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Entre o que podia controlar e o que não podia, deu tudo errado para o PSG

Por Bruno Bonsanti

Os dois principais veículos da imprensa esportiva francesa caracterizaram a derrota do Paris Saint-Germain da mesma maneira: um naufrágio. Um “naufrágio histórico”, no L’Equipe, e um “naufrágio que deixa vestígios”, na France Football. Os dois estão certos. O PSG estava em uma posição muito elevada para se classificar às quartas de final, para conseguir finalmente eliminar o Barcelona depois de duas derrotas no mata-mata da Champions League, e despencou de uma vez só em uma partida em que praticamente deu tudo errado.

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Algumas coisas, Unai Emery não poderia mesmo controlar. As decisões da arbitragem são o exemplo mais claro. Houve três lances capitais que interferiram no andamento da partida. Caso o árbitro turco Denis Aytekin tivesse dado pênalti de Mascherano, logo depois de o PSG levar 1 a 0, a história da partida seria diferente. A penalidade a favor do Barcelona aos 45 minutos do segundo tempo transformou os acréscimos em pura loucura, e em meio dela, os donos da casa acharam o gol da classificação. Foram todos lances interpretativos, mas Aytekin decidiu todos a favor do Barcelona. Uma única decisão na direção dos franceses poderia ter feito toda a diferença.

Também não dava para o PSG prever que Marquinhos teria uma das piores atuações da sua vida. O jovem zagueiro brasileiro tornou-se titular absoluto com a saída de David Luiz  e tem sido bastante sólido. Mas, nesta quarta-feira, cabeceou para cima o cruzamento de Rafinha que resultou no primeiro gol, marcado por Suárez, e perdeu a dividida com Iniesta, no segundo – e, para piorar tudo, os dois lances contaram um empurrãozinho do acaso a favor do Barcelona.

No entanto, imponderabilidades à parte, a postura do Paris Saint-Germain foi cautelosa demais, principalmente no primeiro tempo. Na saída de bola, os três zagueiros do Barcelona posicionaram-se na altura do meio-campo, o time da casa avançou ao campo de ataque e por lá todos eles ficaram durante um bom tempo. A chegada de Draxler, pela esquerda, que levou Mascherano a bloquear a bola com a mão, foi praticamente a única ação ofensiva dos visitantes, que só adiantaram suas linhas e buscaram o ataque quando o placar já estava 3 a 0 para o Barça.

A maior prova de que isso poderia ter acontecido antes é que, uma vez no ataque, o PSG levou muito perigo, o que é natural, dada a qualidade dos jogadores que tem à disposição. Antes de marcar, Cavani acertou a trave. Di María, pouco depois do gol, escapou em contra-ataque e teve a chance de matar a eliminatória. Mas os franceses atacaram muito pouco e deram apenas quatro chutes a gol o jogo inteiro. Atuaram com o regulamento debaixo do braço, o que é até compreensível, porque a vantagem era realmente muito grande, mas, ao fazer isso, diminuíram a quantidade de lances fortuitos e decisões da arbitragem que o Barcelona precisaria.

Emery afirma que a ideia era continuar da maneira que a equipe havia terminado o jogo anterior, o que claramente não aconteceu. “O primeiro tempo foi culpa nossa. Não conseguimos pressionar e fazer alguma coisa com a bola. Defendemos muito atrás e eles tiveram mais chances para marcar. Cometemos erros nos dois primeiros gols”, afirmou. “Estávamos mais calmos no segundo tempo e mais bem posicionados. Melhoramos e tivemos a chance para fazer 3 a 2 (com Di María). As decisões do árbitro foram contra nós e perdemos tudo nos minutos finais”.

O técnico do PSG também falou em falta de personalidade e muita bola concedida para o Barcelona. Os minutos finais da partida confirmam essa análise. A partir dos 40 minutos do segundo tempo, os franceses conseguiram completar apenas quatro passes, segundo levantamento do Squawka, publicado pelo jornal Sport. Três foram na saída de bola depois dos gols do Barcelona, e outro foi um passe para o lado no campo de ataque. Não houve um jogador capaz de segurar a bola no campo de ataque e interromper a pressão incessante dos catalães.

O Paris Saint-Germain chegou pela quinta vez seguida no mata-mata da Champions e foi, agora, três vezes eliminado pelo Barcelona – uma para o Chelsea, outra para o Manchester City. Depois da goleada no jogo de ida, parecia ter chegado a hora de os franceses, que ambicionam entrar no grupo de gigantes do futebol europeu, conseguirem a grande vitória que tanto precisavam, seja apenas para avançar de fase, seja para ganhar moral e confiança. Na hora H, no entanto, entre o que podiam controlar e o que não podiam, deu tudo errado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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