Deportivo Quito: braços cruzados

Quando o experiente volante Edwin Tenorio marcou, aos 39 minutos do segundo tempo, o segundo gol do Deportivo Quito frente ao Deportivo Macará, boa parte da capital equatoriana respirava aliviada. A vitória por 2 a 1 fora de casa, no dia 3 de dezembro de 2008, dava ao clube de Quito o título do campeonato nacional com uma rodada de antecedência no hexagonal final. De quebra, acabava com o jejum de 40 anos sem títulos da equipe e via o rival, LDU, oito pontos atrás na tabela.

Juntamente com o troféu, o Deportivo Quito ganhou vaga direta à Libertadores da América de 2009, onde acabou no Grupo 5 ao lado de Cruzeiro-BRA, Estudiantes-ARG e Universitario de Sucre-BOL. A equipe retorna ao torneio continental após onze anos de ausência, o que confirma o histórico negativo na competição. Desde a primeira participação, em 1965, o clube acumula apenas seis Libertadores no currículo, das quais não foi mais além que as oitavas-de-final.

Do céu ao inferno em duas décadas

No dia 20 de fevereiro de 1955 era fundada a Sociedad Deportivo Quito, em substituição à Sociedad Deportiva Argentina, criada em 1940 e que se caracterizava pela qualidade dos jogadores, de onde surgiu o apelido que até hoje é reconhecido pelo clube: “A Academia”. No entanto, como o futebol no Equador ainda era considerado amador, a equipe participava apenas do campeonato de Pichincha, província na qual se localiza a cidade de Quito.

O Campeonato Equatoriano de Futebol foi criado ao final da década de 50, mas reunia apenas quatro equipes e permanecia longe de ser um exemplo de organização. A fórmula se baseava nas duas principais províncias do país (Pichincha, sediada em Quito, e Guayas, com capital em Guayaquil), onde os campeões e vice de cada disputavam o campeonato nacional.

Já no início dos anos 1960 o Deportivo Quito apostou no técnico uruguaio Héctor Scarone, que possuía um currículo invejável como jogador, com títulos do sul-americano, olímpico e mundial na década de 30. Porém “El Mago” não conseguiu dar à Academia mais que alguns títulos pichinchanos. Ironia ou não, sem o grande Scarone, em 1964, o Deportivo levou o primeiro campeonato equatoriano de sua história ao bater LDU e El Nacional em um triangular final. Quatro anos depois, a segunda taça era levantada após liderar o torneio de ponta a ponta. O futuro prometia, mas ocorreu o contrário.

A década de 70 poderia não constar nos autos do clube de Quito, pois a partir de 1973 viveu a pior fase da história. Sem dinheiro, a equipe via-se obrigada a vender seus talentos para a Europa, o que dificultava a formação de um plantel de alto nível. Uma época considerada com mais desencantos do que êxitos e culminaria no rebaixamento à segunda divisão. Somente na segunda metade de 1980 que ocorreu o retorno ao primeiro escalão do Equador.

De Aguinaga a Saritama

Quem não lembra daquele equatoriano loiro, cabelos compridos e um futebol clássico de invejar muito brasileiro? Precisão no passe, na finalização e ótima visão de jogo que incomodava as defesas sul-americanas na década de 90? Trata-se de Alex Aguinaga, “El Maestro”, considerado o maior jogador da história do Equador. O atleta que com apenas 16 anos foi lançado ao profissional do Deportivo Quito e, logo em seguida, o destaque do Campeonato Sul-Americano Sub-17, em 1985.

Aguinaga acabou como um pequeno ponto fulgurante do clube desde o retorno à primeira divisão do Equador, em 1980. Pois desde lá até 2008 poucos momentos podem ser mais lembrados que o surgimento do craque nas categorias de base e sua escolha de revelação da Copa América de 1989, então com 21 anos. Tal performance fez o Milan, da Itália, enviar seu assistente técnico, Fábio Capello, para levar o atleta a Milão. Uma tentativa frustrada pelo fato de Aguinaga ter sido negociado com o Necaxa, do México, pouco antes.

O meio-campista Edison Méndez, 29 anos, é outro jogador no rol dos ídolos do Deportivo. Ele iniciou a carreira no time em 1997, onde permaneceu até 2002, ano em que participou da Copa do Mundo pela seleção nacional e levou a equipe às oitavas-de-final. A desenvoltura de Méndez para atuar em todas as funções do meio-campo fez com que o atleta se transferisse para o PSV Eindhoven, da Holanda, em 2006.

Entretanto o único que pode chegar aos pés de Aguinaga em termos de idolatria é o volante Luis Saritama, 25 anos. Saritama foi o capitão e um dos baluartes da campanha que culminou com o título equatoriano do Deportivo Quito em 2008 e pôs fim ao jejum de 40 anos. Com passagem pela seleção nacional na Copa de 2006, resta saber se o meio-campista aguentará a pressão de liderar o time em busca da classificação na fase de grupos da Libertadores.

Greve em meio a Libertadores

A uma semana do segundo jogo pela Copa Libertadores da América (previsto para o dia 25 de fevereiro contra o Cruzeiro), no Estádio Olímpico Atahualpa, os jogadores do Deportivo entraram em greve contra a diretoria. Eles reclamam de dois meses de salários atrasados, pois apesar do título nacional, o clube entrou em crise. No início da temporada, o técnico campeão equatoriano, Carlos Sevilla, pediu demissão por não ter recebido uma bonificação pela conquista. Em seu lugar assumiu Ruben Dario Insua.

Na estreia da competição continental o empate por 1 a 1 com o Universitario de Sucre, na Bolívia, foi considerado de bom tamanho pela diretoria. Donoso marcou o gol de empate aos 23 minutos do segundo tempo para os equatorianos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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