CONHEÇA A SELEÇÃO | Suécia: o gigante nórdico

Por Marcus Vinícius Garcia

O futebol chegou à Suécia em 1870, junto com esportes como o rugby e o hockey. Inspirada por Inglaterra e Escócia, pioneiros no futebol, a Suécia disputou seu primeiro torneio nacional em 1885 com regras criadas pelos clubes de Gotemburgo, Estocolmo e Visby. O futebol do país começou a usar as regras modernas (oficializada pela International Board em 1882) somente em 1892.

A Federação Sueca de Futebol foi oficialmente fundada no dia 18 de dezembro de 1904. No mesmo ano, foi uma das co-fundadoras da maior entidade do esporte bretão no mundo.

Sua primeira partida oficial como seleção profissional foi no dia 12 de julho de 1908, contra a Noruega, em Gotemburgo, na qual venceram por 11×3. A seleção sueca também atuaria em sua primeira competição internacional: os jogos olímpicos de Londres. Porém, a participação dos nórdicos amarelos e azuis não foi tão satisfatória. Com oito times na competição, os suecos caíram na primeira-fase com uma derrota expressiva por 12×1 para a Grã-Bretanha. Na disputa pela medalha de bronze, a Suécia entrou na vaga dos franceses, que desistiram de jogar após perder por 17×1 para a Dinamarca. Mas a nova chance não foi de grande ajuda. Derrotada novamente, desta vez para a Holanda pelo placar de 2×1, a Suécia terminou os jogos olímpicos em 4° lugar.

Após a sua primeira participação num torneio internacional, a seleção sueca passou a atuar em amistosos, principalmente contra os seus vizinhos nórdicos, como por exemplo a Dinamarca e a Noruega. Os três países tinham um acordo em que cada um jogaria duas partidas contra os outros dois por ano. Até que, por iniciativa das três federações, foi criado um torneio entre eles.

O primeiro Campeonato Nórdico foi disputado em 1924, e contava com Suécia, Noruega e Dinamarca. O torneio “interno” propunha cinco encontros entre eles e deveria durar três anos. O triangular durou quatro anos e depois de 10 partidas disputadas entre os três, a Dinamarca conquistou o troféu com sete vitórias, dois empates e uma derrota – justamente para a Suécia (3×2 em Copenhague).

Apesar do insucesso nas duas primeiras edições do torneio, os suecos se recuperaram e conquistaram as nove disputas seguintes: em 1933/36, 1937/47 (maior duração – 10 anos em decorrência da II Guerra Mundial), 1948/51, 1952/55, 1956/59, 1960/63, 1964/67, 1968/71 e em 1972/77.

O torneio ganhou popularidade na região e servia como preparação das equipes para as disputas das eliminatórias da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Após os anos 70, as seleções começaram a disputar um número maior de partidas internacionais e o certame foi deixado de lado. A última edição do Campeonato Nórdico foi na temporada de 2000/01, contava com seis equipes (Suécia, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Islândia e Ilhas Faroe) e foi vencido pela Finlândia (seu primeiro e único titulo da competição, contra 9 da Suécia, 3 da Dinamarca e 1 da Noruega).

A Suécia voltou a se destacar num torneio internacional: os Jogos Olímpicos de 1924, em Paris (França). Derrotando ninguém menos que o campeão olímpico dos Jogos da Antuérpia em 1920, os nórdicos aplicaram 8×1 na Bélgica. Nas quartas de final, outra goleada: 5×0 no Egito. Na semifinal, derrota para a Suíça por 2×1, tendo que disputar a medalha de bronze contra a Holanda, derrotada pelos uruguaios também por 2×1.

Contra a Holanda, a partida terminou empatada em 1×1. Naquela época, não havia decisão por cobranças de penalidades – o que significa que a decisão do terceiro lugar foi transferida para o dia seguinte. Nesse encontro, a técnica e a forca física dos suecos prevaleceram e o time venceu por 3×1, levando o bronze. Na final, o Uruguai venceu a Suíça por 3×0, faturando a primeira das duas conquistas olímpicas de sua história.

Apos a bela campanha na França, a Suécia teria um novo desafio na sua história: disputar uma Copa do Mundo. O time amarelo-azul disputaria o seu primeiro Mundial em 1934 na Itália, mas não seria tão simples assim, já que as seleções teriam que passar por uma qualificação (o Mundial do Uruguai em 1930 foi realizado com seleções convidadas mais o país sede).

Nas eliminatórias europeias, a Suécia jogou no Grupo 1, com Estônia e Lituânia. Com duas vitórias (6×2 nos estonianos e 2×0 nos lituanos), os suecos garantiram a sua primeira participação na Copa do Mundo.

Na Vecchia Bota, a Suécia mostrou que não estava a passeio. Encontrou a vice-campeã no Mundial anterior, a Argentina, na primeira fase. Vitória por 3×2 de virada. Na fase seguinte, os nórdicos não resistiram aos alemães e perderam o jogo por 2×1. Terminaram a competição em oitavo lugar.

O ano de 1937 foi importante para o futebol do país, marcado pela re-inauguração do estádio Råsunda, em Estocolmo. Inaugurado em 18 de setembro de 1910, com a capacidade de 2 mil pessoas – a maioria em pé – foi um dos primeiros estádios com grama na Suécia. A casa oficial da seleção sueca no país – e do AIK Malmö – foi ampliada para receber capacidade de 36.608 mil espectadores e atender à demanda de público com o máximo de conforto. Em 2005, o Råsunda foi incluso na lista dos estádios europeus chamados “4 estrelas” por atender a todas as exigências de capacidade, conforto e segurança determinadas pela UEFA.

Em 1948, novamente em Londres, a equipe sueca teria um novo destaque nos Jogos Olímpicos. Logo na primeira fase, uma goleada de 3×0 sobre a Áustria. Nas quartas de final, um massacre: 12×0 na Coréia do Sul, com 4 gols do atacante Gunnar Nordahl, 2 de Nils Liedholm e um de Gunnar Gren, os maiores craques suecos. Nas semifinais no lendário estádio de Wembley, um clássico nórdico contra a Dinamarca. A partida prometia muito equilíbrio, já que as duas equipes estavam fortes no torneio. Mas, com a bola rolando, prevaleceu o talento do trio Gre-No-Li (que no ano seguinte brilharia com a camisa do Milan): vitória sueca por 4×2 e a classificação para a disputa pelo ouro.

Três dias depois de derrotar a Dinamarca, a Suécia enfrentaria no templo do futebol inglês (e mundial) outra equipe poderosa: a Iugoslávia. Mas o time amarelo-azul não tomou conhecimento do adversário e aplicou um 3×1, com dois gols de Green e um de Nordahl, e levou no peito a medalha de ouro.

Depois de sua primeira e principal conquista, a Suécia teria uma nova oportunidade de mostrar o seu crescimento no futebol. Jogadores, torcedores e jornalistas suecos tinham a esperança de que a seleção mantivesse a base campeã olímpica para tentar faturar o Mundial de 1950 no Brasil. Mas não era bem isso que os responsáveis pela Federação Sueca queriam – e não permitiram que o time de 1948 (os jogadores suecos profissionais) fosse à América do Sul. O time nórdico jogou com um time amador.

Jogando em São Paulo e em Curitiba, a seleção sueca teve um desempenho acima do esperado e terminou o Grupo 3 (que contava com 3 seleções pois a Índia desistiu da disputa em protesto à FIFA, que não permitiu que os indianos jogassem descalços) classificado em primeiro lugar, superando a bicampeã Itália (que perdeu para a Suécia por 3×2) e Paraguai (empate por 2×2).

No quadrangular final, a Suécia jogou contra Brasil, Uruguai e Espanha. O saldo da Suécia na fase final da Copa foram duas derrotas (para o Brasil por 7×1 e para o Uruguai por 3×2) e uma vitória (sobre a Espanha por 3×1), terminando a competição em terceiro lugar. Na final, o Uruguai foi bicampeão mundial (1930-1950) ao derrotar o Brasil, de virada, por 2×1 (feito conhecido mundialmente como “Maracanazo”, por calar 200 mil pessoas que assistiam a final no Maracanã).

Seis anos mais tarde, a Federação Sueca finalmente permitiu que jogadores profissionais jogassem pela seleção, dando esperança aos torcedores que se preparavam para assistir a um Mundial em casa.

Em 1958, dois anos depois de faturar mais uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Helsinque, na vizinha Finlândia, a Suécia sediou o primeiro Mundial com transmissão ao vivo pelo rádio e pela TV, o qual contava também com a primeira participação dos soviéticos campeões olímpicos em 1956, na Austrália e com a participação de todos os países britânicos (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte). A União Soviética chegou como favorita ao título, junto com a Alemanha, Campeã do Mundo na Suíça em 1954. Hungria e Inglaterra chegaram enfraquecidas pela perda de seus principais jogadores. Os húngaros, por culpa da Revolução Húngara: os jogadores Ferénc Puskás, Zóltan Czibor e Sándor Kocsis deixaram o país para se refugiar na Espanha. Já os ingleses, por causa do desastre com um avião do Manchester United, em Munique, ocorrido em fevereiro do mesmo ano e que vitimou três jogadores do selecionado Albion: Tommy Taylor, Roger Byrne e Duncan Edwards.

Entretanto, nos campos nórdicos a superioridade dos favoritos deu lugar ao equilíbrio. As desacreditadas equipes da Suécia e do Brasil exibiam um bom futebol. Os suecos contavam com dois craques (veteranos) do trio Gre-No-Li: Green e Liedholm, reforçados por Lennart Skoglund (que jogou na Copa de 1950), Kurt Hamrin e Agne Simonsson. Já os brasileiros (que fizeram boa campanha no Mundial da Suíça) atuaram com a base da Copa de 54 – que tinha nomes como Didi, Djalma Santos, Nilton Santos – mais os reforços de Garrincha e de um jovem chamado Pelé.

A Suécia estava no grupo 3, com País de Gales, Hungria e México. Jogando com o apoio da massa, passeou soberana com uma campanha impecável na primeira fase: venceu o México (3×0), a Hungria (2×1) e empatou com Gales (0x0), terminando em primeiro lugar no grupo, seguida pelos galeses.

Nas quartas de final, a Suécia encarou a União Soviética em Estocolmo. Com equilíbrio no primeiro tempo, os nórdicos decidiram o jogo na etapa final marcando dois gols. Aos 4 minutos, Hamrin abriu o placar aproveitando uma falha da defesa vermelha. Os soviéticos lutaram muito tentando o empate, dando o contra-ataque para os suecos, os quais chegavam com perigo à meta de Yashin. Mas aos 43 minutos Green decidiu o jogo a favor do time amarelo-azul num contra-ataque, fazendo 2×0.

Classificado para as semifinais, os suecos enfrentariam a campeã Alemanha, que havia eliminado a Iugoslávia com um magro 1×0. A superioridade alemã durou até os 24 minutos do primeiro tempo, marcando o primeiro gol do jogo. O gol alemão, marcado por Hans Schäfer, não assustou o time da casa, que logo empatou aos 32 minutos com Skoglund num chute cruzado. No segundo tempo, a Suécia aproveitou a superioridade numérica – o zagueiro alemão Erich Juskowiak foi expulso depois de uma agressão em Hamrin aos 14 minutos, sendo o primeiro jogador excluído de campo numa Copa do Mundo – não tomou conhecimento e virou o jogo com Green aos 36 minutos e Hamrin aos 44, derrotando a campeã mundial por 3×1. O anfitrião, sem muitas ambições, estava classificado para a grande final.

A decisão do Mundial seria contra o Brasil – que, até ali, tinha participado de 5 jogos, com 4 vitórias e um empate. Havia derrotado nas semifinais a França de Just Fontaine (artilheiro da Copa com 12 gols) por 5×2, num dos jogos mais memoráveis da história das Copas.

O jogo começava já fora do campo. Como as duas seleções usavam as mesmas cores – camisa amarela e calções azuis – a FIFA realizou um sorteio para definir quem usaria o uniforme principal. A Suécia ganhou o direito de jogar com seu uniforme principal. O Brasil só tinha levado à Escandinávia as camisas amarelas e teve que se virar para cumprir a determinação da FIFA. Membros da comissão técnica brasileira saíram às ruas de Estocolmo, na véspera da final, para comprar camisas azuis. Após adquirir o novo equipamento, os roupeiros da CBD trataram de bordar os escudos da entidade nas camisas durante a madrugada para deixar tudo pronto para o jogo. Ao perceber o descontentamento dos jogadores por não usar o uniforme principal, Paulo Machado de Carvalho – chefe da delegação na Suécia e conhecido como o “Marechal da Vitória” – usou a sua superstição a favor do time, tranquilizando os jogadores ao dizer que o uniforme traria sorte a eles porque entrariam em campo vestindo as cores do manto de Nossa Senhora Aparecida – a santa padroeira do Brasil.

No Råsunda completamente lotado (50 mil espectadores), o time sueco e o seu torcedor – principalmente – acreditavam na conquista do Mundial. Essa confiança se refletiu em campo: a Suécia atacava com muito perigo e abriu o placar aos  4 minutos da etapa inicial com Liedholm, num chute cruzado. O gol dos anfitriões acordou os brasileiros. Seis minutos depois, Vavá empatou o jogo. Aos 33 minutos, o mesmo Vavá virou a partida, colocando os brasileiros em vantagem no placar. O resultado do primeiro tempo fez os suecos caírem na realidade. A segunda etapa foi um massacre. Pelé, com 17 anos e então um mero reserva, começou o jogo como titular ao lado de outro reserva, Garrincha. O jovem atleta do Santos marcou mais dois gols para o Brasil. Aos 10 minutos, numa pintura onde entra na área dando um chapéu no adversário, Pelé marca o terceiro gol. Aos 23, Zagalo recebe na área e chuta cruzado de canhota, para marcar o quarto gol brasileiro. A Suécia, entregue no jogo, demonstrou uma reação no final do jogo: aos 43, Simonsson descontou, marcando o segundo. Mas, para fechar com chave de ouro, Pelé marcou o quinto, de cabeça, e fechou o placar em 5×2, conquistando assim o primeiro dos cinco títulos mundiais do Brasil.

A tristeza pela derrota dos anfitriões era evidente dentro de campo e nas arquibancadas do Råsunda. Porém, numa demonstração de reconhecimento, logo após os mesmos torcedores aplaudiram as duas equipes pelo grande espetáculo. Tanto que os brasileiros deram a volta olímpica carregando a bandeira da Suécia.

O Rei da Suécia Gustav Adolf VI entregou a taça Jules Rimet ao capitão Belini, que imortalizou o gesto sendo o primeiro jogador da história a erguer o troféu sobre a cabeça.

A Copa da Suécia entrou na história não somente pelo time brasileiro ou pela campanha sueca, mas pela artilharia. Just Fontaine foi o grande artilheiro da Copa, com 12 gols marcados em uma só edição – feito mantido até hoje. Já o recorde de gols durou até o Mundial da Alemanha em 1974, quando Gerd Müller bateu essa marca, fazendo 14 gols, porém em duas edições (1970 e 1974). Ronaldo é o maior artilheiro em Copas do Mundo com 15 gols marcados (jogando em 3 edições – 1998, 2002 e 2006), seguido pelos alemães Miroslav Klose e Müller, com 14 cada.

Após a excelente campanha em 1958, o futebol da seleção sueca não resistiu a uma renovação – tanto que nos três mundiais seguintes o time não se qualificou. Nos mundiais de 1974 na Alemanha e de 1978 na Argentina, a Suécia não foi muito longe, caindo nas fases de grupos – nas Copas da Alemanha e da Argentina não existiam as fases de oitavas, quartas e semifinais; o regulamento previa que os dois primeiros classificados de cada grupo teriam de disputar a vaga para a final em outra fase de grupos, uma espécie de quadrangular.

A recuperação do futebol sueco ocorre entre o final dos anos 80 e o início dos 90. Depois de uma participação apagada na Copa de 1990, na Itália, sendo eliminado na primeira fase, com três derrotas (uma delas para o Brasil), os anos seguintes seriam importantes para o futebol do país. Em 1992, a seleção sueca se classificou pela primeira vez para uma Eurocopa por ser o país sede. Como anfitriã e debutante, a Suécia teve um desempenho longe do esperado. Contando com bons e jovens jogadores, como os meias Martin Dahlin e Jonas Thern e os atacantes Tomas Brolin e Kennet Andersson, os amarelo-azuis encararam a França (empate de 1×1), a Dinamarca (vitória por 1×0), a Inglaterra (vitória por 2×1) e a Alemanha (derrota por 3×2). Os anfitriões terminaram a competição em terceiro lugar. Na decisão, os dinamarqueses (que foram convidados no lugar da Iugoslávia, que ficou de fora por causa da guerra civil) venceram a Alemanha por 2×0 e levantaram a taça mais importante da sua história.

Em 1994, novo auge do futebol sueco. Na Copa dos EUA, a seleção nórdica chegou sem o favoritismo, mas surpreendeu. Com a base do time de 1992, mais o atacante Henrik Larsson, os suecos tiveram confrontos memoráveis contra o Brasil na primeira fase (empate de 1×1) e nas semifinais (vitória brasileira por 1×0, gol de Romário). Um dos principais nomes do time sueco na competição – além dos atacantes Brolin e Andersson e do meia Dahlin – foi o goleiro Thomas Ravelli que, além de praticar belíssimas defesas, provocava os adversários. Na semifinal contra o Brasil, o goleiro fez uma de suas melhores partidas na competição, evitando uma vitória com mais de um gol. Eliminada pelo futuro campeão mundial, a Suécia levaria o terceiro lugar – melhor colocação numa Copa do Mundo desde 1958 – ao derrotar a também surpreendente Bulgária pelo placar de 4×0. Com esse desempenho na América, a Suécia chegou a atingir a segunda colocação no Ranking da FIFA, a melhor colocação de sua história – posição que durou por um mês.

Depois de 1994, a Suécia não repetiu mais as suas melhores atuações. Mesmo com seus principais jogadores, o time não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 1998. A partir dai, o futebol sueco continuou a sofrer outras quedas. Na Euro de 2000, realizada na Bélgica e na Holanda, e na de 2008, na Áustria e na Suíça, a equipe não passou da fase de grupos. Em 2004, na Eurocopa realizada em Portugal, depois de se classificarem em primeiro na fase de grupos, os amarelo-azuis foram eliminados pelos holandeses nos pênaltis – com o jovem craque da Juventus, Zlatán Ibrahimovic perdendo uma das cobranças. Nos mundiais de 2002 (Coréia e Japão) e 2006 (Alemanha), a Suécia foi eliminada nas oitavas de final por Senegal (no gol de ouro) e Alemanha. Para o Mundial da África do Sul, o time não se qualificou, sendo eliminado pela sua maior rival, Dinamarca, e pela seleção portuguesa na combinação de resultados, finalizando em terceiro no Grupo 1 das Eliminatórias Europeias. A lógica que a Suécia montava bons times não mais se refletia dentro de campo por causa dos péssimos resultados depois de 1994.

Zlatán Ibrahimovic, atualmente no Milan, é o maior jogador sueco em atividade. Diferenciado, decisivo, o jogador (que é filho de pai bósnio muçulmano e mãe croata católica) alia velocidade, habilidade e um potente chute. Revelado pelo Malmö FF e com passagens por Ajax, Juventus, Inter de Milão e Barcelona, o jogador de 30 anos pensou em abandonar a seleção após o fracasso do time em 2009, mas voltou atrás e, como capitão do time, ajudou os escandinavos a se classificarem para a Euro 2012. Ibra marcou 28 gols pela seleção sueca em 74 jogos até o final do ano de 2011, atrás de Kennet Andresson que marcou 31 gols em 83 jogos.

O maior artilheiro sueco da história é Sven Rydell, com 43 gols em 49 jogos (de 1921 a 1932). O jogador nunca atuou em Copas do Mundo, mas foi medalhista de bronze nas Olimpíadas de Paris em 1924. O recordista em atuações com a camisa amarela é o goleiro Thomas Ravelli com 143 partidas (atuando em 2 Copas do Mundo e uma Eurocopa).

Ao lado do hockey, o futebol é um dos esportes mais populares na Suécia. Com mais de 3.300 mil clubes espalhados pelo país, mais de 1 milhão de membros, e com aproximadamente 280 mil jogadores licenciados, a liga, que é controlada pela Federação Sueca, tem em sua divisão principal formada por 16 clubes. O AIK é o clube mais popular, com simpatia de ninguém menos o Rei Gustav Adolf VI (1883-1973). O sucessor do trono real, o atual Rei da Suécia Carl Gustav XVI, é fã do rival do AIK, o Djurgarden. Mas nenhum dos dois teve tanta história no futebol europeu como o Malmö. O time da cidade de mesmo nome foi finalista da Copa dos Campeões (atual UEFA Champions League) de 1979, perdendo para o Nottingham Forest pelo placar de 1×0.
Nas Eliminatórias para a Euro de 2012 (na Ucrânia e na Polônia), a Suécia teve dificuldades para se classificar na última rodada e como o melhor segundo colocado. Estará no Grupo D com Ucrânia, França e Inglaterra, com partidas a ser realizadas em Donetsk e Kiev.

Neste ano, tanto a seleção quanto os suecos se despedirão da sua casa mais querida, o estádio Råsunda. Símbolo de uma das histórias mais ricas do futebol mundial, pois foi palco da final da Copa do Mundo de 1958, o campo dará lugar a um conjunto de prédios. O AIK, que utiliza o estádio, receberá um estádio novo e mais moderno, que está sendo construída também em Estocolmo – o Swedbank Arena, com a capacidade para 65 mil espectadores.

Para a despedida da velha casa, um convidado mais do que especial: a seleção brasileira. O amistoso entre as duas equipes, com uma pitada de nostalgia, será realizado no próximo dia 15 de agosto. Para os mais antigos, que puderam assistir aquelas equipes com Green e Liedholm de um lado; Pelé, Garrincha, Didi e Zagalo de outro, vai reviver os bons tempos de um futebol romântico. Um tempo que não volta mais. Uma ótima iniciativa da Federação Sueca para que o mundo de despeça de um dos templos mais importantes do futebol mundial.

Ficha Técnica
Nome:
Svenska Fotbollförbundet (Federação Sueca de Futebol)
Fundação: 18 de dezembro de 1904
Página oficial: www.svenskfotboll.se
Estádio oficial: Råsunda (36.608 lugares)
Títulos: Campeão Olímpico (1948), Campeão Nórdico (1933-36, 1937-47, 1948-51, 1952-55, 1956-59, 1960-63, 1964-67, 1968-71, 1972-77)
Copas do Mundo: 11 participações (1934, 1938, 1950, 1958, 1970, 1974, 1978, 1990, 1994, 2002, 2006)
Ranking da FIFA: 18ª posição (até fevereiro 2012)

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