Chipre: pequena ilha em busca de grande façanha
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No dia 13 de novembro de 1960, quando o mundo já havia assistido três Copas no pós-guerra e o futebol se consolidava como esporte mais popular do planeta, entrava em campo pela primeira vez a Seleção Nacional do Chipre. O jogo histórico, empate por 1 a 1 diante de Israel em Nicósia – a capital cipriota –, ocorreu menos de três meses depois do país ser declarado independente do Reino Unido.
Pequena ilha localizada ao sul da Turquia, com 9,2 mil km² de área e 780 mil habitantes (menos gente do que Campinas, no interior de São Paulo, por exemplo), o Chipre ainda engatinha quando o assunto é futebol profissional.
Em setembro do ano passado, ganhou o noticiário por um histórico empate por 4 a 4 com Portugal, na casa do adversário, pelas eliminatórias da Eurocopa 2012. No início deste ano, organizou um Torneio Internacional envolvendo quatro países. Ficou em último lugar, ao perder para a Suécia na estreia e para a Romênia na decisão do terceiro lugar. O título foi da Ucrânia.
Mas, ainda que a seleção cipriota caminhe a passos pequenos para a evolução técnica, a paixão pelo futebol é grande por lá. Fazer o primeiro jogo oficial tão pouco tempo depois de ser declarado independente não foi simplesmente uma coincidência.
Ocorre que a seleção nacional existia, na verdade, desde 1936, quando o Chipre ainda estava longe de ser um Estado livre. O primeiro jogo foi contra um time – os gregos do Panathinaikos – e não tem seu resultado registrado nem mesmo pela Federação de Futebol do Chipre.
De lá até a estreia como nação independente, foram vários períodos de anos sem entrar em campo, mesclados com outros de amistosos seguidos. A própria Federação explica os anos de estagnação pela falta de recursos financeiros da época e pela “dificuldade de ir ao estrangeiro, pois nosso país é uma ilha”.
A primeira excursão internacional ocorreu em 1949, a Israel, onde os cipriotas disputaram uma série de amistosos.
Nação livre, time em campo
As coisas melhoraram mesmo em 1960. Estado independente, o Chipre passou a disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo e para a Eurocopa. O próprio empate com Israel foi válido pelo qualificatório para o Mundial.
A primeira vitória em competições oficiais ocorreria somente oito anos depois: 2 a 1 sobre a Suíça, em disputa por uma vaga no Campeonato Europeu.
O Chipre nunca conseguiu se classificar para nenhuma das duas mais importantes competições de seleções do mundo. Suas conquistas mais celebradas são bons resultados isolados, como o empate por 1 a 1 com a então campeã mundial Itália, em 1983; o também 1 a 1 diante da então campeã europeia Dinamarca, em 1995; a vitória por 3 a 2 sobre a Espanha pelas eliminatórias da Euro em 1998 (jogo que valeu a demissão do técnico espanhol Javier Clemente); a maior goleada em uma partida oficial (5 a 0 sobre Andorra, em 2000 ) e o ponto conquistado em terras portuguesas no ano passado.
Desde 1960, foram 297 jogos entre amistosos e campeonatos, nenhum deles contra o Brasil.
Futuro promissor
Treinada pelo grego Angelos Anastasiadis, a seleção do Chipre é formada pela base do Apoel, atual campeão nacional. Quarta colocada do grupo H das eliminatórias da Euro, a seleção se prepara para a estreia no returno da competição, dia 26 de março, contra a Islândia.
Obter uma das vagas para o campeonato europeu é tarefa quase impossível, sabem os cipriotas. Mas a evolução no futebol do país deixa claro que, mais cedo ou mais tarde, um grande feito será alcançado. Prova disso é o salto de 113º lugar no ranking da Fifa em março de 2005 para o 43º em setembro de 2010. Atualmente, a seleção ocupa a 91ª posição no ranking mundial e a 43ª no europeu.
Com os jogos constantes, algumas marcas também começam a ser batidas. No final do ano passado, o meia Okkas foi o primeiro jogador da história a vestir a camisa da seleção em mais de cem jogos.
E a julgar pela capacidade de melhorar seu próprio futebol nos últimos tempos (não perde por três gols de diferença, por exemplo, desde agosto de 2009), pode-se dizer que o Chipre não é mais o saco de pancadas de outrora. E que, a seguir neste ritmo, pode ter um futuro promissor no mundo da bola.