Construindo a história

A Bósnia e Herzegovina é um pequeno país cravado nos Balcãs, com população estimada de 3,8 milhões. Bem menos do que havia em 1991, antes da Guerra da Iugoslávia, quando os bósnios eram estimados em 4,3 milhóes. É uma nação pobre, 68a colocada no Índice de Desenvolvimento Humano e com uma história recente marcada por conflitos. Mesmo assim, em meio a tantas dificuldades da economia atual, o país cresce. E o futebol, como um milagre, rende esperanças para o povo.

Nesta sexta-feira a seleção da Bósnia garantirá, ao menos, a classificação para os play-offs das eliminatórias da Euro 2012. Recebe no estádio Bilino Polje, em Zenica, o fraco time de Luxemburgo. Soma 16 pontos após oito rodadas no Grupo D, quatro a mais que a terceira colocada Romênia e um a menos que a líder França. O líder de cada chave se garante automaticamente na Ucrânia/Polônia, assim como o melhor vice-líder, enquantos os demais segundos colocados se matam para sobrar quatro. Na última rodada o Stade de France será o palco da final desse grupo.

Historicamente, a Bósnia nunca foi fundamental para a formação das seleções iugoslavas. De todas as repúblicas, talvez seja a que menos tem histórico no futebol. E até bem pouco tempo a situação era mais ou menos essa, até pelo curto tempo de vida. A primeira partida como seleção independente aconteceu nove dias após os términos dos conflitos nos Balcãs, em 30 de novembro de 1995. Foi uma derrota por 2 a 0 para a Albânia, em Tirana. De lá para cá, muito mudou.

A primeira geração foi liderada por Meho Kodro, Elvir Balji (assistente técnico da equipe hoje), Elvir Bolic e Hasan Salihamidzic (ainda em atividade, aos 34 anos, pelo Wolfsburg). Eliminações nas eliminatórias da Copa e da Euro. Em 2004 chegou muito próxima de disputar a Eurocopa: ficou a um gol de vencer e eliminar a Dinamarca, tomando seu lugar.

Veio, então, a atual geração. Edin Dzeko (Manchester City), Zvjezdan Misimovic (Dynamo Moscou), Senad Lulic (Lazio), Senijad Ibricic (Lokomotiv Moscou), Miralem Pjanic – que fugiu da guerra na infância para crescer em Luxemburgo, coincidentemente – (Roma), Vedad Ibisevic (Hoffenheim), Emir Spahic (Sevilla), Elvir Rahimic (CSKA Moscou)… Todos jogando fora do país, com experiência internacional e capacidade de conduzir a Bósnia para sua primeira grande competição. Bateram na trave em 2010, quando caíram duas vezes por 1 a 0 para Portugal na repescagem da Copa.

Sob o comando de Safet Susic, no cargo desde 2009, os bósnios têm sido a boa surpresa desta fase preliminar da Euro. O bom futebol credencia o time a sonhar com a vaga direta e ousar derrotar os Bleus em território inimigo. E a campanha ainda pode ser premiada com o posto de melhor segunda colocada – atualmente aparece atrás apenas da Dinamarca. Toda uma história de vida em construção. Social e esportiva.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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