“Dá no zagueiro que ele resolve”

A dica de pauta é do @bonassoli. Sabe aquele zagueiro que é tão bom no jogo aéreo, que você até pede jocosamente que o seu treinador o escale no ataque, para se ver livre do atacante que cisca, cisca e não produz nada que se aproveite? Como diz o clichê: cuidado com o que você deseja, pois pode acabar sendo atendido. Aconteceu no domingo, no jogo entre Atlético-PR e Corinthians-PR. Jogo truncado, disputado debaixo de chuva, com o rubronegro cheio de reservas, uma partida sem grandes atrativos, para não dizer nenhum. Mas para animar um pouco, o uruguaio Juan Carrasco, treinador atleticano, resolveu surpreender.

Com o jogo voltando do intervalo empatado em 1 a 1, sobe a plaquinha indicando a substituição: sai o atacante Ricardinho, entra o zagueiro Manoel, normalmente titular da equipe, mas que estava sendo poupado. O torcedor mais afoito talvez tenha xingado o Carrasco de retranqueiro. E pouco depois, tomado um susto ao ver que o zagueirão entrou mesmo foi para jogar de centroavante. Perguntado sobre o assunto, Manoel disse que o técnico já havia conversado com ele sobre essa possibilidade. Talvez sem acreditar muito que a ideia maluca sairia do papel, ele topou, disposto a fazer tudo o que pudesse para ajudar a equipe.

O placar não sofreu modificações durante a segunda etapa e, claro, a imprensa se dirigiu à coletiva do técnico Carrasco (nome sugestivo para alguém prestes a ser jogado aos leões) salivando. Levantou-se a suspeita de que a atitude do uruguaio seria um protesto por não ter seu pedido por um atacante de área acatado pela diretoria. Oficialmente, a justificativa foi querer aproveitar a desenvoltura do atleta no jogo aéreo, tanto ofensivamente, quanto defensivamente. O treinador ainda bradou que, se o jogo tivesse terminado 4 ou 5 a 1, todo mundo acharia normal a substituição.

Não funcionou com Manoel, o que não quer dizer que a estratégia não possa funcionar em um momento de total desespero. Em 1998, o Santa Cruz recebia o Volta Redonda e dependia de uma vitória, aliada a uma combinação de resultados, para não cair para a Série C. O tricolor tinha um jogador a mais em campo, sufocava o adversário e até os placares das outras partidas ajudavam, mas o do Arruda havia empacado no 2 a 2. Aos 43 do segundo tempo, o técnico Givanildo Oliveira chutou o balde e pôs em campo o zagueiro grandalhão Rau, com a clara recomendação de que ele ficasse no meio da área, esperando por cruzamentos, da mesma forma que brincava nos treinos recreativos da equipe, nos quais mantinha fama de goleador.

Quando um goleiro deixa a sua meta para ajudar no ataque, o ato é visto como heroico. Já quando um beque se instala na área adversária, a coisa costuma resvalar para o ridículo. Mas quem se apressou a fazer piada, se deu mal, pois, aos 46, a bola é alçada à área e vai parar justamente na cabeça de Rau, que marca o gol da salvação coral. Gol que, de quebra, rebaixou o próprio Volta Redonda e também o Fluminense, que empatava com o ABC, em Natal. O zagueiro viveu dias de astro, dando seguidas entrevistas à imprensa. Não teve, no entanto, vida longa no clube, já que como zagueiro ele era um ótimo atacante improvisado. Ficou mesmo é na memória.

O relato do segundo tempo daquela partida pode ser conferido no vídeo abaixo, captado de um programa esportivo local. Com direito a comentários elogiosos à inventividade de Givanildo. A mesma euforia que Juan Carrasco esperava provocar quando Manoel deixasse a sua marca contra o Corinthians-PR. Fica para a próxima.

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Equipe Trivela

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