Cotia tem joia. E bijuteria

O centro de formação de atletas de Cotia é a maior realização de Juvenal Juvêncio como presidente do São Paulo. Ali, há toda a infraestrutura necessária para a revelação de jogadores e é muito difícil fazer futebol profissional sem criar jogadores no clube. E nem estou falando de craques. Jogadores médios como Jean são importantes. Se você não os revela, vai ter de gastar em contratações.

A safra atual de jogadores revelados em Cotia é uma das três melhores dos últimos 20 anos. Em 93, 94 vieram Rogério Ceni, Pavão, André Luiz, Caio e Cate. Em 2000, foi a vez de Kaká,  Júlio Batista e Jean, o zagueiro. Agora, Lucas, Casemiro, Wellington, Henrique, Uvini e Oscar, que foi para o Inter.

Um trabalho importante e imprescindível, repito. Mas, quem é craque? Quem é verdadeiramente um jogador para ficar na história do clube? Ou, do futebol brasileiro.

Não vejo nenhum craque na atual safra. Mas vamos buscar parâmetros para comparações. Na primeira safra, o craque é Rogério Ceni. Ninguém discute que ele é um jogador que ficará na história do clube. Na segunda safra, o craque é Kaká. Mas jogou pouco tempo (123 jogos e 48 gols) e não alcançou o patamar de Ceni. No São Paulo, bem entendido. Fora do Morumbi, firmou-se como um grande jogador. Foi ídolo no Milan e vai ser no Real Madrid.

E da turma atual? Lucas é o destaque. Jogador rápido, forte e com bom drible, vem de trás com a bola e é capaz de gols como esse que fez contra a Argentina. Tem ainda o que melhorar, como por exemplo saber a hora de dar o passe. Muitas vezes, ao fazer isso, encontra apenas a perna do adversário, pois está de cabeça baixa. Foi assim, contra o Botafogo.

Lucas merece ser chamado de jóia, como faz a torcida. Mas alcançará o nível de Ceni? Estará, um dia, na seleção de 11 maiores jogadores da história do clube? E de Kaká? Será titular em uma Copa do Mundo? Ainda é cedo para dizer, mas pode chegar lá. Difícil será tirar de Neymar o posto de grande craque da geração.

Oscar é o segundo nome da turma. Mais técnico que Lucas, parece ter menos personalidade. No início no São Paulo, chorou ao errar um pênalti. É introvertido, não grita em campo, parece omisso. Está jogando muito no Inter, mas não consigo vê-lo como um grande craque no futuro. Será menos que Alex, que brilha na Turquia.

Casemiro? É um volante de alta técnica, que também sabe marcar? Ou é um meia com alguma habilidade e com muita facilidade para a recomposição, além de dono de boa cabeçada? Se for meia, é bom ter claro que não é e nem será um Kaká. Talvez seja como Hernanes, mas se for um novo Julio Batista já está bom. E isso é um elogio. Considero Julio Batista um bom jogador.

Wellington? Marca bem, tem boa saída de bola, mas precisa, urgentemente melhorar o passe. Bruno Uvini? Quando dizem que um zagueiro tem liderança, é bom desconfiar. Zagueiro precisa ter foca, impulsão e velocidade. Henrique? Eu o considero muito baixo para ser um centroavante vencedor.

Acho que Wellington pode chegar ao nível de André Luiz e Julio Batista. Henrique não será bom como Caio. E Uvini pode ser melhor do que Jean.

Todos eles são jogadores que justificam o esforço realizado em Cotia. Mesmo que não joguem, serão vendidos e darão dinheiro ao clube. Mas a realidade é que de todos só Lucas pode ser craque. Por enquanto. Rodrigo Caio não é titular, mas aposto nele como dono de um grande futuro.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo