Dioko Kaluyituka: sensação do Mazembe

 

Por Rodolfo Zavati

“Mundial é Europa x América do Sul, amigo.” “Esses times entram por politicagem da FIFA, todo mundo sabe.” “Ah, bom mesmo era o jogo único.” Desde 2000 (ou 2005 – a polêmica não tem fim), quantas vezes você leu ou ouviu tais máximas, a cada início de Mundial de Clubes da Fifa? Desde que a entidade máxima do futebol formatou o torneio de sua maneira atual, as equipes de fora do eixo Europa-América do Sul vêem seus jogos contra os campeões da Champions League e da Libertadores serem tratados, por muitos, como mera formalidade – como se os portadores de tais opiniões conhecessem suficientemente bem os times em questão para descartá-los de tal forma.

Sendo assim, a vitória do congolês TP Mazembe diante do Internacional pode ser considerada uma das maiores, talvez a maior, surpresa já acontecida num jogo interclubes de grande porte. O “todo poderoso Mazembe” surpreendeu, mostrando jogadores dotados de maturidade, frieza e boa capacidade técnica, contrariando o esteriótipo que associa inonência e força física ao futebol africano.

Entre os heróis da equipe do ex-Zaire, destaca-se um atacante veloz e driblador. Camisa 15 às costas, Dioko Kaluyituka recebeu, já no fim da partida, um lançamento que veio do goleiro Kidiaba. Ao invés de segurar a bola e ganhar tempo, partiu para cima de Guiñazú e entortou o raçudo volante argentino com um pedalada, completando o lance com um chute rasteiro, no canto direito de Renan. Golaço histórico, que sepultou definitivamente qualquer pretensão do Colorado empatar a disputa.

História

Alain Dioko Kaluyituka nasceu em 2 de janeiro de 1987, na República Democrática do Congo. Como muitos outros nativos de um dos países mais pobres do mundo, o local de sua cidade natal é desconhecido. E, como não poderia ser diferente, começou a carreira ainda jovem: aos 17 anos, já atuava profissionalmente pelo Vita Club, tradicional clube congolês de Kinshasa e antigo campeão africano de clubes.

Seu talento chamou tanta atenção que, já em 2004, ganhou suas primeiras convocações para a seleção congolesa, mesmo enfretando a concorrência de vários nomes mais experientes e integrantes de times europeus. Após dois anos na equipe da capital, chamou a atenção do Mazembe, sendo contratado pelos Corvos em 2007.

No time de Lubumbashi, Kaluyituka rapidamente tornou-se um dos principais nomes. Seu primeiro ponto alto aconteceu na CAF Champions League de 2009. Após 41 anos de jejum, o antigo Englebert voltava a conquistar o título continental. Além do título, Dioko levou para casa a Chuteira de Ouro do torneio, após terminar a competição na liderança do ranking de artilheiros, com oito gols.

No Mundial de Clubes de 2009, o atacante, assim como o Mazembe, passou despercebido, caíndo diante dos sul-coreanos do Pohang Steelers nas quartas-de-final e perdendo do Auckland City, campeão da OFC, na melancólica disputa pelo quinto lugar.

Entretanto, em 2010, o Mazembe ganharia novamente o principal torneio africano de clubes, repetindo o bi de 1967/1968. Na primeira partida das finais, contra o Esperánce, da Tunísia, o jovem avante deixou sua marca: um gol de pênalti, que ajudou a transformar um duro 1-0 num retumbante 5-0 – resultado que praticamente definia o título ali.

O protagonismo maior ainda estava por vir, alguns meses depois, nos gramados dos Emirados Árabes, com a histórica vitória nas semifinais do Mundial de Clubes. É possível imaginar que, após tamanho cartaz, os sempre atentos olheiros europeus o levem para o Velho Continente em breve, ainda mais se o arisco avante repetir uma boa atuação diante da Internazionale. Porém, independentemente do que aconteça na final, o nome de Dioko Kaluyituka já está escrito nas páginas mias gloriosas do futebol africano. E depois de sábado, quem sabe, na história do futebol mundial.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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