Eles jogaram na Europa!

Jogar na Europa é o sonho de 11 em cada 10 jogadores de futebol. A ideia de atuar em equipes com repercussão mundial, em campeonatos de alto nível e com salários astronômicos, fama, poder e tudo mais que os superastros conseguem permeia a mente de todos.

Quando falamos de grandes times europeus, são poucos os jogadores que chegam lá. Muitos grandes jogadores mundiais nunca chegaram a atuar por um grande da Europa – Zico, Edmundo, Sócrates, Júnior, todos passaram pela Europa em equipes que, ainda que tivessem tradição, não estão entre os grandes do continente.

O contrário, porém, às vezes acontece. Jogadores que saem do país sem muito prestígio ou mesmo criticados, algumas vezes chegam ao mais alto patamar do futebol europeu de forma surpreendente. Confira alguns casos:

1. Rodrigo “Beckham” no Everton

Revelado pelo Guarani em 1997, Rodrigo Juliano Lopes de Almeida, conhecido também como Rodrigo “Beckham” pela sua vaidade e cabelos com luzes, passou pelo Gama antes de ser contratado pelo Botafogo, em 1999. Lá o meia ofensivo se destacou pelo chute forte de fora da área.

Foi assim que chamou a atenção de David Moyes, que treinava o Everton em 2002. O meia-atacante foi contratado por empréstimo com duração de uma temporada. O jogador entrou em quatro jogos do Toffees, sempre como substituto. No dia 17 de setembro, ainda no início da temporada, sofreu uma ruptura dos ligamentos do joelho e precisou ficar oito meses afastado.

Em maio do ano seguinte, quando seu vínculo se encerrou, o técnico lamentou, mas disse que o jogador não tinha se recuperado plenamente, embora estivesse treinando bem, e decidiu não contratá-lo em definitivo. Foi o fim da aventura inglesa de Rodrigo, que voltou ao Botafogo. Daí em diante, rodou por diversos clubes. Aos 34 anos, hoje defende o Red Bull Brasil, que recentemente conquistou o acesso à Série A2 do Campeonato Paulista.

2. Mazinho Oliveira no Bayern

O atacante Waldemar Aureliano de Oliveira Filho, ou simplesmente Mazinho, surgiu no Santos, em 1985. Ficou no clube até 1988, quando foi vendido ao Atlético Paranaense. Esteve no Bragantino, onde teve o maior destaque da carreira ao ser campeão paulista em 1990 e na campanha do vice-campeonato do Brasileiro de 91. Quando foi convocado pelo então técnico Roberto Falcão para a Seleção Brasileira que disputou a Copa América de do mesmo.

O destaque rendeu a ele uma transferência para o Bayern Munique, maior clube alemão. Na primeira temporada, fez 28 jogos e marcou oito vezes. Na temporada seguinte, atuou 17 vezes e marcou três gols. Na temporada 1993/94, sem ser utilizado, foi empresado ao Internacional. Voltou ao Bayern e fez apenas três jogos antes de ter seu contrato encerrado. Passou sem destaque pelo Flamengo antes de seguir para o Japão, onde se tornou ídolo, vencendo duas vezes o Campeonato Japonês pelo Kashima Antlers. Ficou quatro temporadas no time antes de seguir para o Kawasaki Frontale por outra temporada e voltar ao Brasil para se despedir do futebol no Bragantino, em 2001.

Quem imaginaria que um jogador do Bragantino – ainda que o time tivesse destaque na época – iria direto para o Bayern Munique?

3. Mirandinha no Newcastle

O Campeonato Inglês é um dos mais prestigiados hoje, mas quando Mirandinha desbravou as terras do norte da Inglaterra como o primeiro brasileiro a jogar no país, ainda não era tudo isso. Atacante de velocidade, passou por muitos clubes, como Ponte Preta, Botafogo e Palmeiras, equipe pela qual foi vendido aos ingleses, em 1987.

Apesar de ser um jogador apenas mediano, conseguiu marcar um gol em Wembley em amistoso contra a Inglaterra em maio de 1987 e, na sequência, a transferência. Jogou por duas temporadas no país antes de retornar ao Palmeiras, em 1989, e seguir sua carreira no Brasil.

O futebol inglês não era em 1987 o melhor campeonato nacional europeu, mas, ainda assim, era uma grande competição e “virgem” para os brasileiros. Quando se pensa que o primeiro jogador brasileiro a jogar na liga inglesa foi Mirandinha, é de se imaginar que foi o maior feito da sua carreira. Mais até do que o seu futebol dentro de campo.

4. Didi no Stuttgart

Atacante alto e forte, Sebastião Pereira do Nascimento, o Didi, chegou ao Corinthians em 1998 para ser o homem gol da equipe. Marcou alguns, mas suas atuações mostraram que o jogador não tinha todo o futebol que dele se esperava para um clube da dimensão do alvinegro. Foi para a Portuguesa no ano seguinte e conseguiu uma incrível transferência para o Stuttgart em 1999. Os alemães pagaram € 1,7 milhão para ter os serviços do atacante, como forma de substituir Fredi Bobic.

Didi nunca conseguia jogar e estava sempre se sentindo mal. Jogou vindo do banco de reservas apenas duas vezes e os médicos do clube acabaram descobrindo uma lesão na cartilagem do joelho. O contrato foi anulado e o jogador seguiu para o Aarau, da Suíça. Passou a vestir diversas camisas desde então, passando pela Coreia do Sul, voltando ao Brasil, e jogando por vários times do México, como Jaguares, Tigres, San Luís, Salamanca e Tempero Madero.

Nunca se firmou em clube algum, e parece inacreditável que o atacante tenha conseguido ir para a Alemanha em um time da importância do Stuttgart. Terminou a carreira jogando pelo Paysandu, aos 35 anos.

5. Bordon no Schalke

Surgiu no grupo de jovens jogadores do São Paulo que venceram a Copa Conmebol em 1994, sob o comando do então auxiliar técnico Muricy Ramalho. Jogador lento, sempre foi contestado e recebia muitas críticas negativas. A própria torcida do São Paulo pegava no pé do jogador, que acabou vendido ao Stuttgart em 1998.

Ficou no clube até 2004, e se destacou na Bundesliga. Foi para o Schalke 04 em 2004 e ficou até a última temporada. Chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira em 2004 pelo então técnico Carlos Alberto Parreira, devido ao prestígio que conseguiu na Alemanha.

Tido como um jogador tecnicamente fraco, poucos esperavam que o zagueiro se tornasse referência de dois times importantes na Alemanha e trilhasse uma carreira que, pode se dizer, foi vitoriosa. Ao final da última temporada, deixou o Schalke para ir para o Al-Rayyan, do Qatar, aos 34 anos.

6. Doni, Artur e Júlio Sérgio na Roma

A Roma, até a temporada passada, tinha nada menos do que três goleiros brasileiros no elenco. Curiosamente, todos saíram do Brasil sem ter destaque – ao contrário, saíram criticados.

Doni, 30 anos, começou no Botafogo de RIbeirão Preto e logo transferiu-se para o Corinthians. Muito contestado, deixou o clube e foi para o Santos. Também não foi bem no alvinegro praiano e seguiu para o Cruzeiro, com novo fracasso. Em 2005, foi para o Juventude, onde jogou com Antonio Carlos Zago, que fez carreira na Roma. Foi o zagueiro que indicou o goleiro aos romanistas, que o levaram para a capital italiana em 2005.

Júlio Sérgio, 31 anos, começou também em Ribeirão Preto, no Botafogo, em 1999, e passou por diversos clubes pequenos antes de chegar ao Santos em 2002. Foi campeão brasileiro daquele ano jogando quase sempre como titular, até Fábio Costa retomar a posição na reta final da campanha, depois de lesão. Assim como Doni, foi do Juvetude para a Roma em 2005. Após a contusão de Doni na última temporada, tornou-se titular da equipe.

A história de Artur, de 29 anos, é um pouco diferente dos dois companheiros. Começou no Cruzeiro em 2003, antes de transferir-se para o Coritiba por empréstimo em 2006. Vendido ao Siena em 2008, jogou por empréstimo no Cesena antes de ir para a Roma em definitivo, ainda naquele ano. Foi normalmente reserva e nesta janela de transferências parou no Braga, de Portugal, onde curiosamente começou também como reserva de outro brasileiro: Felipe, ex-Corinthians.

Quem esperava que qualquer um desses três jogadores, apenas medianos para os padrões do futebol brasileiro, virasse jogador da Roma quando deixaram o país?

7. Geovanni no Barcelona

Surgiu no Cruzeiro como promessa, venceu a Copa do Brasil de 2000 marcando gol na final e acabou vendido ao Barcelona, um dos maiores clubes do mundo. Não foi bem, acabou sendo sempre reserva e pouco jogava. Foi emprestado ao Benfica, outro grande europeu, mas acabou não convencendo e voltou ao Brasil para atuar novamente pelo Cruzeiro, em 2006.

Muito criticado e também reserva, deixou o clube e conseguiu uma transferência para o Manchester City, na temporada 2007/08. Com a chegada dos novos donos do clube e muito investimento para contratações, acabou dispensado. Jogou pelo Hull entre 2008 e 2010, quando também acabou dispensado depois que o clube foi rebaixado para a Championship. Em 2010, acertou com o San Jose Earthquakes para ser o primeiro jogador designado da franquia. E tem apenas 30 anos.

8. Juan Maldonado no Arsenal

O lateral esquerdo surgiu no São Paulo, mas ainda muito cedo, aos 19 anos, transferiu-se para o Arsenal. Ficou no clube londrino de 2001 até 2004, sempre jogando pelas categorias inferiores e pelos reservas. Fez apenas dois jogos pelo time principal, sendo um um deles em um jogo da Copa da Liga e outro na quinta fase da Copa da Inglaterra. Foi emprestado ao Milwall em 2003, time pelo qual fez dois jogos pela Premier League e outra pela Copa da Liga.

Em 2004, voltou ao Brasil para atuar pelo Fluminense, onde finalmente conseguiu a titularidade, fazendo bons campeonatos em 2004 e 2005. Foi para o Flamengo em 2006, onde continuou se destacando e chegou inclusive a ser convocado para a Seleção. Sua experiência na Europa, porém, não foi das melhores.

9. Felipe Melo na Juventus

O controverso volante surgiu no Flamengo em 2001, ano que foi campeão carioca e da Copa dos Campeões, competição que dava vaga à Libertadores. Mas não conseguiu impressionar em suas atuações e acabou vendido ao Cruzeiro em 2003. No clube mineiro, foi reserva do time que foi campeão mineiro, da Copa do Brasil e Brasileiro daquele ano. No ano seguinte, foi para o Grêmio, onde foi titular do time que foi rebaixado à segunda divisão. Considerado um dos culpados, foi vendido ao Mallorca.

Na Espanha, ficou seis meses no Mallorca antes de ir para o Racing Santander. Ficou dois anos no clube e foi para o Almería, onde jogou uma temporada. Conseguiu se destacar e transferiu-se para a Fiorentina.

Com boas atuações, foi chamado para a Seleção Brasileira por Dunga e conseguiu se firmar na equipe que viria a disputar a Copa do Mundo. A visibilidade da Seleção levou o jogador a um dos clubes grandes que menos brasileiros tiveram em seu elenco: a Juventus, e por um valor extremamente alto, € 25 milhões. Teve uma temporada ruim da Juve e não fez uma boa Copa do Mundo, mas vestiu a camisa bianconera como titular – e tudo indica que o volante continuará na equipe, por falta de opções.

10. Belletti no Barcelona e Chelsea

Aos 34 anos, Belletti tem um dos currículos mais vitoriosos de um jogador profissional. Isso depois de um início tímida na carreira, em 1994, no Cruzeiro. Foi envolvido em uma polêmica troca com o São Paulo, quando o São Paulo cedeu cinco jogadores (Aílton, Palhinha, Donizete, Gilmar e Vítor) em troca de Belletti e Serginho. No São Paulo, ficou por seis anos, alternando bons e maus momentos, entre titular e reserva.

Seu melhor momento no Brasil foi em 1999, pelo Atlético Mineiro, quando foi vice-campeão brasileiro atuando como meia ofensivo. Vendido ao Villarreal em 2002, conseguiu destaque atuando pelo lado direito e se transferiu para o Barcelona, em 2004. Ficou no clube até 2007 e foi o autor do gol do título do clube na Liga dos Campeões de 2005/06. Isso sem contar que foi campeão da Copa do Mundo de 2002, como reserva.

Foi para o Chelsea em 2007, onde conseguiu ser campeão novamente, desta vez levantando o título da Premier League e da Copa da Inglaterra, ambos na temporada 2009/10. O meia/lateral voltou ao Brasil em 2010 para defender o Fluminense, com grande prestígio – algo que nem de longe se pensava quando ele deixou o Brasil.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo