Dirigentes eternos

“Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. A frase de Abraham Lincoln perdura através do séculos e se mostra cada vez mais atual com o passar do tempo. O ex-presidente dos Estados Unidos falou isso em referência aos grandes chefes de estado, aos políticos que marcaram e marcam a história da humanidade. A frase, no entanto, também pode ser emprestada ao universo do futebol.

Afinal, poucos meios conseguem reproduzir as intrigas, artimanhas e estratégias da política como esse esporte. E, no papel principal desse filme, aparecem os presidente dos clubes de futebol. Autoritários, folclóricos, engraçados, irritantes. Estilos não faltam para caracterizá-los.

Um aspecto, de qualquer modo, é quase intrínseco à categoria: o gosto pelo poder. A Trivela, então, listou dez presidentes de clubes que se tornaram eternos, para o bem ou para o mal.

 

10 – Mário Celso Petraglia

Atlético Paranaense – 1997 a 98, 99 e 2002 a 2003

O período em que Petraglia ficou à frente do Furacão nem é tão grande – resultado, também, das punições recebidas do STJD. Ao todo, em duas gestões, foram apenas quatro anos. Mas o dirigente sempre gostou tanto do poder no clube, que sempre esteve envolvido com o Conselho Deliberativo. Assim, até os dias atuais, Mário Celso Petraglia é onipresente quando o assunto é Atlético Paranaense.

 

9 – Massimo Moratti

Internazionale – 1995 a 2004 e desde 2006

Empresário do ramo de petróleo, milionário e sempre polêmico. Massimo Moratti reúne admiradores entre os torcedores da Inter e move o ódio dos torcedores rivais. Em sua primeira passagem, o clube seguiu sua amargura sem títulos. Já na segunda… Filho de Angelo Moratti, presidente histórico do clube nos anos 1950 e 60, hoje em dia Massimo é também o maior acionista da Internazionale.

 

8 – Irmãos Perrela

Cruzeiro – desde 1995

O primeiro a aparecer foi Zezé Perrela, que depois cairia na política. Em 1995 ele substituiu a família Masci no comando do Cruzeiro. Ficou no cargo até 2002 e foi substituído, justamente, por seu irmão Alvimar. Desde 2009 retornou ao cargo de presidente, mas na prática nunca deixou de mandar no clube em todo esse tempo, quando ocupou outros cargos também. Assim, com o passar do tempo, os irmãos Perrela criam uma dinastia sem data para terminar na Toca da Raposa.

 

7 – Mauricio Macri

Boca Juniors – 1996 a 2007

Quatro Libertadores, dois Mundiais Interclubes, duas Copas Sul-Americana e muitos Aperturas e Clausuras. Os 11 anos da administração de Mauricio Macri à frente do Boca Juniors colocaram o clube argentino como o maior vencedor da América do Sul em todos os tempos. Seu período comandando a equipe mais popular da Argentina foi tão bem sucedido, que a política naturalmente o abraçou. Atualmente é o Chefe de Governo da cidade de Buenos Aires, ou simplesmente o prefeito.

 

6 – Mustafá Contursi

Palmeiras – 1993 a 2005

Em 1992, o Palmeiras fechou o acordo de patrocínio com a Parmalat. No ano seguinte, Mustafá Contursi assumiu a presidência do clube e só largou o cargo em 2005. Durante sua gestão, o Palmeiras passou pelo céu e pelo inferno. Venceu a Libertadore e foi rebaixado para a Série B. Odiado pela torcida, Mustafá nunca deixou a política palmeirense – algo da qual faz parte desde 1965. Hoje em dia, é um dos conselheiros mais influentes do Palestra Itália.

 

5 – Alberto Dualib

Corinthians – 1993 a 2007

Como é possível ser o presidente mais vitorioso de um clube e ao mesmo tempo o mais odiado? Esse é o grande feito de Alberto Dualib, mandatário máximo do Corinthians por 15 anos, colecionador dos títulos mais importantes do clube, idealizador de uma famigerada parceria, gerador de dívidas milionárias e obrigado a renunciar em 2007. Saiu pela porta dos fundos do Parque São Jorge e passou a ser alvo de investigações do Ministério Público.

 

4 – Jesús Gil

Atlético de Madrid – 1987 a 2003

Poucos dirigentes na Espanha pós-Franco misturaram tanto política e esporte como Jesús Gil. Entre 1987 e 2003 foi presidente do Atlético de Madrid. E entre 1996 e 2002 chefiou a prefeitura de Marbella. Essa mistura gerou um dirigente popularesco, com um relacionamento entre o amor e o ódio com a torcida rojiblanca e apegado a polêmicas de todos os tipos – desde as esportivas até outras bem mais sérias, como acusações de homofobia. Faleceu um ano após deixar a presidência do Atleti.

 

3 – Eurico Miranda

Vasco da Gama – 2001 a 2007

O período de Eurico Miranda como presidente do Vasco da Gama nem foi tão grande, em comparação com outros deste ranking. Foram apenas sete anos, mas antes disso, mandou no futebol do clube por quase duas décadas. E na relação política-futebol, Eurico foi, certamente, o pior no ranking brasileiro. Elegeu-se deputado prometendo ajudar o Vasco, e ganhou algumas eleições assim. Sempre desdenhou das autoridades, se sentia acima do bem e do mal. Acabou cassado, mas mesmo assim, hoje em dia, ainda há torcedores que querem sua volta.

 

2 – Silvio Berlusconi

Milan – 1996 a 2004 e desde 2006

Uma estatística mostra o quanto Silvio Berlusconi gosta do poder. Atual primeiro-Ministro da Itália, o político só não está no cargo há mais tempo do que uma pessoa: Benito Mussolini. Figura costumeira nos noticiários políticos, esportivos, de fofocas, enfim, uma figura mundialmente pública e polêmica – são tantas, que caberiam em um “Top 10 de polêmicas do Berlusconi”. No Milan está desde 1986 como presidente, com o hiato de três anos entre 2004 e 2006. Na verdade, é o proprietário do clube e quem manda e desmanda.

 

1 – Vicente Matheus

Corinthians – 1959 a 61, 1972 a 81, 1987 a 81 e 1987 a 1991

O termo folclórico entrou no abre deste Top 10 por causa de uma única pessoa: Vicente Matheus. O corintiano mais analítico sabe que o dirigente mais atrapalhou do que ajudou o crescimento do clube. Por mais que tenha dado ao Corinthians seu primeiro Campeonato Brasileiro, suas atitudes deixaram a equipe de Parque São Jorge parada no tempo por muito tempo. No entanto, peça para qualquer corintiano dizer o nome de um presidente e, certamente, a maioria dirá Vicente Matheus. Dono de frases históricas, “seu” Vicente, espanhol de nascimento e típico no temperamento, faleceu em 8 de fevereiro de 1997. Antes disso, chegou a emplacar a esposa, Marlene, no cargo entre 1991 e 93.

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Equipe Trivela

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