CONHEÇA A SELEÇÃO – Iugoslávia, Uma força fragmentada
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O desmembramento da antiga Iugoslávia em seis nações nos tirou a chance de assistirmos a uma seleção que poderia dar trabalho no cenário futebolístico. Separadas Croácia, Bósnia-Herzegovina, Sérvia, Montenegro, Macedônia e Eslovênia têm seleções razoáveis com excelentes jogadores pulverizados entre elas. Alguns atletas dessas seleções jogam em grandes times da Europa. São habilidosos e eficientes dentro dos esquemas de seus clubes. Será que funcionariam jogando na mesma equipe?
Este é um exercício de imaginação. Como seria a seleção iugoslava reunindo os jogadores dos seis países? Vamos lá:
O goleiro: Handanovic (Eslovênia – Roma). Laterais: Kolarov (Sérvia – Manchester City) e Jokic (Eslovênia – Chievo). Zagueiros: Vidic (Sérvia – Manchester United) e Savic (Montenegro – Manchester City). Meias: Pjanic (Bósnia – Roma), Stankovic (Sérvia – Internazionale), Modric (Croácia – Tottenham) e Krasic (Sérvia – Juventus). Atacantes: Pandev (Macedônia – Napoli) e Dzeko (Bósnia – Manchester City).
Seleção de respeito, mesmo mantendo o critério de colocar ao menos um jogador de cada país. O banco de reservas seria montado com opções excelentes. Os bósnios Begovic, goleiro do Stoke City e Misimovic, meia do Dínamo Moscou; Os croatas Srna e Eduardo da Silva ambos do Shakhtar Donetsk, além de Ilicevic do Hamburg, Kranjcar do Tottenham e o veterano Olic do Bayern Munique; Da Sérvia teríamos Stojkovic, goleiro do Partizan, Ivanovic do Chelsea, Dragutinovic do Sevilha e Jankovic do Genoa; Os atacantes montenegrinos Jovetic da Fiorentina e Vucinic da Juventus; Da Macedônia Noveski do Mainz 05 e o esloveno Birsa do Genoa.
Há controvérsias como em toda seleção do mundo. Quem quiser montar uma seleção diferente fique a vontade e use o espaço dos comentários.
Os brasileiros do Leste Europeu
A seleção iugoslava carregava a fama de ter um futebol de meias habilidosos lembrando o estilo sul-americano. Por muitos anos seus jogadores foram considerados os “brasileiros do Leste Europeu”. Entretanto, o país era um barril de pólvora. Desde o início do século 20, os conflitos internos já demonstravam que era uma nação com povos e pensamentos divergentes. Após a Segunda Guerra Mundial, Josip Broz Tito tornou-se primeiro ministro e mais tarde, em 1953, assumiu a presidência da então Iugoslávia Democrática Federal que teve seu nome alterado em 1963 para República Socialista Federativa da Iugoslávia.
Foi com esse nome que os iugoslavos conseguiram chegar, em 1960, ao seu melhor desempenho no futebol conquistando a medalha de ouro nas Olimpíadas de Roma ao bater a Dinamarca por 3 a 1 (gols de Galic, Matus e Kostic. Nielsen anotou para os dinamarqueses) e o vice-campeonato europeu perdendo para a União Soviética. No tempo normal a partida terminou empatada em 1 a 1. Galic abriu o placar aos 43 minutos e Metreveli igualou aos 4 minutos do segundo tempo. A sete minutos do final da prorrogação, Ponedelnik fez o gol do título para os soviéticos. O nome Eurocopa foi criado em 1968 quando os iugoslavos conquistaram mais um vice-campeonato perdendo para a Itália. No primeiro jogo, a igualdade no placar: 1 a 1 (Djasic e Domenghini). Na partida desempate, vitória italiana por 2 a 0 (Riva e Anastasi) Os grandes jogadores da Iugoslávia na década de 60 eram Drazen Jerkovic (artilheiro da Copa de 1962 com cinco gols), Milan Galic, Zejico Matus, Borijov Kostic, Ivica Osim e Dragan Djasic.
Além do ouro em 1960, os iugoslavos têm no seu currículo mais medalhas olímpicas. São três de prata (1948, 1952 e 1956) e uma de bronze em 1984. Participou de nove Copas do Mundo (1930, 1950, 1954, 1958, 1962, 1974, 1982, 1990 e 1998). Disputou 37 jogos (16 vitórias, 8 empates, 13 derrotas), marcou 60 gols e sofreu 46. Seu melhor resultado foi logo na primeira, em 1930 no Uruguai, quando terminou em terceiro junto com os Estados Unidos. Obteve também um quarto lugar em 1962, no Chile.
Em 1987, no Chile, houve a conquista do Mundial Sub-20. A Iugoslávia venceu a Alemanha Ocidental nos pênaltis (5 a 4) após empate no tempo normal e prorrogação por 1 a 1, gols de Boban (IUG) e Witeczec (RFA). A penalidade que decretou o título foi convertida pelo próprio Boban. Os destaques dessa seleção eram Zvonimir Boban (ex-Milan), Pedrag Mijatovic (ex-Real Madrid), Robert Prosinecki (ex-Real Madrid e Barcelona) e Davor Suker (ex-Real Madrid que disputou a Copa de 1990 pela Iugoslávia e a de 1998 pela Croácia quando foi o artilheiro com seis gols).
Em 1991, ano dos maiores títulos da história iugoslava (a Copa dos Campeões e o Mundial de Clubes conquistados pelo Estrela Vermelha), Croácia, Eslovênia e Macedônia declararam independência. A Bósnia-Herzegovina em 1992. Na Copa de 1998, o que restou do país jogou ainda com o nome de Iugoslávia, mas a nação passou a se chamar Sérvia e Montenegro em 2003. Os dois países separam-se em 2006, e a Iugoslávia, definitivamente, virou história.