Está na hora dos clubes se preocuparem com a saúde mental dos jogadores

Há muitos anos a saúde mental dos jogadores é assunto no esporte americano, especialmente na NFL. Os casos de suicídio e problemas sérios especialmente após o fim da carreira assustaram e levaram a medidas para, por exemplo, evitar que jogadores voltem a campo depois de concussões. No futebol, algumas medidas parecidas foram tomadas, na Copa do Mundo e na Premier League, por exemplo. A questão, porém, parece mais séria do que isso.

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Um estudo de 2013 conduzido pelo médico Vincent Gouttebarge, chefe do departamento médico da Associação de Jogadores Profissionais, a FIFPro, mostra que um em cada quatro jogadores em atividade tem sinais de depressão. O número aumenta quando eles se aposentam: passa a ser de 40% dos jogadores. Alguns casos chocaram o mundo, como o técnico galês Gary Speed, ex-jogador, que se suicidou em 2011, ou o goleiro Robert Enke, que lutou contra depressão por anos e se suicidou, ainda com a carreira em andamento, em 2009.

A psicologia no esporte tem sido comum nos times profissionais, mas, segundo Gouttebarge, ainda é algo pensado apenas no curto prazo, não para preservar a saúde mental dos jogadores. “Os clubes são empregadores, e por lei eles precisam providenciar e proteger a saúde e segurança dos jogadores durante suas carreiras – não apenas a saúde física em termos de outras lesões, mas também a saúde mental”, afirmou o médico em entrevista à agência Reuters.

“Um clube olha apenas na perspectiva de curto prazo. Se um jogador tem um contrato de dois anos com o clube, é difícil para eles pensarem em uma perspectiva de longo prazo”, afirmou Gouttebarge. “Mas o sindicato pensa na saúde e segurança do jogador em uma perspectiva de longo prazo, durante e depois da carreira, e é claro que os clubes têm a responsabilidade”, explicou ainda o médico.

Gouttebarge afirma que só 3% seriam independentes financeiramente ao final da carreira. Além disso, o dinheiro não é nenhuma garantia em relação à saúde mental. “Os jogadores profissionais são como qualquer um. Eles são humanos em primeiro lugar, apesar do dinheiro e da atenção na imprensa”, afirmou. “Eles também são expostos ao estresse psico-social durante suas carreiras, no campo e nas suas vidas privadas”, continuou.

Aos 39 anos, Gouttebarge também foi jogador de futebol. Nos seus últimos anos de carreira, no Ominiworld, clube da segunda divisão holandesa, ele combinou a vida de jogador e os estudos de medicina. Atualmente, trabalha como cientista do Centro Médico Acadêmico, de Amsterdã, além do cargo na FIFPro.  “Com todo conhecimento reunido, estaremos em um bom caminho para aumentar a consciência da saúde mental no esporte”, afirmou o médico francês.

O assunto ainda é um tabu e este é um problema pouco valorizado, mas é sério. Além dos impactos físicos do esporte no corpo humano, há o impacto psicológico que é preciso ser tratado. A psicologia no esporte é mais utilizada pensando em uma forma de criar equipes vencedoras, não em manter os jogadores com uma boa saúde mental. Está na hora de lidar com isso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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