Enquanto Nilmar não vem…

Conta-se que, na semana passada, Adalberto Baptista, diretor de futebol do São Paulo, Orlando da Hora, representante Não-FIFA (já que, ainda que tenha reputação mais manchada que carpete de motel, ele se diz tão orgulhoso de não ser credenciado junto à igualmente maculada entidade) de Nilmar e André Ribeiro, advogado do atleta, travaram uma reunião que chegou a durar mais de seis horas. E o mais impressionante: sem chegar a acerto algum. De acordo com a versão oficial, o encontro serviu para que o clube apresentasse o seu projeto para repatriar Nilmar, trazendo detalhes dos benefícios que a negociação traria para ambas as partes e a importância que um jogador como ele teria para o futuro do São Paulo, a curto e médio prazo.
A não ser que nos contentemos com a imagem de um interminável arquivo do Powerpoint (e qual arquivo de Powerpoint não o é?), detalhado a ponto de José de Alencar voltar dos mortos para reescrever suas descrições de folhagens de “O Guarani”, só pra não ser passado para trás, é muito mais negócio tentar descobrir o que justificaria uma simples reunião ter se estendido tanto. Se Juvenal Juvêncio estivesse presente, eu acreditaria numa festinha regada a uísque. Ou mesmo que o presidente teria feito um daqueles discursos onde cada frase demora entre sete a oito minutos para ser completada. Como não é o caso, trago uma lista do que verdadeiramente pode ter acontecido durante uma das reuniões mais longas da história do futebol brasileiro.
– Conversaram sobre o tempo e o clima na cidade de São Paulo. Nas últimas quatro décadas. Cada dia avaliado isoladamente. Elencando detalhes tão importantes quanto a direção do vento e o nível de umidade. Bairro a bairro.
– Jogaram 18 temporadas de Elifoot. Teriam jogado mais, se Orlando da Hora, ironicamente, não reclamasse tanto de que seus jogadores não paravam de pedir aumento de salário.
– Test-drive das “toalhinhas e sabonetinhos” do CT de Cotia, fortemente recomendados pelo volante Denílson.
– Passaram vários trotes para o Corinthians. Com um (muy) falso sotaque portenho, diziam ser o Montillo quem estava na linha. Quando acharam que a brincadeira cansou, repetiram o procedimento com a boca cheia de farofa, agora com um suposto Tévez pedindo para voltar.
– Discussão pesada para definir quem era o Moe, quem era o Larry e quem era o Curly. Não chegaram a nenhuma conclusão, mas lançaram tortas de creme um no outro.
– André desabafou sobre um período muito difícil de sua vida, quando as pessoas lhe diziam “Não perde mais, André Ribeiro” 20 vezes ao dia, emulando o bordão clássico de Téo José nas vitórias do piloto homônimo na Formula Indy.
– Aproveitando o ensejo, Adalberto Baptista, que nas horas vagas é piloto de corrida, tentou explicar por que a Pirelli fornece seis tipos diferentes de pneus na Formula 1, se no final, o Vettel ganha todas as provas do mesmo jeito.
– Inconclusivo estudo numerológico para definir se Cortês deveria mesmo passar a se chamar Cortez. Búzios e tarô cigano, no entanto, confirmaram que ele deve manter a cabeleira.
– Orlando contou causos das muitas vezes em que Nilmar, em virtude de sua aparência juvenil, foi confundido e tratado como criança. Como, por exemplo, nesta reunião, onde três marmanjos se reuniram pra definir por ele que rumo sua vida irá tomar.
– Todos enrolaram o quanto puderam, pois estavam com medo de ir até a garagem e dar de cara com José Mourinho, que poderia estar de tocaia, sabe-se lá por que razão.
– Os presentes decidiram recapitular tudo o que de amador aconteceu no Palmeiras em 2011, motivo pelo qual uma nova longa reunião teve de ser marcada para dias depois.
A propósito
Caso Nilmar seja realmente contratado, pode estrear não ao lado de Luís Fabiano, mas substituindo-o. O centroavante sentiu uma fisgada na coxa e será examinado hoje à tarde, para que se saiba qual a gravidade da lesão. Se ele tiver de ficar algumas semanas de molho, o São Paulo passa a depender de Willian José, que tem sido tão tímido com a camisa do clube, que parece até pedir licença à bola antes de chutá-la a gol (e como ela nunca responde, Willian, muito polidamente, prefere sempre passá-la a um companheiro). Nilmar poderia jogar centralizado, mesmo que costume se deslocar bem mais que Luís Fabiano.
Considerando o o histórico de lesões recente do Fabuloso e o histórico de quebradeira eterno de Nilmar, somando ao fato de que Lucas passará boa parte do ano a serviço de Mano Menezes, é bom o são-paulino se empolgar com moderação, se é que isso é possível. Quando as estrelas da companhia estiverem todas em campo, a promessa é de um ataque avassalador. Mas quando elas precisarem ser substituídas pela incógnita Osvaldo, o “agora vai” Fernandinho, o discreto Willian José e o ainda iniciante Ademílson, o choque de realidade pode ser muito duro



