Cuba: Futebol quase centenário, mas inexpressivo

Por Rodrigo Gasparini

A seleção cubana de futebol se prepara para disputar, a partir de 18 de agosto, a Copa das Nações do Caribe, torneio que dará quatro vagas para a Copa Ouro 2011, nos Estados Unidos.

Os dois primeiros jogos serão em Antígua e Barbuda, inicialmente contra Suriname e depois diante da seleção local (dia 20). São partidas válidas pelo grupo B, que tem ainda a seleção de Saint Martin. Nesta primeira fase, se classificam o vencedor de cada uma das quatro chaves e os dois melhores segundos colocados.

A julgar pelo retrospecto recente, o time do técnico Raul Gonzales tem efetivas chances de obter uma das vagas para a competição do ano que vem. Afinal, conseguiu o feito nas quatro edições anteriores do torneio (2003, 2005, 2007 e 2009). Na última, porém, Cuba abriu mão da disputa – que também ocorreu nos Estados Unidos – alegando não ter tempo hábil para montar uma equipe competitiva.

História

O primeiro jogo do qual se tem notícia em Cuba ocorreu no dia 11 de dezembro de 1911. Foi um amistoso entre as equipes Hatuey e Rovers, que venceu por 1 a 0, com gol de Jack C. Orr.

A Asociación de Fútbol de Cuba, entidade que rege o esporte no país, foi fundada em 1924 e, cinco anos depois, já fazia parte da Fifa. Mas, apesar de quase centenária, a modalidade ainda está longe de ser popular na ilha. Perde fácil para o beisebol, o boxe e até para o xadrez.

Cuba nunca conquistou um título de futebol. Na própria Copa do Caribe, foi vice-campeã em 1996, 1999, 2003 e 2005. No Campeonato da Concacaf (antecessor à Copa Ouro), obteve o quarto lugar em 1971. Nos Jogos Pan-Americanos, foi medalha de bronze em 1971 e 1991 (esta edição disputada em Havana) e prata em 1979.

Outra participação destacada ocorreu nas Olimpíadas de 1980, em Moscou, na antiga União Soviética. Classificada graças ao boicote dos países capitalistas, a seleção cubana estreou vencendo a Zâmbia por 1 a 0 e depois bateu a Venezuela por 2 a 1. Na sequência, foi goleada pelos donos da casa por 8 a 0. Ainda assim, jogou as quartas-de-final e foi eliminada com a derrota por 3 a 0 para a Tchecoslováquia.

No ranking da Fifa, os cubanos ocupam atualmente a 114ª colocação – o ponto mais alto foi o 46º lugar, registrado em novembro de 2006.

Única Copa

Cuba disputou apenas uma Copa do Mundo. Foi em 1938, na França, quando obteve o sétimo lugar, após cair nas quartas-de-final.

Na estreia, em 5 de junho, diante da Romênia, empate por 3 a 3 em Toulouse. Coube a Socorro, aos 40 minutos do primeiro tempo, a honra de marcar o primeiro gol cubano na história dos mundiais. Fernandes e Tunas fizeram os outros.

Aquele Mundial foi disputado no sistema mata-mata e o regulamento da época mandava que, havendo empate, a partida seria repetida. Então, lá se foram cubanos e romenos para novo duelo, novamente em Toulouse, no dia 9 de junho. E as oito mil pessoas que compareceram ao estádio viram um momento único na história das Copas: uma vitória cubana. Após sair perdendo (Dobai abriu o placar aos 35’ da primeira etapa), Cuba virou com Socorro, aos 5’, e Oliveira, aos 10’ – ambos no segundo tempo.

Era a primeira vez que um país caribenho jogava o Mundial – e já estava nas quartas-de-final. Mas a empolgação parou por aí. No duelo contra a Suécia, dia 12 de Junho, em Antibes, derrota por sonoros 8 a 0 e a consequente volta para casa.

O país nunca mais conseguiu vaga para disputar a Copa do Mundo. Nas eliminatórias para o Mundial da África do Sul, foram três vitórias (duas sobre Antígua e Barbuda e uma sobre a Guatemala) e cinco derrotas (duas para Estados Unidos e Trinidad e Tobago e uma para a Guatemala). A campanha teve 13 gols marcados e 21 sofridos (saldo negativo de oito).

Política no futebol

Quando Cuba e Estados Unidos – duas nações que mantêm relações diplomáticas nada amistosas – caíram no mesmo grupo na terceira fase das eliminatórias da Concacaf para a Copa de 2010, o mundo ficou apreensivo. Afinal, históricos de problemas não faltavam.

O primeiro jogo ocorreu em solo cubano, no dia 6 de setembro. A última vez que a seleção principal norte-americana de futebol havia visitado a ilha caribenha datava de 61 anos atrás. Portanto, 15 anos antes do embargo comercial imposto por Cuba aos Estados Unidos e das restrições para a entrada de cidadãos ianques no país governado pelos irmãos Castro.

Um gol de Dempsey deu a vitória por 1 a 0 aos Estados Unidos. De inesperado mesmo, só o aplauso dos jogadores norte-americanos à torcida cubana, ao final da partida.

A expectativa para o segundo jogo, dia 11 de outubro, em Washington, era grande. Afinal, meses antes cinco jogadores cubanos haviam desertado após enfrentarem os Estados Unidos pelo torneio pré-olímpico. Mas, desta vez, o maior problema para Cuba foi sofrer a goleada de 6 a 1.

Agora, a missão de dirigentes, comissão técnica e jogadores cubanos é, política à parte, preparar o time para, quem sabe, garantir presença na Copa de 2014 no Brasil. Ou, como eles dizem, “en el país de la samba”.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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