Espanha sofre para acionar seu ataque, e pena contra Croácia
/https%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2Fhttps%3A%2F%2Ftrivela.com.br%2Fapp%2Fuploads%2F2012%2F06%2Fimg-19990-fernando-torres-contra-croacia.jpg)
Ganhar por 1 a 0 é lugar-comum para a Espanha. O título da Eurocopa 2008 veio com esse placar. Na Copa de 2010, todo o mata-mata (incluído, claro, a final) foi resolvido no 1 a 0. Mesmo assim, o Marca acaba de colocar, como manchete para o Espanha 1×0 Croácia: “sofremos como nunca, ganhamos como sempre”. Por que a Espanha “sofreu como nunca” agora? Simples: a questão não é o placar, mas o futebol apresentado para construí-lo.
Foi o jogo menos produtivo da Espanha nesta Eurocopa. O time, que tem como estratégia quase obsessiva trocar passes até encontrar espaço para finalizar, teve problemas. Jogou com menos intensidade, mexeu-se menos, acionou menos o homem de frente e finalizou menos. Ou seja, produziu pouco, mesmo para seus padrões.
Veja os números das três partidas da Furia em gramados poloneses:
Itália
733 passes (65,9% de posse de bola)
18 finalizações
40,7 passes para cada finalização
Irlanda
860 passes (75,9% de posse de bola)
27 finalizações
31,9 passes para cada finalização
Croácia
700 passes (71,9% de posse de bola)
15 finalizações
46,7 passes para cada finalização
A comparação de Espanha x Croácia com Espanha x Itália mostra bem isso. Na estreia, os espanhóis tiveram de enfrentar uma equipe que se preparou para quebrar a sequência de troca de passes. De fato, tiveram a bola por menos tempo (65,9%, diante de 71,9% contra a Croácia) e ainda assim trocaram mais passes (733 a 700) e finalizaram mais (18 a 15).
A falta de agressividade espanhola também se viu na participação dos atacantes:
Itália (Fàbregas + Torres)
Minutos: 90
Toques na bola: 82
Toques por minuto: 0,91
Irlanda (Torres)
Minutos: 90
Toques na bola: 66
Toques por minuto: 0,73
Croácia (Torres + Fàbregas + Negredo)
Minutos: 79
Toques na bola: 36
Toques por minuto: 0,46
Os números da partida contra a Croácia só não foram piores porque Fàbregas voltou para buscar o jogo no meio-campo e acabou sendo uma figura bastante participativa (18 toques na bola em 17 minutos). Se dependesse dos atacantes de vocação que Del Bosque colocou em campo, a participação seria ainda mais minguada.
De qualquer modo, não eram necessários números para perceber que a Espanha teve uma noite pouco inspirada nesta segunda, em Gdansk. Um time preguiçoso no primeiro tempo, tenso no segundo, que tocou a bola sem conseguir acionar seus atacantes e finalizar. Mas os números deixam evidente isso. E o porquê de o Marca ter falado tanto em “sofrimento” para quem já ganhou tanto por 1 a 0.