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Entre a sorte e a competência, a Juve contou com a estrela dos suplentes para bater o Porto

Que a Juventus fosse favorita no duelo com o Porto pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, poucos imaginavam uma vantagem tão boa aos italianos após o primeiro jogo. As circunstâncias conspiraram a favor da Velha Senhora. A expulsão infantil de Alex Telles aos 27 minutos de bola rolando, recebendo dois cartões amarelos em menos de dois minutos, determinou o revés dos portistas. Os donos da casa se limitaram a defender durante a maior parte do tempo. E acabaram levando a pior, graças à estrela de Massimiliano Allegri. O treinador foi muitíssimo feliz em suas substituições e tirou do banco os autores dos dois gols, Marko Pjaca e Daniel Alves. Triunfo por 2 a 0 que dá uma enorme tranquilidade para o reencontro em Turim.

Allegri adaptou o seu time às circunstâncias. Leonardo Bonucci foi suspenso por um jogo pela diretoria após se desentender com o técnico. Sem o seu melhor zagueiro, o comandante utilizou pela primeira vez o 4-2-3-1 nesta Champions, adotado nos últimos jogos da Juventus. Aposta clara para aproveitar o jogo pelas pontas, com Juan Guillermo Cuadrado e Mario Mandzukic abertos, além de Paulo Dybala caindo pelos lados do campo. O Porto, por sua vez, apostava na consistência do 4-4-2 de Nuno Espírito Santo, com duas linhas bem definidas.

Durante os primeiros minutos, a iniciativa era dos portistas, empurrados pela inflamada torcida no Dragão. O time da casa tentava se impor no ataque e criou boas oportunidades, ameaçando a meta de Gianluigi Buffon. A Juve se posicionava mais atrás, mas, a partir dos 10 minutos, começou a se soltar. Os bianconeri encontravam certas dificuldades para sair da defesa, mas passaram a criar suas oportunidades a partir da velocidade pelos lados. Iker Casillas foi acionado a primeira vez aos 25 minutos, saindo à entrada da área para afastar o perigo com os pés.

O crescimento dos juventinos se combinou com a falta de inteligência de Alex Telles. Após um cartão amarelo desnecessário, ele tomou outro segundos depois, em uma bola esticada na linha lateral, pegando Stephan Lichtsteiner em cheio. Expulsão justíssima, que intensificou a tônica da partida. Nuno Espírito Santo precisou tirar força de seu ataque, substituindo André Silva para recompor a defesa com Miguel Layún. Enquanto isso, a Juventus martelava. Faltavam espaços aos bianconeri, mas, ainda assim, eles poderiam ter saído em vantagem. Casillas salvou a tentativa de Gonzalo Higuaín, que ia no cantinho. Depois, mesmo vendido, viu o chute forte de Dybala se estatelar na trave.

Durante o início do segundo tempo, o Porto deu seu último suspiro. Sua primeira finalização desde os oito minutos da primeira etapa e também a última na partida. Héctor Herrera tentou aproveitar cruzamento na área e escorou com perigo. A partir de então, seguiu a partida de defesa contra ataque. Dybala chegou a ter um gol anulado, com o árbitro assinalando impedimento. A Juventus insistia muito nos cruzamentos, mas não tinha tanto sucesso. As melhores chances vinham em arremates de fora da área. Assim, Higuaín e Khedira levaram muito perigo. A formação de Allegri não ajudava muito, armada para os contragolpes, mas precisando abrir a retranca dos adversários.

Coube à Juve mudar sua postura para conquistar a vitória. Primeiro, Allegri trocou Cuadrado por Pjaca, um jogador mais perigoso nos lances em diagonal. Cinco minutos depois de entrar, aos 27, ele abriu o placar em um lance de estrela. Após a troca de passes dos bianconeri, a bola espirrou na defesa e sobrou para o croata arrematar no canto. Logo depois, mais uma mexida. O treinador mandou a campo Daniel Alves, um lateral mais ofensivo, na vaga de Lichtsteiner. Demorou um minuto para surtir efeito. Alex Sandro, em excelente exibição na lateral esquerda, ajudando muito no apoio, fez o cruzamento e encontrou o compatriota livre. O camisa 23 teve tempo de dominar e fuzilar para as redes.

A partir disso, o Porto não tinha mais esperanças. Nuno Espírito Santo ainda tentou encorpar seu ataque, com Diogo Jota no lugar de Yacine Brahimi. A equipe, que até então insistia em sair jogando pelo chão, começou a investir nos lançamentos longos à área. Nada que levasse a defesa da Juventus ao pânico. E o terceiro tento italiano só não saiu por uma intervenção vital de Casillas, que saiu nos pés de Khedira, invadindo a área após ótimo passe de Pjaca. Ao apito final, foram 19 finalizações a três para a Velha Senhora, com 76% de posse de bola e 501 passes certos a mais que os anfitriões – 672 a 171.

Ao Porto, depois da expulsão de Alex Telles, a esperança era a de ao menos segurar o placar zerado. Não deu. E, na volta, o lateral também fará falta, especialmente por aquilo que agrega nas bolas paradas. Ao que parece, só um milagre tira a Juventus das quartas de final. Ou um desastre. Com uma pitada de sorte e outro tanto de competência, a Velha Senhora não tem o que reclamar da visita ao Estádio do Dragão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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