CONHEÇA A SELEÇÃO: Rússia

Por Marcus Vinícius Garcia

O futebol russo foi um dos mais talentosos e brilhantes dos anos 50 e 60. Foi semifinalista da Copa do Mundo em 1966, Campeão Olímpico em 1956 e Campeão Europeu em 1960. Era um time forte, rápido do meio para o ataque e compacto na defesa – principalmente embaixo das traves.

O esporte bretão chegou à Rússia no tempo dos czares, em meio ao século XIX, trazido pelos ingleses. Os primeiros jogos foram disputados em 1887, com torneios organizados em Moscou e em São Petersburgo.

Em 19 de janeiro de 1912, surge a federação russa para organizar o futebol do país. No mesmo ano, a entidade filia-se à FIFA. Em 1920 aconteceu o primeiro campeonato de futebol organizado pela federação russa, que foi vencido por um time de Moscou. Mas a história do selecionado russo só teve início em agosto de 1923, ano de sua primeira partida internacional, nove meses após a revolução política que derrubou o império russo. Com a integração do regime socialista, a Rússia passou a ser chamada de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ou simplesmente União Soviética), formada como um grande país de dimensões continentais, reunindo Rússia, Ucrânia, Bielorússia, Transcaucásia, Belarus, Estônia, Lituânia, Letônia, Moldávia, Georgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguizão e Tadjiquistão. Em campo, o desempenho foi satisfatório: vitória sobre a Suécia por 2×1, em Estocolmo. No ano seguinte, seria realizada a primeira partida internacional em solo soviético. Vitória sobre a Turquia, em Moscou, por 3×0.

Com a revolução e o domínio socialista, a FIFA não reconheceu os soviéticos, desqualificando-os de disputar torneios oficiais. A maior entidade do futebol só reconheceu a nova federação em 1942.

Oficialmente, o time adotou como uniforme camisas vermelhas e no peito as siglas “CCCP” – que significa União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em russo – em branco, calções brancos e meias vermelhas, contrastando com a bandeira do país – cor vermelha com um facão entre um martelo, símbolo do comunismo.

A primeira participação oficial dos soviéticos numa competição internacional foi nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952. Na fase preliminar o “Exército Vermelho” enfrentou a Bulgária. No tempo normal, o jogo terminou empatado em 0x0 e a vaga para a fase seguinte foi decidida na prorrogação, com uma vitória de virada por 2x1No jogo de volta, o adversário foi à Iugoslávia. Com a bola rolando, outro empate: 5×5. A vaga foi decidida dois dias depois com uma vitória dos iugoslavos por 3×0.

A eliminação nas Olimpíadas de Helsinque trouxe grandes aprendizados ao time vermelho, que passaria o ano de 1953 sem disputar partidas oficiais, retornando no ano seguinte – e com fome de bola. No primeiro amistoso do time em 1954, os soviéticos aplicaram uma goleada de 7×0 sobre a Suécia, em Moscou. Esse jogo também foi marcado pela estreia de uma lenda: o goleiro Lev Yashin, do Dynamo Moscou, que entraria no lugar de Leonid Ivanov para não sair mais. O time seguia disputando amistosos visando outra grande competição: os Jogos Olímpicos de Melbourne em 1956.

O selecionado soviético estava mais experiente e mais forte para jogar a sua segunda competição oficial. Até o início dos Jogos Olímpicos na Austrália, a União Soviética havia atuado em 18 partidas (14 oficiais e 4 não oficiais), com 13 vitórias, 3 empates e 2 derrotas – com destaque às goleadas de 11×1 na Índia e 16×2 nos australianos.

A equipe soviética começou a caminhada rumo ao ouro olímpico, enfrentando a Alemanha na primeira rodada. E a sequência de vitórias permanecia com um placar de 2×1 sobre os germânicos.Na fase seguinte o “Exército Vermelho” encarou o Indonésia. O jogo terminou em 0x0 (tanto no tempo normal quanto na prorrogação), sendo marcada uma nova partida dois dias depois. No “replay”, vitória soviética por 3 a 0. Nas semifinais contra a Bulgária, outro 0x0 no tempo normal. Na prorrogação, os búlgaros saíram na frente do placar com Ivan Kolev, mas os soviéticos viraram o jogo com Eduard Streltsov e Boris Tatushin, terminando a disputa com a vitória vermelha por 2×1.

O caminho até o ouro já havia sido percorrido. O adversário na final seria a Iugoslávia, que havia atropelado os EUA e a Índia até o encontro com os soviéticos. Com a bola rolando, o equilíbrio prevaleceu até a etapa final quando, aos 3 minutos, o atacante Anatoli Ilyin marcou o único gol do jogo. Um a zero e medalha de ouro para o Exército Vermelho.

Dois anos após a conquista do primeiro título de sua história, o próximo passo dos soviéticos seria a disputa de uma Copa do Mundo. Para chegar ao Mundial da Suécia, os campeões olímpicos jogaram pelo grupo 6 das eliminatórias europeias, ao lado de Polônia e Finlândia. E sobrou. Foram 4 jogos com 3 vitórias soviéticas. Terminou a qualificação com o mesmo número de pontos da Polônia, que no confronto direto ganhou uma e perdeu a outra. Para definir o time que iria para o Mundial, a UEFA promoveu um jogo de desempate. A partida foi realizada em Leipzig, na Alemanha, com a vitória da União Soviética sobre os poloneses por 2×0.

Na Escandinávia, os soviéticos jogaram no Grupo 4 – o mais difícil da competição e também o mais disputado – contra Inglaterra, Brasil e Áustria. O desempenho do time em seu primeiro Mundial foi bom: uma vitória (2×0 na Áustria), um empate (2×2 contra a Inglaterra, na estréia) e uma derrota (2×0 para o Brasil). No final da fase de grupos, União Soviética e Inglaterra terminaram empatados em número de pontos e saldo de gols. A organização do Mundial marcou uma partida de desempate entre as duas seleções. Em campo, os soviéticos foram superiores ao ingleses desta vez, vencendo o jogo por 1×0 – com gol do atacante medalhista de ouro Anatoli Ilyin aos 23 minutos da etapa final, resultado que qualificou o time vermelho para a fase seguinte da Copa.

Nas quartas de final, o adversário seria o dono da casa. Jogando num Råsunda lotado, a superioridade sueca era evidente. Porém, os soviéticos encararam os anfitriões de frente, com muitos lances de perigo. Entretanto, os nórdicos foram mais eficientes, marcando dois gols na etapa final e eliminando o time de Yashin do Mundial. A eliminação fortaleceu o time vermelho, que debutaria em outra competição. A Eurocopa.

O maior torneio do continente europeu foi idealizado pelo francês Henri Delaunay (na época, presidente da Federação Francesa de Futebol) em 1927. Em 1928, ele foi vice-presidente da FIFA e ao lado do também francês Jules Rimet criaram a Copa do Mundo. Delaunay foi um dos fundadores da UEFA (União das Associações Européias de Futebol) na Suíça em 1954, e dizia que a Europa precisava de uma competição para os europeus disputarem durante os intervalos da Copa do Mundo. O francês também idealizou a Copa dos Campeões da Europa, nos anos 20. Henri Delaunay morreu em 1955, aos 72 anos, sem ver a competição que tanto defendeu. A Eurocopa saiu do papel sendo finalmente realizada em 1960, na França. A taça do torneio leva o nome do francês como homenagem aos serviços por ele prestados ao futebol europeu.

A primeira competição europeia não teve o número de participantes esperado pelos organizadores. Houveram desistências consideráveis de seleções tradicionais como a Alemanha, Inglaterra, Espanha e Itália, após a fase eliminatória. Com 4 times confirmados na fase final disputada no território francês, o torneio foi realizado em menos de uma semana.

Dos quatro finalistas da Eurocopa, além da anfitriã França, os outros três eram países que viviam sob o regime socialista: União Soviética, Tchecoslováquia e Iugoslávia. A seleção soviética contava com os campeões olímpicos Lev Yashin, o meia Igor Netto e os atacantes Valentin Ivanov e Viktor Ponedelnik (que substituiu o também atacante Anatoli Ilyin) O time vermelho encarou nas semifinais os tchecos, em Marselha. Sem dificuldades,  venceram por 3×0 (dois gols de Ivanov e um de Ponedelnik), e a vaga para a final contra um velho conhecido: a Iugoslávia – que derrotou a França por 5×4 num jogo eletrizante.

A grande final foi disputada no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris. O jogo, que prometia ser emocionante do início ao fim, teve seus gols marcados em cada etapa da partida. Aos 43 minutos da etapa inicial, Milan Galic marcou o primeiro gol. Aos 4 do segundo tempo, Slava Metreveli empatou. Com o equilíbrio no placar, o jogo começava a ter ares dramáticos. Com Yashin fazendo defesas milagrosas, a decisão do campeonato foi para a prorrogação. Aos 8 minutos do segundo tempo, Viktor Ponedelnik marcou o gol da virada – e do título. O jogador, que estreou vestindo a camisa vermelha marcando um Hat-Trick (três gols numa mesma partida) na goleada sobre a Polônia por 7×1 em um amistoso em maio do mesmo ano, deu à União Soviética seu primeiro título europeu. O capitão Igor Netto teve a honra de levantar pela primeira vez a taça Henri Delaunay, novinha em folha.

A partir dessa conquista memorável, o futebol soviético crescia mais e mais. A cada competição, o time vermelho entrava como um dos favoritos. O futebol do país era visto de forma diferente pelos críticos: com estilo de jogo rápido, eficiente, com uma defesa sólida e um goleiro considerado um dos melhores do mundo.

A segunda participação soviética numa Copa do Mundo foi em 1962, no Chile. Nas eliminatórias, o time não tomou conhecimento de Noruega e Turquia, sendo o primeiro do grupo com 100% de aproveitamento. Em território chileno, o desempenho soviético também foi impecável: duas vitórias (2×0 na Iugoslávia e 2×1 no Uruguai) e um empate (4×4 com a Colômbia), se classificando em primeiro do Grupo 1. Nas quartas de final, veio o encontro com os donos da casa (vitória chilena por 2×1 e mais uma eliminação). Foi a segunda vez consecutiva que a União Soviética era eliminada do Mundial pelo país anfitrião, e nas quartas de final. Mesmo com a decepção da derrota, o Exército Vermelho teve o artilheiro da competição: o atacante Valentin Ivanov, ao lado dos brasileiros Vavá e Garrincha, do chileno Leonel Sánchez, do húngaro Florian Albert, e do Iugoslavo Drazan Jerkovic todos com 4 gols marcados.

Dois anos depois, o time vermelho teve que defender o título europeu jogando em território espanhol, dominado pela ditadura de Francisco Franco, que não permitiu a participação da “Fúria Roja” na primeira edição da Euro em 1960, por divergências políticas com os soviéticos. Quatro anos depois, o futebol superou a política e as duas seleções (Espanha, país sede, e URSS, último campeão europeu) puderam jogar a competição. Depois de passar por Itália e Suécia na fase de qualificação, a União Soviética enfrentou, nas semifinais, a Dinamarca em Barcelona. Os nórdicos foram atropelados pelo caminhão soviético: 3×0 (gols de Valeri Voronin, Viktor Ponedelnik e Valentin Ivanov).

O adversário na grande final foi a anfitriã Espanha, que eliminou a Hungria, jogando na capital espanhola, por 2×1 na prorrogação. Jogando no estádio do Real Madrid completamente lotado, os espanhóis superaram na raça a superioridade soviética. Vitória por 2×1 e a taça mudando de mãos.

Em 1966, na Inglaterra, os soviéticos apresentaram um time renovado, liderado pelo “Aranha Negra” (apelido dado por causa do uniforme preto e das defesas difíceis, lembrando uma aranha) Lev Iashin. O time jogou a primeira fase do Mundial no Grupo 4 e venceu todas as partidas: 3×0 na Coréia do Norte, 1×0 na Itália e 2×1 no Chile. Classificado para as quartas de final, o time soviético enfrentou em Sunderland a seleção da Hungria, enfraquecida e que nem de longe lembrava aquele time dos “Mágicos Magiares” que encantou o mundo nos anos 50. Em campo, o Exército Vermelho não tomou conhecimento do adversário e abriu 2×0, com Igor Chrislenko e Valeriy Porkujan. Com a vitória sobre os magiares, a União Soviética chegou pela primeira vez às semifinais de uma Copa do Mundo. Para disputar o título, o time tinha que superar a Alemanha de Beckenbauer, em Liverpool. Mas nem Lev Yashin conseguiu segurar o esquadrão germânico campeão do mundo em 1954, que venceu pelo placar de 2×1, com direito a gol do Kaiser.

Fora da grande final da Copa, a União Soviética teve que decidir com a seleção portuguesa de Eusébio (eliminado pelos anfitriões ingleses) a medalha de bronze do Mundial. Jogando no palco da final, o lendário Estádio de Wembley, os portugueses que eliminaram o Brasil e eram a sensação da competição venceram os soviéticos por 2×1, ficando com o terceiro lugar.

Quarta melhor seleção do último Mundial, o Exército Vermelho entra o ano de 1968 de olho no bicampeonato europeu, que seria realizado na Itália. Nas primeiras edições do torneio, somente as finais eram disputadas num país sede. As fases de classificação eram disputadas nos países das seleções participantes, com partidas de ida e volta.

A União Soviética passou por Grécia, Áustria, Finlândia e Hungria nas fases preliminares e chegou na Itália como um dos principais favoritos ao título, mesmo com a ausência do “Aranha Negra”. Nas semifinais da Euro, a União Soviética encarou a seleção dona da casa no Estádio San Paolo, em Nápoles.

O time vermelho parou nas mãos do jovem goleiro Dino Zoff e o equilíbrio das duas equipes permaneceu até o fim. Com o empate sem gols, a organização realizou, de forma estranha, um sorteio entre os dois capitães para definir o finalista. No cara ou coroa, a Itália foi declarada a vencedora e finalista do torneio.

Abalada com mais uma derrota – e bem peculiar –, a União Soviética perdeu a disputa do terceiro lugar para a Inglaterra pelo placar de 2×0, com gols dos craques Bobby Charlton e Geoff Hurst.

A década de 60 foi marcante na história do futebol soviético não só pelas conquistas, mas também pelos amistosos contra clubes brasileiros. Destaque pelos enfrentamentos contra o Grêmio nos anos de 1961, 62 e 65. Os jogos foram disputados em Moscou e Porto Alegre. Foram 4 disputas, com 3 vitórias dos soviéticos (em território russo) e 1 vitória dos brasileiros (em Porto Alegre).

Na década seguinte, o futebol soviético teve uma queda. Em 1970, o time esteve no México e logo na estréia encarou o time anfitrião. Aquela partida entrou para a história porque a União Soviética foi a primeira equipe a fazer uma substituição de um jogador titular por um suplente  durante o jogo. Durante os 90 minutos, o placar ficou em branco, mas nas partidas seguintes o time vermelho se garantiu e terminou a fase de grupos em primeiro, superando Bélgica (4×1) e El Salvador (2×0). A ótima participação na primeira fase não foi o suficiente para seguir na Copa. Nas quartas de finais, os soviéticos foram derrotados pelo o Uruguai na prorrogação pelo placar de 1×0 (gol de Victor Espárrago).

Na Eurocopa de 1972, o time foi para as finais na Bélgica após superar Espanha, Chipre, Irlanda do Norte e Iugoslávia na fase de qualificação. Nas semifinais, o time superou a Hungria, vencendo por 1×0 – gol de Anatoli Konkov.

Na final disputada no Estádio Heysel, em Bruxelas, o time de Franz Beckenbauer, Gerd Müller, Sepp Maier, Gunter Netzer, Paul Breitner e companhia não tomou conhecimento do time soviético e aplicou um sonoro 3×0, com dois gol de Müller e um de Herbert Wimmer. Era uma mostra de um esquadrão que iria dominar a Europa e o mundo na década.

Na Euro de 1976, a União Soviética se classificou na fase de grupos, superando Irlanda, Turquia e Suíça, mas nas fase seguinte foi eliminado pela Tchecoslováquia com uma derrota por 2×0 na Bratislava (hoje capital da Eslováquia) e um empate por 2×2 em Moscou.

Ausente dos Jogos Olímpicos desde o ouro em Melbourne em 1956, a União Soviética voltou a disputar o torneio em 1972 em Munique. Jogando no Grupo B com México, Birmânia e Sudão, o time classificou-se em primeiro com 100% de aproveitamento (3 vitórias, com 7 gols marcados e 3 contra).

Na segunda fase do torneio, os oito classificados foram distribuídos em dois grupos de quatro times. Os dois primeiros disputariam a medalha de ouro. A União Soviética ficou no Grupo 2 com Polônia, Dinamarca e Marrocos. O time vermelho venceu duas partidas e perdeu justamente para a Polônia (2×1), que se classificou para a final.

Na disputa pelo terceiro lugar, o adversário foi a Alemanha,  superado no Grupo 1 pela Hungria. O empate por 2×2 fez com que a organização dos jogos premiasse as duas delegações com as medalhas de bronze.

Destaque do time soviético nos Jogos Olímpicos com seis gols marcados, o atacante Oleg Blokhin se tornaria um dos maiores atacantes do futebol mundial nos anos 70 e 80. O jogador, nascido em Kiev na Ucrânia, era a única estrela que se destacava no selecionado vermelho.

Depois do bronze conquistado na Alemanha, a União Soviética conquistaria mais duas medalhas de bronze nos jogos de 1976 em Montreal (vencendo o Brasil na disputa) e em 1980 em Moscou.

Jogando em casa e favoritíssimo para conquistar a medalha de ouro, o time soviético estava implacável. Superou Venezuela (4×0), Zâmbia (3×1) e Cuba (8×0) na fase de grupos. Nas quartas de final, derrotou o Kuweit (2×1) e nas semifinais a empolgação e a confiança foram quebrados pelos alemães com uma derrota por 1×0.

A tristeza tomou conta do país, mas sua população não deixou de apoiar o time na disputa pelo terceiro lugar. Em campo, os soviéticos superaram a Iugoslávia por 2×0, levando o bronze, e de quebra tiveram o artilheiro da competição: Sergey Andreyev com 5 gols marcados.

A década de 80 foi marcante para o futebol soviético pela decadência da seleção nos torneios, principalmente na carência de bons jogadores. Tinha somente Blokhin como referência – muito pouco para uma seleção que no passado fora considerada uma das  mais poderosas do mundo.

Ausente nas edições de 1974 (na Alemanha) e 1978 (na Argentina) da Copa do Mundo, a União Soviética voltaria a disputar a competição em 1982 na Espanha. Mas o desempenho foi ruim, sendo eliminado na fase de grupos. Mesma situação enfrentada no México em 1986.

Na Eurocopa, o time não conseguiu se qualificar para as fases finais das edições de 1980 na Itália e 1984 na França.

O time soviético só voltou a ter destaque em 1988, nas duas competições mais importantes daquele ano: a Eurocopa na Alemanha e as Olimpíadas na Coreia do Sul.

Na Euro, disputada na Alemanha, o Exército Vermelho voltou com tudo, se classificando em primeiro na qualificação. Na fase de grupos da competição, se classificou também em primeiro, superando a Holanda de Van Basten, a Irlanda do Norte de Mick McCarthy e a Inglaterra de Lineker. Nas semifinais, a vítima foi a Itália (2×0) e mais uma final no currículo soviético na competição europeia. O adversário seria novamente a Holanda. Dessa vez os “Laranjas” não deram chances para o azar e superaram a União Soviética por 2×0 – gols de Ruud Gullit e Marco Van Basten.

Nos Jogos Olímpicos na Coreia do Sul, a União Soviética chegou forte na competição – tanto que jogou num grupo com os donos da casa, os EUA e a Argentina. Terminou em primeiro colocado do Grupo C, com 5 pontos (2 vitórias sobre EUA e Argentina e empate com a Coreia). Na sequência da competição, superou a Austrália (3×0), a Itália (3×2) e conquistou a sua segunda medalha de ouro ao derrotar o Brasil na final olímpica pelo placar de 2×1.

Em 1990, a União Soviética se classificou para a Copa do Mundo na Itália em primeiro do Grupo 3, superando Alemanha Ocidental, Áustria, Turquia e Islândia. Na “Velha Bota”, o time conquistou uma só vitória por 4×0 sobre a seleção de Camarões, mas não conseguiu se classificar para a fase seguinte do Mundial porque sofreu duas derrotas para Romênia e Argentina, ambas pelo placar de 2×0, terminando a primeira fase em último no Grupo B.

A péssima fase dentro de campo refletia também na política soviética. Com a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria em 1989, o socialismo estava perdendo força a cada dia – ao contrário do capitalismo. Em 1991, Bóris Yeltsin declarou a independência da Rússia, criando também a CEI (Comunidade de Estados Independentes). Estava extinta a URSS e também a sua federação.

Viktor Onopko é o recordista de partidas com a camisa da União Soviética: são 113 partidas. Ele também é o maior artilheiro soviético, com 42 gols marcados.

Após o fim da União Soviética, países como Ucrânia, Bielorússia, Transcaucásia, Belarus, Estônia, Lituânia, Letônia, Moldávia, Georgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguizão e Tadjiquistão, reconquistaram a sua independência. Com essa mudança na estrutura política e geográfica, o futebol também mudou. E sofreu principalmente com a perda de jogadores ucranianos.

Em 1992 a ex-União Soviética participou da Eurocopa na Suécia como CEI, com jogadores de todas as nações que formavam a URSS menos Estônia, Letônia e Lituânia. Dentro de campo, o time não correspondeu e foi eliminado na primeira fase com dois empates (1×1 com a Alemanha e 0x0 com a Holanda) e uma derrota (3×0 para a Escócia).

No Mundial dos EUA em 1994, o retorno da Rússia não foi das melhores. Sofreu duas derrotas para Brasil (2×0) e Suécia (3×1), mas na última partida da primeira fase, o time goleou Camarões por 6×1 – com direito a 5 gols de Oleg Salenko. Mesmo fora da Copa, o atacante russo foi o artilheiro da competição ao lado do búlgaro Hristo Stoichkov, com 6 gols marcados.

Mesma situação vivida pelos russos na Eurocopa de 1996, disputada na Inglaterra. O time perdeu para Alemanha e Itália e empatou com a República Tcheca, terminando a primeira fase em último.

Nos anos seguintes as aparições russas em competições variavam. A seleção ficou fora dos Mundiais de 1998, 2006 e 2010. Em 2002 também não passou da fase de grupos.

Na Euro, a Rússia ficou de fora da edição realizada no ano 2000 na Bélgica e na Holanda e na edição portuguesa em 2004 foi eliminada na fase de grupos.

O futebol da Rússia enfrentava muitas dificuldades, o desempenho dos clubes locais estava cada vez mais fraco e contavam, em maioria, com jogadores estrangeiros em seus plantéis.

Em 2008, a seleção russa demonstrou na Suíça e Áustria um crescimento com um futebol dinâmico e rápido, vencendo Grécia, Suécia e Holanda. O time chegou até as semifinais perdendo da Espanha por 3×0 (a Rússia jogou com a Espanha na fase de grupos também, perdendo por 4×1). Nesta competição, a equipe apresentou ao mundo algumas  revelações de destaque, como o meia Yuri Zhirkov, o meia-atacante Andreiy Arshavin e o centroavante Roman Pavlyuchenko.

Após a boa exibição na Euro, esses jogadores ganharam notoriedade pelo mundo e deixaram o futebol russo direto para Londres. Zhirkov se transferiu para o Chelsea, Arshavin para o Arsenal e Pavlyuchenko foi para o Tottenham. O início dos jogadores nesses clubes foi promissor, mas lesões atrapalharam suas evoluções, principalmente na seleção.

Falar em futebol na Rússia é falar em grandes negociações. Dinheiro é o que não falta aos times russos. Os principais clubes são o Spartak Moscou, Lokomotiv e o Dynamo. Mas Zenit, CSKA e principalmente o Anzhi estão derramando grandes quantias de dinheiro para contratar grandes jogadores internacionais, como por exemplo a contratação do atacante camaronês Samuel Eto’o que deixou a Inter de Milão pela quantia de € 27 milhões – a maior transferência internacional. Os principais jogadores russos também estão sendo repatriados aos grandes clubes do país, como por exemplo a chegada dos jogadores Zhirkov para o Anzhi, Pavlyuchenko no Lokomotiv e Arshavin que retornou ao Zenit.

Classificado para a Euro de 2012, que será realizada na vizinha Ucrânia e na Polônia, a Rússia terá a missão de recuperar o prestígio reconquistado após a bela campanha na última edição do torneio. Na qualificação, o time de Dick Advocaat não encontrou dificuldades para se classificar no Grupo B das eliminatórias, que contava com Irlanda, Armênia, Eslováquia, Macedônia e Andorra. Na fase final, a Rússia estará no Grupo 1, com Polônia, Grécia e República Tcheca.

Em 2018, o país terá a missão de sediar a Copa do Mundo. A decisão foi anunciada em dezembro de 2012. A Rússia superou candidatos fortes como Inglaterra, Espanha, Portugal, Holanda e Bélgica. Na organização do evento, contará com a ajuda de grande magnatas do país – inclusive Roman Abramovich, dono do Chelsea.

A missão russa, quatro anos após a realização do Mundial no Brasil, não é somente pensar em estádios, infra-estrutura e outras obrigações, mas recuperar o futebol poderoso do “Exército Vermelho” que dominou e conquistou o mundo nos anos 60. Contudo, o passado glorioso parece assustar os jogadores da atualidade. A Rússia tem potencial para conquistar muito mais. O futebol de areia – atual campeão mundial da categoria, derrotando o Brasil – mostra que podem. E certamente veremos o crescimento do futebol russo nos gramados. Seja a dois anos, quatro anos, seja em 2014, em 2018. É só aguardar.

Ficha Técnica

Nome: Federação Russa de Fuetebol
Fundação: 19 de janeiro de 1912
Página oficial: www.rfs.ru
Estádio Oficial: Luzhniki Stadium – capacidade para 78.360 mil espectadores
Títulos: Campeão Europeu (1960) Campeão Olímpico (1956, 1988)
Participações em Copas do Mundo: 9 (1958, 1962, 1966, 1970, 1982, 1986, 1990, 1994, 2002)
Posição no Ranking da FIFA: 12ª posição (até março de 2012)
 

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Equipe Trivela

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