Donos da verdade

Lá vamos nós outra vez, ao invés de debater futebol, debater educação. É chato, mas é assim que tem que ser quando se é aberto ao público, que, infelizmente, não é formado só por pessoas educadas.

Pois bem: as discussões entre leitores nos comentários estão passando dos limites. Uns ofendem aos outros, e aos jornalistas de Trivela, sem pensar duas vezes. E o pior: sem motivo. A razão é sempre a mesma: diferença de opinião. Tem muita gente aqui que tem sua própria verdade, e não está disposto a aceitar que se discuta ela.

É mala, muito mala, assim como é mala quererem ditar a pauta aqui. A pauta é dos leitores, de todos os leitores, da coletividade de leitores. E quem interpreta essa coletividade somos nós.

Para dizer o seguinte: nós não vamos escrever um post sobre o Armando Nogueira. O Armando Nogueira não é nosso mestre. Não o temos como referência, não porque ele não tenha tiradas espetaculares, mas porque a nossa praia é outra. Armando Nogueira foi jornalista, e, quando deixou de ser, virou cronista esportivo. A gente não gosta de cronista esportivo, tem preconceito contra isso, acha que é o cara que tem preguiça de apurar e por isso disfarça isso com um belo texto. Não é jornalismo, é literatura. Eu gosto de literatura, mas não chamo de jornalismo.

Quanto à carreira do Armando Nogueira, me reservo o direito de não ter opinião. Tem razão o Eliakim Araújo, que trabalhou com ele, que observa que, com todas suas qualidades, o jornalista compactuou com muita sujeira na Globo, boicote à campanha das diretas aí incluído. Se nos “anos de chumbo” era difícil contrapor, em 1984 já não era tanto – e fique claro que, até onde se sabe, no episódio do debate de 89 Armando Nogueira foi inocente.

Por outro lado, tenho dificuldade em aceitar que o Juca Kfouri possa elogiar um pelego. Podem xingar o quanto quiserem, o Juca para nós é referência, o que não nos obriga a concordar sempre com ele. Não concordamos, por exemplo, com o entusiasmo dele, e de outros, com relação aos textos do Armando. Mas tenho dificuldade em aceitar que ele possa elogiar um cara que foi comparsa da ditadura. De onde deduzo que, se Armando Nogueira não fez diferente, é porque não dava para fazer.

Não queria escrever sobre o tema, mas não só porque não se trata de um mestre para nós. O que eu queria era evitar a discussão imbecil e virulenta que provavelmente surgirá sobre o tema. NInguém é obrigado a gostar de Armando Nogueira, nem está proibido de fazê-lo. Mas será que a gente consegue discutir isso com um mínimo de respeito?

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo