David Silva: Canário vai cantar de galo?
Baixinho habilidoso, com algum poder de finalização, ótimo drible e extremamente rápido. Versátil o suficiente para jogar tanto como um médio-ala quanto como um segundo atacante para puxar o contra-ataque. Seu nome? David. Seu time? Valência.
Não, não é dele que estou falando. Ao contrário do seu xará de gols oportunistas e da consistente passagem pela seleção, o David que falo é mais novo e muitíssimo menos badalado, mas com um futuro também promissor. Falo de David Silva, um meia-atacante das ilhas Canárias de vinte anos que tem despertado bastante interesse nas terras espanholas.
Ainda não o conhece? Não é o único. Silva está naquela fase de ver seu nome pipocando aos poucos nos jornais. Hoje, ainda é um reserva dos minutos finais. Quique Sánchez Flores o utiliza com as intenções de sempre: mudar o resultado e/ou dar um “calor” nos adversários e/ou segurar a bola no ataque. Não tem ido mal, anotou alguns gols importantes como na partida de qualificação para a Champions League. Mas Silva ainda está longe de ser o furacão que encantou os torcedores do Celta de Vigo com 34 jogos e 4 tentos, sendo três deles numa única partida contra o Espanyol.
Silva é uma prata da casa valenciana, chega aos Ches com 13 anos de idade. Para ir crescendo e ganhando experiência, Silva foi rodando por equipes menores até explodir no Celta. Além do citado time do sul da Galícia, Silva também teve uma boa passagem pelo Eibar, atuando em 35 partidas e anotando 5 gols. Além disso, suas apresentações por todas as seleções de base espanholas tiveram destaque.
Pablito quem?
Se no Celta de Vigo tornou-se, rapidamente, o queridinho da torcida, a situação mudou dramaticamente. Não que seja apenas mais um no Valência, mas está longe do status de tupãzinho dos Ches. Longe dos tempos azuis, Silva terá todo o trabalho do mundo para se firmar na terceira força espanhola. A concorrência é enorme.
A diretoria, no entanto, parece confiar no potencial do garoto. Quando o Zaragoza estudava se reforçar e fez a proposta pelo instável Pablito Aimar, os xeneizes não pestanejaram: “vai, meu filho, vai”. Vozes na imprensa espanhola interpretaram a ação como um claro favorecimento para Silva; o espaço aberto com a saída do argentino, contudo, ainda é muito pouco para quem tem no elenco constantes como Angulo, Regueiro, Vianna e, até, o Jaime Gavillán. Isso sem contar que os titulares são Vicente, Joaquin e o próprio David Villa. É, não está nada fácil.
A pergunta vem implacável: tem futuro? É sempre uma resposta delicada, mas as probabilidades são grandes. Por isso, a escolha de permanecer em Valência soa equivocada. Quando estava com um ano de contrato pela frente, em meados de julho último, descarta as investidas de Tottenham e Atlético de Madrid, além do próprio Celta, dizendo que fica. Amadeo Carboni, hoje do outro lado do balcão, disse na ocasião: “qualquer diretor esportivo sabe que Silva e Gavillán têm um grande futuro pela frente. Apesar de jovens, mostraram uma maturidade em campo que impressionou outras equipes”.
A elogio (e a proposta financeira) funcionaram e Silva é o camisa 21 do Valencia. Resta saber se as constantes mudanças e o ambiente um tanto agitado do clube vão oferecer o que ele precisa para se tornar um craque.



