“É nosotros” não passa de uma grande farsa. Corinthians não precisa de Libertadores

Há duas tentativas de reescrever a história na praça. Gente que não gosta do povo, explica que não houve golpe no Paraguai. E gente que gosta muito do povo, afirma, sem pejo, que a história do futebol começa a ser reescrita com esse Boca x Corinthians que define a Libertadores.
Se o Boca vencer, terá sido a maior de todas as finais – e ela ainda nem começou – por reunir o time mais popular da Argentina e o mais popular do Brasil. Epa, cadê o Flamengo que estava aqui? A Fielpress deletou.
E se o Corinthians vencer? A América do Sul se renderá ao gigante que enfim encontrou o seu caminho. O “é nóis” vai virar “somos nosotros”. Los gaviones de La Fiel estarão em todos os países. Bolívia, Peru, Equador e todos os outros países terão times chamados de Timon. Ou Equipazo, Ou Corinthians, mesmo. Aviões serão lotados para ver a estréia de Zhizao.
Não vai ser assim. Nem precisa ser assim. Se perder, o Corinthians continuará a ser um gigante. Suas conquistas anteriores e sua torcida garantem isso. Não precisa de Libertadores para ser o que é. Além disso, é um clube que tem se organizado, construiu um CT e tem um novo estádio.
Aliás, se o Corinthians já tem um Mundial e sua torcida diz que não gosta de títulos, por que agora só se fala em Libertadores, por que se tenta vender a idéia de que tudo será diferente.
O Corinthians não passará a ser hegemônico. Continuará perdendo e ganhando. O que muda é que não haverá mais gozações em relação a Libertadores. Ou elas serão de outra forma. Um amigo disse que, ao chegar à final, o Corinthians e igualou ao São Caetano. Se vencer, se iguala ao Once Caldas.
Corintianos que se jactam do epíteto “time do povo” se apóiam em um argumento extremamente antipopular para dizer que, a partir de uma semana, o seu clube passará a ser o único grande do Brasil. “Somos mais ricos e maiores,”, dizem, apostando em uma supremacia financeira. Como se o Chelsea fosse maior que o Barça ou Real Madrid.
E a comparação nem vale. O Corinthians é gigante, tem torcida, tem títulos. Dizer, após a Libertadores, passará a ser o maior de todos, esconde duas coisas: um grande complexo por ainda não tê-la e uma ansiedade por reescrever a história. Inferioridade e arrogância ao mesmo tempo.



