Entrevista: Henrique (Bordeaux)

Você acredita que a classificação para a Liga dos Campeões, com o título francês, você ganhou mais visibilidade no time, e no Brasil? Pensa em Seleção?

Creio que sim, com certeza isso dá visibilidade, mas vejo Seleção como algo complicado. Hoje, Dunga tem praticamente todo o setor defensivo definido. Não vou falar que é impossível, mas é complicado. Quero fazer uma boa LC este ano, já participei duas vezes, e nas duas vezes ficamos fora das finais, não passamos da fase de grupos. Se a gente passar dessa vez, já será muito importante.

O Bordeaux usou as últimas LCs como “laboratórios” para adquirir experiência internacional. Neste ano, você acha que o clube já pode mostrar o que aprendeu, ou ainda precisa de mais experiência?

Acredito que esta é a temporada ideal para fazer algo importante. Antes participávamos mais para ficar em terceiro lugar e pegar vaga para a Copa Uefa, do que para avançar mais. Agora o clube mudou sua política, antes vendia muitos jogadores, e não conseguíamos montar um time. Passaram a segurar mais os jogadores, manter um grupo, e contratou bem também. Mas a nossa chave é complicada, vamos ver.

O Bordeaux superou o Lyon no Campeonato Francês, mas na LC, o desempenho ainda é decepcionante. O que falta para o clube deslanchar internacionalmente?

Na temporada passada, creio que o que nos faltou foi experiência. Perdemos da Roma aqui, situação que não era pra ter acontecido, eu fui expulso sem ter feito nada, e acabamos sendo derrotados. Se ganhássemos essa partida, estaríamos praticamente classificados. Mas neste ano estamos super preparados.

Então o foco do Bordeaux para a temporada 2009/10 é a LC? Ou o clube vai voltar suas forças para a conquista do bicampeonato francês?

É a LC. Queremos chegar o mais longe possível. Claro, também queremos o bicampeonato, mas, no atual instante, é a LC que queremos.

Como você está sentindo o time neste começo de temporada na Ligue 1, após a conquista do título?

Nosso time foi dos três principais da França que menos mexeu, trouxe uns dois ou três jogadores de qualidade. Mas continuam esperando muito de nós, e estamos mostrando que voltamos bem com as nossas vitórias neste começo.

Como foi fazer parte do time que quebrou a hegemonia de sete anos do Lyon na França?

Para mim foi maravilhoso e muito importante. Na minha primeira temporada aqui, o Bordeaux vinha de uma campanha muito ruim, escapando do rebaixamento por muito pouco, no final. Na minha apresentação, falei que vinha para ser campeão, e muita gente não acreditou. Acabei comprovando isso, depois de ser vice-campeão duas vezes. A temporada passada foi muito boa, não só pra mim, como pra toda a equipe, chegamos ao recorde de 14 partidas sem derrota, além de termos tirado a hegemonia de sete anos do Lyon.

Você acha que a saída de Juninho Pernambucano do Lyon vai afetar muito a equipe? Ou você acha que o clube já está preparado para isso, inclusive com as contratações para a nova temporada?

Sempre prejudica perder um grande jogador. Mas creio que eles já se preparavam para isso, para a saída dele e para uma fase em que não ganhariam mais tudo. Hoje na França se fala até mais em Bordeaux e Olympique de Marselha do que em Lyon. Mas eles contrataram bons jogadores, inclusive o Michel Bastos, para substituir Juninho, que vem muito bem. Eu ainda os vejo como favoritos e um time muito forte, de qualquer maneira.

Por que os clubes franceses não conseguem se equiparar aos espanhóis, ingleses e italianos na Europa?

Para mim, Inglaterra e Espanha são os campeonatos mais ricos do mundo. Eles podem tirar quem eles quiserem de qualquer time. A França já não consegue isso, não tem os mesmos investimentos. Acho que ainda continuará assim por um tempo, pois penso que os clubes franceses não têm poder aquisitivo para isso. O Lisandro López, por exemplo, foi a contratação mais cara do Lyon, por € 24 milhões, valor que não se compara aos gastos espanhóis e ingleses.

Com o fim da hegemonia do Lyon, você acha que é a chance do futebol francês ganhar impulso?

Sim, acho que já deu esse impulso. Já olham para o Campeonato Francês de outro modo. Antes começava o campeonato e já se sabia quem ia ganhar, e brigávamos pela segunda colocação. Agora está mais competitivo, é diferente.

O que você achou do grupo sorteado para a fase de grupos da LC?

A Juventus tem grandes jogadores, tem Amauri, Felipe Melo, que é excelente jogador, e Diego, que é um jogador que sempre desperta comentários. Além de Cannavaro, Buffon… é um time muito forte, será um jogo complicado. Já o Bayern também, tem tradição, investiu bem na competição, apesar de ter começado mal no Campeonato Alemão. O Maccabi Haifa é desconhecido mas, pelo fato de ter chegado na LC, tem qualidade. Estamos motivados em levar o nome do Campeonato Francês, e esperamos passar para as oitvas.

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