Estudiantes: Pinchas de olho nos culés
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Foi pelo fim de um jejum de 39 anos que os “alunos” foram dispensados mais cedo de suas obrigações corriqueiras locais. O Estudiantes recebeu carta branca da federação argentina para adiantar seus confrontos do Apertura 2009, e se livrar com três rodadas de antecedência do campeonato nacional. Pra quê? Oras, e há glória maior do que disputar o título de campeão do mundo?
No dia 15 de julho, na final da 50ª edição da Copa Libertadores da América, na capital mineira, o estádio lotado e coberto de azul foi palco de uma festa vermelha e branca: era a comemoração dos pincharratas, que se sagravam campeões continentais sobre o Cruzeiro, de virada, em pleno Mineirão.
Com o título, o quarto da Libertadores pro histórico do Estudiantes, o ídolo Juan Sebastián Verón relembrou a todos os torcedores dos Pinchas a glória conquistada há quase 40 anos pelo seu pai, Juan Ramón Verón. “O que conquistamos é maravilhoso, estou aproveitando muito e vou continuar comemorando”, afirmou Verón, o filho. Não só isso: dava ainda a alegria de disputar o Mundial de Clubes da Fifa, tendo a chance de, ignorando os rivais menos tradicionais, encarar nada menos que o campeão europeu, o Barcelona.
Apesar de um início da campanha irregular, tendo sofrido três derrotas em seis jogos, o Estudiantes reagiu na Libertadores e, com a chegada do técnico Alejandro Sabella, a equipe se encontrou e passou por uma série de jogos invicta. Na fase preliminar, eliminou o Sporting Cristal, do Peru, e terminou a fase de grupos atrás de ninguém menos que a Raposa, equipe que reencontraria na final. Partindo para o mata-mata, o time argentino eliminou o Libertad, do Paraguai, e Defensor Sporting e Nacional, do Uruguai, antes de agendar o encontro fatal com os cruzeirenses.
Após a divulgação da entidade máxima do futebol sobre os confrontos do Mundial, os Pinchas aguardam para conhecer seu primeiro rival, direto nas semifinais: o vencedor do confronto entre TP Mazembe, do Congo, e o sul-coreano Pohang Steelers, os dois ainda são uma incógnita. “Prefiro jogar sempre com adversários conhecidos”, foram as palavras de Mauro Boselli, o artilheiro dos Pinchas na Libertadores, com oito gols marcados.
Mas o grande desafio pra os pincharratas será enfrentar os catalães, que vem com toda a força para brigar pelo título, após impecável campanha na temporada passada, conqusitando a Tríplice Coroa (Liga dos Campeões, Campeonato Espanhol e Copa do Rei). “Temos acompanhado e conhecemos o futebol deles, já os estudamos por via das dúvidas, mas depois (Andrés) Iniesta ou Xavi pegam a bola, ou (Lionel) Messi dribla seis jogadores, e adeus. Se formos enfrentá-los precisaremos ser inteligentes”, disse Rodrigo Braña.
A glória da conquista do título mundial seria incomensurável para a família Pincha, que tantas coroas celebrou na década de 1960, da geração de Verón pai, vencendo três Libertadores consecutivas e inclusive derrubando o Manchester United em pleno Old Trafford, na final da então Copa Intercontinental de 1968.
As expectativas para o encontro da semifinal não faz tremer as pernas de nenhum pincharrata que se preze. Pois, certamente, o confronto mais esperado pela equipe de Boselli e Verón, e pelos tocedores Pinchas em geral, é contra os culés, na final do mundial.