Chega de Maurício Ramos? Não, chega dos valdivias
Pouco vi o Palmeiras jogar neste ano, ou seja, não sei nada sobre o futebol que apresentou Maurício Ramos. O que sei é que, quando surgiu, era ruim, como muitos zagueiros são quando surgem. E como muitos parecem ser quando seus times não estão bem – alguém falou em Paulo Miranda, celebrado pelos são-paulinos como a solução da lateral-direita?
Não sei quanto está jogando Maurício Ramos, mas é o tipo do jogador que eu queria ter em meu time. Bem, não no time para o qual eu torço, mas no time em que eu jogo pelada (uma vez a cada dois anos). Porque no meu time, não faço questão de ter craque. Faço questão de ter gente com caráter, gente que não foge da responsabilidade, que está em campo sempre, que assume até mais do que pode assumir. Como assumiu o jovem Maurício, transformado em líder de um elenco de baixa qualidade pela absoluta falta de outros líderes. Esse é o tipo do cara que você quer do seu lado, ou pelo menos que eu quero do meu.
O que eu definitivamente não quero do meu lado é o tipo Jorge Valdívia. Mago de um truque só, raramente apresentado. Mago caro, de nenhuma efetividade. Cuja mágica parece ser simples: a do desaparecimento. Valdívia custou caro, muito caro. Era dele que se esperava que fosse o pilar em torno do qual se construiria um time. Era dele que se esperava raça, entrega, além de futebol. Nada disso se viu, como se sabe.
É fácil reclamar de Valdívia agora, mas relembre-se o que aconteceu quando foi recontratado. O palmeirense já sabia o que encontraria, mas mesmo assim festejou como se Evair ou Ademir estivessem voltando. A direção de Belluzzo, o”professor”, trouxe o “Mago” porque achou que isso acalmaria a torcida. E acalmou, por muito mais tempo do que devia, aliás.
A torcida que festejou Valdívia não é a mesma que bateu em Vagner Love, e isso é evidente e claro para qualquer um. Mas é parte dela a facção que o fez. A facção que ameaça jogadores e dirigentes. Que faz com que jogadores temam jogar pelo Verdão. Que faz com que os que estão lá se intimidem, e sumam.
Maurício Ramos não é um grande jogador de futebol, mas não temeu. Sem ter que fazê-lo, deu sua cara a tapa. Assumiu o posto de símbolo quando a catástrofe estava anunciada. Foi corajoso, teve caráter, foi mais palmeirense do que muito palmeirense.
Eu queria um cara desses no meu time, porque qualidade técnica não e tudo. O que eu não queria são os valdivias da vida. Faz parte do futuro do Palmeiras entender essa dinâmica. Valorizar o que merece ser valorizado. E respeitar os seres humanos, os trabalhadores, antes de exigir qualquer tipo de “respeito à camisa”.



