Escócia: tradição sem títulos

 

Por Junior Lourenço

Se atualmente não assusta nem aparece com frequência nas grandes competições, não nos enganemos: a Escócia é uma das seleções mais tradicionais do futebol. Tudo isso tem lógica ao olhar a história do esporte e constatar que o país é um dos pioneiros ao lado de seus vizinhos ingleses. Os dois, aliás, fizeram o primeiro jogo entre nações no longínquo ano de 1872 – 0 a 0 – originando uma grande rivalidade.

Criadas as regras do desporto, não havia muitos países para enfrentar. E a Escócia seguiu disputando com a Inglaterra até outros vizinhos criarem suas federações pouco depois. Além dos ingleses, Irlanda e País de Gales foram os únicos adversários por quarenta anos. Estava em jogo o British Home Championship, campeonato das nações britânicas que começou em 1884 e durou cem anos. Também criaram a International Football Association Board, que ainda existe e invariavelmente é criticada por resistência à inovações no futebol. Os escoceses venceram 41 edições, atrás dos maiores campeões – adivinhem -, os ingleses com 54.

As Copas e o Brasil

Apesar do pioneirismo e talvez por causa dele, a relação entre o país e as Copas do Mundo começou tarde. Assim como as outras federações britânicas, tiveram problemas políticos com a FIFA devido à situação de jogadores amadores e profissionais, polêmica à época. Excluídas da principal federação de futebol, as nações foram readmitidas antes do Mundial de 1950.

Os critérios de classificação foram incomuns para os dias atuais. Campeão e vice do British Home Championship estariam na Copa de 1950. Entretanto, a Federação Escocesa de Futebol (SFA) anunciou que só aceitaria a vaga em caso de título. Perderam para a Inglaterra e abdicaram, optando por uma turnê na América do Norte.

Na Copa seguinte as regras de classificação permaneceram as mesmas. O que mudou, foi a postura da SFA. Mesmo com o vice-campeonato, os escoceses enfim estreiaram em Copas, com uma participação desastrosa. Levando apenas treze jogadores, derrota para a Suíça por 1 a 0 e sofreram incrível goleada dos uruguaios: 7 a 0.

Alternaram participações fracas e ausências nas competições. Mesmo com a tradição, nunca passaram da primeira fase em Copas do Mundo ou Eurocopas. Talvez o grande resultado em Mundiais tenha sido em 1978, na vitória de 3 a 2 contra a Holanda, que terminaria vice-campeã.

Para os brasileiros, uma curiosidade. Entre as Copas de 74 e 98, a Escócia participou de seis edições. Em quatro delas enfrentaram o Brasil. Placar sem gols em 74, dois placares magros para o Brasil (1×0 em 90 e 2×1 em 98, fazendo o jogo de abertura) e uma goleada: 4 a 1 para a seleção de Zico, no Mundial de 86. O técnico era Alex Ferguson que meses depois assumiria o comando do Manchester United, onde está até hoje.

Nesse período dos anos 70 e 80, o grande jogador foi Kenny Dalglish. O atual treinador do Liverpool – onde fez história como jogador – é o recordista de jogos com a seleção (102 partidas) e divide a artilharia com Denis Law – 30 gols. Além dele, o goleiro Jim Leighton também tem papel importante com a camisa nacional. Jogou três Copas e encerrou a carreira em 1998, aos 40 anos.

Nos dias de hoje

A Escócia luta pela classificação para a Eurocopa 2012, mas caiu em um grupo complicado. Precisa terminar ao menos em segundo lugar na tentativa por uma repescagem, e tem pela frente Espanha e República Tcheca. Quatro pontos em quatro jogos não é dos cenários mais animadores. O returno terá que ser espetacular, caso os escoceses queiram estar presentes na competição continental do ano que vem.

Sem um elenco que crie grandes expectativas, o principal nome é Darren Fletcher, do Manchester United. Grande parte dos jogos da seleção são no estádio Hampden Park, em Glasgow. O estádio, que é usado pelo Queen Park FC, já sediou a final da Liga dos Campeões, em 2006, com vitória do Real Madrid contra o Bayer Leverkusen. A final da Copa da Escócia também é jogada lá.

No último domingo um jogo contra os brasileiros, velhos conhecidos. Apresentados à Neymar, derrota de 2 a 0 jogando em Londres. Outra amostra de que será preciso ir além da tradição para a Escócia voltar aos grandes palcos do futebol mundial, esporte que ajudou a criar.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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