do treinador e a saída de alguns jogadores, principalmente Dunga. A CBF segurou a barra e o grupo se uniu surgindo a entrada em campo de mãos dadas entre os jogadores.

A Bolívia manteve a boa fase e com uma equipe regular e que sabia aproveitar o fator casa/altitude (venceu todas as partidas em La Paz) chegou à Copa. Etcheverry desembarcou em Chicago, para a abertura do torneio contra a atual campeã Alemanha, com uma contusão muscular. Jogando no sacrifício pouco fez e ainda entrou de forma violenta em um adversário causado sua expulsão e punição por duas partidas. Desta forma se encerrou a participação do principal jogador boliviano em Copas.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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